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Exclusivo: Conflito no Irã ameaça turismo global avaliado em US$ 11,7 trilhões e afeta milhões de viajantes
Publicado 05/03/2026 • 11:07 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 05/03/2026 • 11:07 | Atualizado há 2 horas
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Montagem Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC
Zoey Gong, terapeuta chinesa especializada em alimentação baseada na medicina tradicional, estava a poucos dias de embarcar em um voo da Emirates de Paris para Xangai, com conexão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no sábado.
Gong, de 30 anos, teve seus planos de viagem interrompidos e disse à CNBC que precisou pagar US$ 1.600 para chegar a Xangai, mais que o dobro do valor da passagem original.
>> Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra no Oriente Médio
Ela é uma entre milhões de viajantes afetados por guerras e outros conflitos, do Irã ao México, neste ano. Esses problemas ameaçam a indústria global do turismo, avaliada em cerca de US$ 11,7 trilhões para a economia mundial, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês).
O cenário mostra que mesmo pessoas distantes de mísseis, ataques de drones e outros focos geopolíticos não estão imunes aos efeitos indiretos.
O ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã desencadeou uma crise de grandes proporções na aviação, nas viagens e na segurança.
Mais de um milhão de pessoas em todo o mundo ficaram retidas devido ao fechamento de espaços aéreos, o que deixou mais de 20 mil voos em solo desde sábado, segundo a empresa de dados de aviação Cirium. Alguns viajantes também ficaram presos em navios de cruzeiro.
As buscas por seguros de viagem mais caros do tipo “cancelamento por qualquer motivo” dispararam 18 vezes nesta semana, disse Chrissy Valdez, diretora sênior de operações da Squaremouth, um marketplace online de seguros.
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Desde sábado, o Irã lançou ataques de retaliação contra os Emirados Árabes Unidos, onde fica o Aeroporto Internacional de Dubai, o mais movimentado do mundo em tráfego internacional de passageiros, segundo o Airports Council International — além de Catar, Jordânia, Israel e Chipre. Os ataques de ambos os lados deixaram companhias aéreas com poucas alternativas para repatriar viajantes.
Dias após o ataque, o Departamento de Estado dos Estados Unidos orientou cidadãos americanos em grande parte da região a deixar o local imediatamente, apesar das poucas opções disponíveis. O governo informou que está organizando voos fretados para cidadãos que desejam retornar da Arábia Saudita, Israel, Emirados Árabes Unidos e Catar.
“Isso se transformou em um verdadeiro atoleiro na aviação”, disse Henry Harteveldt, ex-executivo do setor aéreo e fundador da consultoria de viagens Atmosphere Research Group.
Outros segmentos da indústria de viagens também lidam com os impactos da guerra. Destroços caíram perto do hotel Fairmont The Palm, da rede Accor, em Dubai, no fim de semana. A empresa informou que quatro pessoas ficaram feridas, mas nenhuma era hóspede, visitante ou funcionário.
Enquanto isso, o icônico hotel Burj Al Arab registrou um incêndio no início da semana após ser atingido por destroços de um drone iraniano.
O navio MSC Euribia, da MSC Cruises, com mais de 6.300 passageiros, ficou retido em Dubai, e a companhia tenta conseguir voos para os hóspedes afetados. “Estamos solicitando prioridade para nossos hóspedes junto aos nossos parceiros”, informou a empresa em comunicado.
“Para acelerar a repatriação, estamos trabalhando em outras opções, como fretar voos” a partir de Dubai, Abu Dhabi (nos Emirados Árabes Unidos) ou Mascate, em Omã, acrescentou a empresa, afirmando que a situação a bordo “permanece calma”.
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No início da semana, a MSC também anunciou o cancelamento das viagens restantes com saída de Dubai durante o inverno. “Entendemos que isso será decepcionante, mas temos certeza de que os hóspedes afetados compreenderão a decisão”, disse a companhia.
Deixando de lado a crise sanitária da Covid-19, que praticamente paralisou as viagens internacionais, Harteveldt afirmou que esta semana representa “o evento mais caótico que vimos desde o 11 de Setembro, quando os Estados Unidos decidiram fechar seu espaço aéreo”. “Não vimos nada com impacto tão prolongado e geograficamente amplo sobre as viagens”, disse.
A guerra com o Irã é o conflito militar mais grave deste ano, mas faz parte de uma série de obstáculos que ameaçam a demanda por viagens e os lucros de hotéis, companhias aéreas e empresas de cruzeiros, além das economias locais que dependem fortemente do turismo, especialmente do turista internacional, que costuma gastar mais do que visitantes domésticos.
Três dias após o início de 2026, os Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram o presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. A ofensiva levou os EUA a fechar o espaço aéreo em toda a região do Caribe, deixando viajantes retidos, muitos deles em resorts caros e imóveis alugados para as festas de fim de ano.
Em fevereiro, voos também foram suspensos em partes do México, incluindo a cidade turística costeira de Puerto Vallarta e Guadalajara, após episódios de violência que se seguiram à morte de um líder de cartel pelo Exército mexicano.
Executivos do setor já tiveram de adotar mudanças custosas: redirecionar ou cancelar cruzeiros, oferecer políticas mais flexíveis de reservas e reembolsos, manter aviões em solo, alterar rotas de voo ou reduzir preços de diárias em hotéis.
O custo desses conflitos ainda está sendo calculado. Entre os fatores afetados está o combustível — um dos maiores gastos para companhias aéreas e de cruzeiro, ao lado da mão de obra. Esses custos costumam ser repassados aos consumidores, o que pode resultar em passagens e hospedagens mais caras.
A companhia aérea australiana Qantas, por exemplo, disse à CNBC que seu voo entre Perth, na Austrália, e Londres agora seguirá uma rota que exige parada para reabastecimento em Singapura, o que também permitirá embarcar cerca de 60 passageiros adicionais.
Executivos do setor de viagens começaram 2026 com otimismo, como costuma ocorrer. Alguns dirigentes de companhias aéreas, incluindo as das empresas mais lucrativas dos Estados Unidos, Delta Air Lines e United Airlines, projetavam lucros recordes neste ano.
A guerra e outros incidentes ocorreram justamente no momento em que a indústria de viagens vinha apostando em opções premium para atrair clientes de maior renda, que representam uma parcela maior do gasto total. A perda dessa base de consumidores em viagens mais caras pode ser particularmente prejudicial para empresas do setor e para economias locais.
No México, por exemplo, o turismo representa cerca de 9% da economia. As chegadas de turistas internacionais cresceram 13,6% no ano passado, alcançando 98,2 milhões de pessoas, que gastaram quase US$ 35 bilhões, segundo o Ministério do Turismo do país.
Agora, companhias aéreas estão reduzindo voos para Puerto Vallarta, ao menos no curto prazo, especialmente a partir dos Estados Unidos. A Delta cortou rotas entre 3 de abril e o fim do mês para a cidade, mantendo apenas um voo diário saindo de Los Angeles e Atlanta, segundo a newsletter Cranky Network Weekly, especializada em mudanças nas malhas aéreas.
Alaska Airlines e Southwest Airlines também reduziram operações em março.
“Talvez as pessoas esqueçam as preocupações com o PVR [Aeroporto Internacional de Puerto Vallarta] agora que as manchetes devem se voltar ao Oriente Médio e as reservas se recuperem, mas continuaremos observando mudanças de capacidade como indicadores antecipados”, escreveram Brett Snyder e Courtney Miller, autores da newsletter, na edição de 1º de março.
Os problemas recentes também ocorrem três meses antes da Copa do Mundo da Fifa, que será sediada por cidades do Canadá, México e Estados Unidos.
Alguns hotéis no México também já começam a perceber mudanças.
Victor Razo, gerente do hotel Rivera del Rio, em Puerto Vallarta, disse à CNBC que as reservas estão cerca de 10% menores em relação ao ano passado.
“Tivemos que lançar algumas promoções por causa do que aconteceu”, afirmou. Segundo ele, as tarifas caíram entre 10% e 20% antes do período de alta demanda do spring break e da Semana Santa, no próximo mês.
Ele acrescentou que o hotel não fica próximo das áreas afetadas pelos problemas — que incluíram bloqueios de estradas — e que as reservas já voltaram a se estabilizar.
“Não é como no início da pandemia”, disse. “Não há comparação.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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