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Conflito no Oriente Médio

CEO de empresa de petroleiros vê retomada rápida do tráfego em Ormuz se EUA e Irã fecharem acordo

Publicado 12/06/2026 • 15:55 | Atualizado há 2 dias

KEY POINTS

  • Um acordo confiável entre Estados Unidos e Irã pode acelerar a retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, segundo o CEO da Frontline.
  • Países do Golfo estariam pressionados para retomar exportações de petróleo, enquanto petroleiros aguardam próximos à região à espera da reabertura da rota.
  • Apesar do otimismo, empresas do setor podem desistir de manter embarcações posicionadas na área caso as negociações não avancem.

Navio petroleiro da Frontline

O tráfego comercial de navios pelo Estreito de Ormuz deve aumentar rapidamente caso Estados Unidos e Irã alcancem um acordo estável que melhore a segurança da rota marítima estratégica, afirmou à CNBC Lars Barstad, CEO da empresa de transporte de petróleo Frontline.

Estou bastante otimista de que, no momento em que a situação mudar e os Estados Unidos e o Irã encontrarem algum tipo de acordo, ao menos para não atacar a navegação, esses trânsitos serão retomados muito rapidamente”, disse Barstad em entrevista nesta semana.

Com sede em Chipre, a Frontline opera uma frota de 80 embarcações que transportam petróleo bruto e derivados ao redor do mundo. Segundo o executivo, cinco petroleiros da companhia permanecem retidos no Golfo Pérsico devido ao fechamento de Ormuz.

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Retomada gradual

Barstad afirmou que o fluxo de embarcações não deve retornar imediatamente aos níveis observados antes da guerra, quando entre 130 e 140 navios cruzavam diariamente o estreito.

No entanto, um acordo considerado confiável entre Washington e Teerã poderia elevar significativamente o movimento atual, que gira em torno de apenas cinco a dez navios por dia.

Segundo o executivo, algumas empresas de navegação posicionaram petroleiros próximos à região para aproveitar uma eventual reabertura de Ormuz. A Frontline, porém, optou por não adotar essa estratégia.

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Alguns participantes estão se posicionando de forma puramente comercial para tentar aproveitar um cenário de reabertura”, afirmou. “Manter um navio na região é como possuir uma opção de compra sobre algo que pode acontecer.

Apesar disso, Barstad destacou que ainda não há garantias de que um acordo será alcançado. A situação permanece instável, especialmente após o presidente Donald Trump ameaçar bombardear o Irã e posteriormente suspender a operação alegando que negociações estavam em andamento.

Toda semana chegamos ao fim de semana muito próximos de uma solução e toda segunda-feira acabamos decepcionados”, afirmou.

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Segundo ele, as empresas de navegação podem perder a paciência caso a expectativa de reabertura não se concretize e acabar deslocando suas embarcações para outras regiões.

Petróleo represado

De acordo com Barstad, cerca de 10% dos maiores petroleiros do mundo, conhecidos como Very Large Crude Carriers (VLCCs), permanecem atualmente retidos no Golfo carregados com petróleo.

Cada uma dessas embarcações pode transportar cerca de 2 milhões de barris, e serão as primeiras a deixar a região quando houver uma abertura da rota.

O executivo afirmou que os países do Golfo estão ansiosos para retomar as exportações porque seus estoques estão elevados e a interrupção em Ormuz tem provocado perdas significativas de receita.

Vamos ver uma grande quantidade de petróleo voltar para o mercado marítimo”, disse.

Ele ressaltou, porém, que haverá desafios logísticos para ampliar rapidamente os embarques. Grande parte da frota global foi deslocada para outras regiões produtoras, como a costa do Golfo dos Estados Unidos, durante o fechamento de Ormuz.

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Mesmo assim, Barstad acredita que as tarifas de frete deverão subir o suficiente para atrair novamente os navios para o Oriente Médio.

Produção pode não voltar ao nível anterior

Segundo o executivo, os exportadores da região talvez não consigam recuperar rapidamente os níveis de produção observados antes da guerra.

Ele afirmou que alguns poços de petróleo fechados durante o conflito podem ter sofrido danos permanentes devido à perda de pressão e à contaminação por água.

Não acredito que conseguiremos voltar ao mesmo volume de petróleo produzido no Oriente Médio antes do fechamento”, disse.

Nível de ameaça

Barstad afirmou que muitas empresas de navegação aguardam apenas uma redução do nível de risco para voltar a operar normalmente em Ormuz.

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O Joint Maritime Information Center (JMIC) alertou recentemente que a ameaça à navegação na região permanecia em nível “crítico” devido ao risco elevado de ataques ou erros de cálculo militar.

Isso significa que você deve esperar ser atingido por alguma coisa caso atravesse a região. É praticamente o nível máximo de risco”, afirmou.

No dia 7 de junho, o JMIC reduziu a classificação de risco de “crítico” para “severo”, o segundo nível mais alto, após uma série de travessias seguras pela rota ao sul da costa de Omã. Ainda assim, a organização alertou para a permanência de um risco elevado de ataques.

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Quando alguns desses sinais vermelhos passarem para laranja ou amarelo, veremos rapidamente armadores voltando a cruzar o Estreito de Ormuz”, disse o CEO da Frontline.

Taxas de passagem

O tráfego pela região já começou a aumentar. Segundo Donald Trump, a Marinha dos Estados Unidos ajudou secretamente mais de 200 navios comerciais e mais de 100 milhões de barris de petróleo a atravessar Ormuz no último mês.

Barstad afirmou que cerca de metade das embarcações que cruzam atualmente o estreito utilizam a rota definida pelo Irã, enquanto o restante navega pela passagem ao sul, próxima à costa de Omã.

Irã e Omã discutem a possibilidade de criar tarifas de trânsito quando Ormuz for reaberto. A proposta enfrenta oposição da administração Trump, que inclusive sancionou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico.

Segundo Barstad, a indústria de navegação não vê com bons olhos a cobrança de taxas, mas poderá se adaptar caso o mecanismo faça parte de um eventual acordo entre Estados Unidos e Irã.

No fim das contas, quem paga essa conta é o consumidor”, afirmou.

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