Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Colapso do investimento na China eleva riscos de crédito para construtoras, bancos e governo
Publicado 21/01/2026 • 08:25 | Atualizado há 2 horas
Publicado 21/01/2026 • 08:25 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Unsplash.
Bandeira da China
A forte queda dos investimentos na China está ampliando os riscos de crédito em toda a economia, especialmente para construtoras, setor imobiliário, bancos e construção, alertou a Fitch Ratings. Segundo a agência, a desaceleração econômica vem limitando o crescimento desses setores e sua capacidade de honrar dívidas.
O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês) da China recuou 3,8% em 2025, para 48,52 trilhões de yuans (US$ 6,8 trilhões) — a primeira queda anual em décadas. O resultado reflete o aprofundamento da crise no setor imobiliário e restrições mais severas ao endividamento dos governos locais, fatores que enfraqueceram um dos tradicionais motores de crescimento do país.
Leia também: Alerta de bolha? China endurece regras de alavancagem após giro histórico nas bolsas
A contração acentuada dos investimentos no segundo semestre de 2025 elevou de forma significativa os riscos de crédito entre diferentes setores para emissores avaliados na China, incluindo o próprio governo, afirmou a Fitch. Em abril, a agência rebaixou o rating soberano do país de “A+” para “A”, citando preocupações com o enfraquecimento das finanças públicas e o aumento da dívida.
A Fitch advertiu que as perspectivas de crescimento de vários setores estão “em deterioração”, em meio à demanda doméstica fraca, pressões deflacionárias persistentes e à crise imobiliária.
A segunda maior economia do mundo perdeu fôlego no quarto trimestre de 2025, registrando crescimento de 4,5% – o mais lento em três anos.
Dentro do FAI, o investimento imobiliário caiu pelo quarto ano consecutivo, despencando 17,2% em 2025 ante o ano anterior. A crise habitacional continuou a reduzir a atividade na construção e em fornecedores da cadeia. As vendas residenciais em nível nacional recuaram para 7,3 trilhões de yuans (US$ 1 trilhão), o menor patamar desde 2015, enquanto os preços de imóveis usados seguiram em forte queda.
O duro ajuste no setor imobiliário levou milhões de famílias a cortar gastos, forçando empresas a reduzir preços e comprimindo margens de lucro.
Leia também: China reage a Trump e rejeita “ameaça chinesa” usada para pressionar a Groenlândia
A crise empurrou diversas incorporadoras com restrições de caixa para situações de estresse. No mês passado, a Fitch rebaixou a China Vanke Co., outrora uma das maiores incorporadoras do país, para “default restrito”, após a empresa buscar estender o prazo de pagamento de um título doméstico.
No início deste mês, a agência também rebaixou a Dalian Wanda Commercial Management Group e a Wanda Commercial Properties para “default restrito”, após a conclusão de uma troca de dívida em dificuldades. Já a Jingrui Holdings recebeu, na semana passada, ordem para encerrar operações em Hong Kong.
A Fitch projeta crescimento do PIB chinês de 4,1%, refletindo a perda de fôlego do comércio líquido e o consumo fraco. Segundo a agência, uma queda sustentada de dois dígitos no FAI provavelmente não será compatível com um crescimento de 4% a 5% em 2026.
O Goldman Sachs, porém, afirmou que as preocupações com a forte retração dos investimentos podem estar exageradas, já que parte da queda poderia decorrer de uma “correção estatística de dados anteriormente superestimados”, e não de uma desaceleração real.
Os veículos de financiamento dos governos locais (LGFVs, na sigla em inglês) continuam longe de serem autossuficientes no serviço da dívida, afirmou Samuel Kwok, diretor-gerente de Finanças Públicas Internacionais da Ásia-Pacífico na Fitch Ratings. As dívidas recebem classificação “neutra”, com base na expectativa de que as autoridades intervenham caso o estresse se intensifique.
Leia também: China retoma importação de frango do Rio Grande do Sul após 18 meses
Segundo Kwok, um plano de estímulo fiscal “mais forte do que o esperado”, financiado por dívida do setor público local, pode deteriorar as perspectivas do setor de LGFVs e de seus emissores se o uso de dívida para investimentos de “quase política” crescer mais rápido do que a capacidade de suporte dos LGFVs e dos governos locais. Esses investimentos referem-se a projetos financiados fora do orçamento, por meio dos LGFVs, em vez de gastos fiscais diretos para cumprir objetivos de política pública.
Os governos locais sofreram com a perda de receitas de vendas de terrenos, enquanto Pequim apertou o controle sobre os veículos de financiamento, limitando investimentos em infraestrutura.
O FAI excluindo o setor imobiliário caiu 0,5% em 2025, à medida que os gastos de capital do orçamento estatal foram comprimidos pela prioridade dos governos locais em pagar dívidas, afirmou Erica Tay, diretora de pesquisa macro do Maybank. Segundo ela, o esforço de Pequim para impulsionar a construção de infraestrutura voltada à economia digital pode levar a uma leve recuperação do investimento público em 2026, compensando parcialmente a fraqueza da construção imobiliária.
Embora o menor investimento dos governos locais possa prejudicar o crescimento em algumas regiões “economicamente mais frágeis”, limites mais rígidos para novos empréstimos podem melhorar gradualmente o perfil de crédito de alguns LGFVs, observou a Fitch.
A China deve manter uma postura cautelosa na política monetária, com os bancos priorizando tomadores de maior qualidade em vez de buscar crescimento do crédito – abordagem que, segundo a Fitch, deve ajudar a manter a qualidade dos ativos relativamente estável.
A agência espera que o banco central reduza a taxa de recompra reversa de sete dias em 20 pontos-base neste ano, para 1,2%, citando espaço limitado para um afrouxamento mais agressivo diante da rentabilidade já pressionada dos bancos.
A Fitch projeta, no máximo, uma “leve deterioração” na qualidade dos ativos bancários. No entanto, alertou que uma queda mais profunda dos investimentos, capaz de provocar aumento relevante do desemprego, poderia enfraquecer a qualidade dos ativos das instituições e pressionar títulos lastreados em hipotecas residenciais e outros ativos securitizados.
A taxa nacional de desemprego subiu para 5,2% em 2025, ante 5,1% no ano anterior.
A agência acrescentou que um impulso mais agressivo ao crescimento do crédito poderia ser negativo para o perfil de crédito dos bancos, ao comprimir margens líquidas de juros ou elevar de forma significativa a alavancagem do sistema.
Segundo a Bloomberg, o principal regulador financeiro da China prorrogou, neste mês, uma política que permite aos bancos se desfazerem de empréstimos pessoais inadimplentes além do prazo original, que se encerraria em 2025, aliviando a pressão sobre as instituições em meio ao aumento dos riscos de calote.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
Mais lidas
1
Ações da Stellantis caem 43% enquanto fabricante da Jeep completa cinco anos e executa reestruturação
2
Caso Banco Master se amplia após Banco Central liquidar Will Financeira
3
Quem é a família Santo Domingo, bilionária que quer comprar o Santos FC
4
Trading controlada por grupo russo “some do mapa” e demite 344 no Brasil
5
Growth anuncia Diego Freitas como CEO após saída dos fundadores Fernando e Eduardo Dasi