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Cuba cancela festival de charutos em meio à crise energética e impacto no turismo
Publicado 14/02/2026 • 15:23 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 14/02/2026 • 15:23 | Atualizado há 3 meses
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Reprodução
O governo de Cuba anunciou neste sábado (14) o adiamento do tradicional Festival del Habano, um dos eventos mais importantes da economia da ilha, em meio a uma crise energética que já afeta o turismo, o comércio e o cotidiano da população.
A decisão foi comunicada por e-mail aos participantes, sem definição de nova data. Previsto para acontecer entre 24 e 27 de fevereiro, o evento reúne compradores de alto padrão e movimenta milhões de euros todos os anos.
O cancelamento expõe um problema maior. A falta de energia e combustível deixou de ser pontual e passou a atingir diretamente setores estratégicos da economia cubana.
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O Festival del Habano vai muito além de uma feira. Ele funciona como vitrine internacional de um dos produtos mais icônicos de Cuba: os charutos premium.
Em 2025, o leilão de caixas e itens exclusivos arrecadou cerca de 16,4 milhões de euros, recursos que oficialmente são destinados ao sistema de saúde do país.
Em um cenário de escassez de divisas, esse tipo de evento se tornou essencial. Os charutos são uma das principais exportações de luxo de Cuba, com forte demanda principalmente na Europa.
Sem o festival, o país perde não apenas visibilidade global, mas também uma importante fonte de receita em moeda forte.
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A suspensão do evento acontece em meio a uma das maiores crises energéticas da história recente da ilha.
Cuba enfrenta falta de combustível para abastecer suas usinas térmicas, o que tem provocado apagões frequentes, que chegam a ultrapassar 20 horas por dia em algumas regiões.
O problema se intensificou após a interrupção do envio de petróleo da Venezuela e do México, dois dos principais fornecedores da ilha, sob pressão dos Estados Unidos.
Além disso, o governo americano tem ameaçado impor tarifas a países que exportem petróleo para Cuba, aumentando o isolamento energético do país.
Para conter a crise, o governo cubano adotou medidas emergenciais como redução da jornada de trabalho, cortes no transporte público e limitação no consumo de combustíveis.
A crise energética já começa a afetar diretamente o turismo, uma das principais fontes de renda do país.
Companhias aéreas têm reduzido voos para a ilha por falta de combustível, enquanto governos estrangeiros recomendam cautela a viajantes, alertando para o risco de ficarem presos no país.
Além disso, hotéis e serviços turísticos vêm sendo afetados por restrições de energia, reduzindo a capacidade de operação.
O adiamento do Festival del Habano reforça esse cenário. Eventos internacionais, que antes ajudavam a sustentar a economia, agora entram na lista de atividades comprometidas pela crise.
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Cuba precisa de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia para sustentar sua economia. A produção interna gira em torno de 40 mil barris, o que torna o país altamente dependente de importações.
Com a queda no fornecimento externo e a falta de recursos para comprar no mercado internacional, o déficit energético se tornou inevitável.
Especialistas apontam que uma redução de cerca de 30% na disponibilidade de combustível pode gerar uma contração significativa do PIB, além de pressionar preços de alimentos, transporte e consumo das famílias.
O governo cubano atribui parte da crise ao endurecimento do embargo econômico dos Estados Unidos, que, segundo Havana, tenta forçar mudanças políticas na ilha.
Já Washington afirma que as medidas buscam pressionar o regime a promover reformas.
No meio desse impasse, a economia cubana enfrenta um cenário cada vez mais desafiador, com escassez de energia, redução da atividade econômica e perda de receitas estratégicas.
O cancelamento de um evento de luxo como o Festival del Habano mostra que a crise deixou de ser apenas estrutural e passou a afetar diretamente o fluxo de caixa do país.
Em um mercado onde experiências, turismo e exportações premium são fundamentais, a falta de energia se transforma em um risco econômico de escala.
E, sem uma solução rápida para o abastecimento de combustível, o impacto tende a se aprofundar nos próximos meses.
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