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Maria Corina Machado causa incredulidade na Noruega após dar medalha do Nobel a Trump

Publicado 16/01/2026 • 13:32 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • Entrega da medalha do Nobel da Paz por María Corina Machado a Donald Trump gera críticas na Noruega
  • Comitê Nobel afirma que prêmio da paz não pode ser transferido mesmo com mudança de posse da medalha
  • Parlamentares noruegueses classificam gesto de Machado como inédito e prejudicial ao Nobel

A decisão da líder da oposição venezuelana María Corina Machado de entregar a medalha de seu Nobel Peace Prize ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou forte reação política e acadêmica na Noruega, país responsável pela concessão do prêmio.

“É algo completamente inédito”, afirmou Janne Haaland Matlary, professora de política internacional da Universidade de Oslo e ex-secretária de Estado do Ministério das Relações Exteriores, em entrevista à emissora pública NRK. Para ela, o gesto é “desrespeitoso” e “enfraquece o valor simbólico” do Nobel da Paz.

Leia também: María Corina diz ter presenteado Trump com a medalha do Nobel da Paz

Críticas no Parlamento norueguês

O deputado Raymond Johansen, do Partido Trabalhista, classificou a atitude como “extremamente constrangedora” e prejudicial à reputação de um dos prêmios mais respeitados do mundo. A avaliação foi compartilhada em redes sociais e repercutiu entre parlamentares de diferentes espectros políticos.

Trygve Slagsvold Vedum, líder do Partido do Centro, também criticou o episódio. Para ele, o fato de Trump aceitar a medalha “diz muito sobre seu perfil político”, ao sugerir que o presidente se apropriaria de reconhecimentos concedidos a terceiros.

Comitê Nobel reforça regras do prêmio

Diante da repercussão, o Norwegian Nobel Committee e o Norwegian Nobel Institute reiteraram que o Nobel da Paz é pessoal e intransferível. Em nota anterior, as instituições já haviam esclarecido que, uma vez anunciado, o prêmio “não pode ser revogado, compartilhado ou transferido”.

O Centro Nobel da Paz, museu dedicado ao prêmio em Oslo, publicou que “a medalha pode mudar de dono, mas o título de laureado não”.

Encontro na Casa Branca e justificativa de Machado

Machado se reuniu com Trump na Casa Branca e afirmou que a entrega da medalha foi uma “expressão profunda de gratidão” pelo apoio do presidente norte-americano e dos Estados Unidos ao povo venezuelano. O gesto ocorreu após uma operação militar dos EUA que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.

Trump agradeceu publicamente e descreveu o ato como “um gesto maravilhoso de respeito mútuo”. A Casa Branca chegou a divulgar uma foto em que o presidente aparece segurando a medalha emoldurada.

Divergências políticas e defesa do título

Apesar das críticas, líderes de partidos de centro-direita na Noruega minimizaram o impacto simbólico do gesto. Dag-Inge Ulstein, do Partido Democrata Cristão, afirmou que “não há qualquer dúvida” de que o Nobel da Paz continua pertencendo a Machado. Ine Eriksen Søreide, ex-ministra da Defesa, reforçou que receber a medalha não equivale a receber o prêmio.

O episódio reabre o debate sobre a politização do Nobel da Paz. Em ocasiões anteriores, aliados de Trump criticaram o Comitê Nobel por “priorizar política em detrimento da paz” ao conceder o prêmio à líder venezuelana.

Corina diz esperar ‘a hora certa’ para concorrer à Presidência da Venezuela

Corina Machado disse que irá esperar “a hora certa” para concorrer ao cargo de presidente da Venezuela. A declaração foi feita em entrevista à rede Fox News nesta sexta-feira (16).

“Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente”, afirmou na entrevista, gravada após seu encontro com Trump.

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A atual líder do país, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina após a captura e deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro.

Nem Machado nem a oposição venezuelana reconhecem os resultados das eleições de julho de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito. Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países latino-americanos também não reconheceram Maduro como o líder democraticamente eleito da Venezuela.

Trump, no entanto, descartou, por ora, pressionar por uma mudança de regime no país sul-americano e já manteve pelo menos uma conversa por telefone com Rodríguez, com quem está disposto a fortalecer os laços.

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