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O avanço da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã começa a elevar o risco de um novo choque do petróleo, com possíveis efeitos relevantes sobre a economia global. Analistas e executivos do setor avaliam que as próximas semanas serão decisivas, especialmente se não houver a reabertura do Estreito de Ormuz em curto prazo.

CNBCChoque do petróleo ganha força com guerra; reabertura do Estreito de Ormuz até meados de abril é vista como decisiva

Conflito no Oriente Médio

EUA enfrentam impasse estratégico na guerra com o Irã; falta de objetivo claro dificulta negociações, diz especialista

Publicado 28/03/2026 • 13:54 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Professor avalia que conflito foi mal planejado e sem definição clara de objetivo político.
  • Irã usa Estreito de Ormuz como principal ferramenta de pressão, elevando custo da guerra.
  • Expectativa de prazo para fim do conflito é vista como “ilusão” comum entre grandes potências.

A atuação dos Estados Unidos na guerra com o Irã revela falta de planejamento estratégico e indefinição de objetivos políticos, o que dificulta tanto o avanço militar quanto as negociações para encerrar o conflito, avalia o professor doutor de Relações Internacionais Carlos Poggio.

Segundo o especialista, a condução do conflito pela administração de Donald Trump expõe inconsistências desde o início. “Foi uma guerra sem consulta aos aliados e mal explicada tanto para parceiros quanto para a própria população americana”, afirmou, em entrevista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Ele destaca ainda que, ao mesmo tempo em que cobra apoio, Washington vinha deteriorando relações diplomáticas, o que ajuda a explicar a baixa adesão internacional à estratégia americana.

Poggio aponta que a ausência de um objetivo político claro compromete a coerência das ações. “A guerra não é um fim em si mesmo. Ela precisa ter um objetivo político definido – e isso não está claro até agora”, disse. Para ele, o cenário atual reflete uma condução errática: “O que vemos é uma diplomacia de barata tonta, que vai para um lado e para outro sem direção definida”.

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Na avaliação do professor, os EUA também foram surpreendidos por respostas previsíveis do Irã, como ataques a países do Golfo e ameaças ao Estreito de Ormuz. “Era esperado que o Irã recorresse a estratégias assimétricas para tornar a guerra mais cara para os Estados Unidos”, explicou.

O estreito, por onde passa uma parcela significativa do petróleo global, tornou-se um dos principais instrumentos de pressão de Teerã. “Dificultar a passagem por Ormuz é relativamente barato para o Irã, mas extremamente caro para quem precisa garantir a segurança da rota”, afirmou Poggio, ressaltando que a tensão no local pode atrair outras potências para o conflito, dada a relevância energética da região.

O impacto econômico também pesa sobre os próprios Estados Unidos. Segundo o especialista, a guerra já resultou em alta nos preços da gasolina e em um cenário em que o Irã, paradoxalmente, pode estar exportando mais petróleo e a preços maiores, ampliando sua receita. Isso cria pressão política interna sobre o governo americano, que agora demonstra maior urgência em encerrar o conflito.

Para Poggio, a expectativa de um prazo curto para o fim da guerra, como sugerido por autoridades americanas, é irrealista. “A ideia de que uma potência pode determinar quando uma guerra vai terminar é uma ilusão histórica”, afirmou, citando exemplos como Vietnã e a guerra da Rússia na Ucrânia.

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Ele avalia que os EUA podem estar entrando em uma dinâmica de escalada progressiva, ampliando gradualmente seus objetivos e envolvimento militar. O envio de tropas adicionais e a possibilidade de operações terrestres indicam, segundo ele, que o conflito pode estar fugindo do controle inicial planejado.

Existe uma armadilha da arrogância: acreditar que, por ser mais forte, será possível resolver rapidamente a situação – e não antecipar as reações do adversário”, disse. Para o professor, a introdução de forças terrestres seria um sinal claro de que a guerra tomou um rumo diferente do previsto.

Poggio também questiona a eficácia de estratégias baseadas apenas em bombardeios. “Você não muda um regime apenas com ataques aéreos. A ideia de que a população vai se insurgir contra um governo armado não costuma se concretizar”, afirmou.

Diante desse cenário, ele conclui que a guerra caminha para um ponto de maior imprevisibilidade, com riscos de ampliação do conflito. “As declarações de controle feitas por autoridades refletem mais uma tentativa de demonstrar segurança do que a realidade no campo de batalha”, disse.

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