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Brasil pode exportar inteligência artificial em setores estratégicos, diz CEO do Templo

Publicado 03/07/2026 • 14:30 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • O Brasil tem potencial para deixar de ser apenas consumidor e se tornar exportador de soluções de inteligência artificial em áreas nas quais já possui vantagens competitivas.
  • Empresas precisam tratar a IA como estratégia de transformação do negócio, e não apenas como adoção de tecnologia.
  • Segundo o Templo, a inteligência artificial deve provocar um desemprego temporário, exigindo qualificação e adaptação da força de trabalho.

O Brasil tem condições de se tornar exportador de soluções de inteligência artificial em setores estratégicos, mesmo sem desenvolver os grandes modelos de linguagem que dominam o mercado global, afirmou Herman Bessler, CEO do Templo, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (3). Segundo ele, o diferencial brasileiro está na aplicação da tecnologia em segmentos como agronegócio, finanças e saúde.

Não vale a pena criar grandes modelos de linguagem, mas temos uma oportunidade enorme em áreas onde já somos competitivos“, afirmou. “Quando falamos de tecnologia financeira, agro e saúde, temos diferenciais significativos para sermos exportadores de IA, e não apenas consumidores.”

Fundado em 2011, o Templo nasceu com foco em transformação organizacional e, ao longo dos últimos anos, ampliou sua atuação para apoiar empresas na adoção da inteligência artificial. Segundo Bessler, a companhia já trabalhou com mais de 150 grandes empresas em projetos que envolvem estratégia, educação corporativa e tecnologia.

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Transformação antes da tecnologia

Na avaliação de Bessler, um dos principais erros das empresas é enxergar a inteligência artificial apenas como uma questão tecnológica.

Ele explicou que a adoção da IA exige mudanças na cultura organizacional e na forma de trabalhar, e não apenas a contratação de novas ferramentas. “Tecnologia é um meio para otimizar a estratégia de negócio, não o contrário“, afirmou. “O que muda uma organização é um movimento, e não uma ordem.”

Segundo o executivo, muitas empresas chegam ao Templo sabendo que precisam utilizar inteligência artificial, mas sem clareza sobre como implementar a transformação ou identificar onde a tecnologia realmente gera valor.

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Nesse contexto, a empresa utiliza agentes de IA para mapear processos, entrevistar colaboradores e construir estratégias de automação em larga escala.

Agentes inteligentes

O Templo lançou recentemente o Orquestra, plataforma que substitui o antigo sistema ClassPlay e funciona como um orquestrador de agentes de inteligência artificial.

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Segundo Bessler, a ferramenta executa tarefas automaticamente, aprende com as operações realizadas e registra os processos internos da empresa para aprimorar continuamente sua atuação. “Ele mesmo escolhe os agentes e executa rotinas que você autorizou. Aprende ao longo do tempo e melhora continuamente os processos“, explicou.

Para o executivo, esse modelo representa um novo estágio da automação corporativa ao integrar diferentes agentes inteligentes em uma única estrutura operacional.

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Mercado de trabalho

Bessler acredita que a inteligência artificial substituirá diversas funções, mas avalia que o principal desafio será o período de transição entre a eliminação de alguns postos e a criação de novas ocupações.

Na avaliação dele, esse processo tende a provocar um desemprego friccional, que poderá ser mitigado por políticas públicas voltadas à qualificação profissional e à adaptação da força de trabalho. “A questão não é se a IA vai destruir mais empregos do que criar, mas em quanto tempo isso vai acontecer“, afirmou.

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Ele observou que profissionais em início de carreira já começam a ser substituídos em algumas funções, o que pode dificultar, no futuro, a formação de profissionais mais experientes.

Por isso, defendeu que trabalhadores desenvolvam competências tipicamente humanas, como pensamento crítico, criatividade, colaboração e capacidade empreendedora. “As pessoas precisam aprender aquilo que continuará sendo essencialmente humano“, concluiu.

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