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Inspeções nucleares seguem como ponto sensível nas negociações entre EUA e Irã; entenda
Publicado 24/06/2026 • 13:40 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/06/2026 • 13:40 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
As inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) permanecem como um dos principais temas de divergência nas negociações entre Estados Unidos e Irã, mas não devem impedir um acordo entre as partes, segundo o professor de Relações Internacionais da PUC Minas, Danny Zahreddine. Para ele, a falta de confiança mútua dificulta os avanços, embora exista interesse dos dois lados em evitar uma nova escalada militar.
Segundo Zahreddine, o tema das inspeções já fazia parte do acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama e posteriormente abandonado pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump. Agora, voltou ao centro das discussões dentro de um período de negociações previsto para durar 60 dias.
“Na questão nuclear, todo ponto de discussão entre Irã e Estados Unidos vai ser um ponto de disputa, porque tem muita coisa em jogo do ponto de vista político nos Estados Unidos e também do ponto de vista doméstico no Irã”, destacou durante entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (24).
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O professor observou que o governo iraniano já sinalizou disposição para receber inspetores internacionais, mas resiste a permitir acesso irrestrito a instalações estratégicas que foram alvo de ataques recentes. “Isso não significa que não existirá avanço. Vai existir avanço, mas os iranianos vão cobrar um preço alto por isso também”, afirmou.
Para Zahreddine, a principal dificuldade das negociações está na deterioração da confiança entre os dois países ao longo dos últimos anos.
Ele lembrou que as inspeções previstas pelos acordos nucleares incluem mecanismos rigorosos, como visitas surpresa e avisos com poucas horas de antecedência, justamente para impedir irregularidades relacionadas ao enriquecimento de urânio.
“Esse é um ponto de divergência, mas não vejo como um ponto intransponível, porque isso já existiu anteriormente. O problema é que hoje alcançar esses consensos é muito mais difícil do que era há dez anos”, avaliou.
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Segundo o especialista, o tema envolve simultaneamente questões de segurança nacional para o Irã e interesses políticos internos para o governo Trump, tornando as negociações mais delicadas.
Zahreddine também comentou as declarações contraditórias feitas por autoridades dos dois países sobre o andamento das conversas.
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Siga o Times | CNBCPara ele, parte dessas manifestações faz parte de uma estratégia voltada aos públicos domésticos de cada nação, enquanto as negociações reais continuam ocorrendo nos bastidores. “Donald Trump faz uma política muito performática e propagandística. Para a diplomacia, isso é terrível, porque cada palavra tem impacto nas negociações”, observou.
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Ao mesmo tempo, ele destacou que o governo iraniano também busca demonstrar autonomia diante da própria população ao rejeitar publicamente algumas das demandas americanas.
Apesar disso, Zahreddine afirmou que há um esforço diplomático consistente para construir uma saída negociada.
“Por trás das cortinas existe um corpo técnico americano e iraniano trabalhando para avançar. Existe um interesse mútuo, comercial, econômico e de segurança para que essa guerra não aconteça novamente”, ressaltou.
O professor lembrou que as inspeções internacionais fazem parte do funcionamento normal do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), do qual o Irã é signatário, assim como o Brasil.
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Segundo ele, os países podem impor restrições em áreas consideradas estratégicas, mas o monitoramento internacional é um instrumento previsto pelas regras globais de controle nuclear.
“As inspeções precisam acontecer. O enriquecimento de urânio para fins pacíficos é permitido. O objetivo é garantir que esse processo não seja desviado para atividades militares”, explicou.
Para Zahreddine, os próximos dois meses serão decisivos para definir não apenas o futuro do programa nuclear iraniano, mas também temas ligados à segurança regional, como a situação no Líbano e a navegação no Estreito de Ormuz.
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