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Departamento do Trabalho dos EUA é criticado por post com referências a slogans nazistas

Publicado 16/01/2026 • 19:48 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Um post polêmico nas redes sociais do DOL americano jogou gasolina em acusações extremistas já acesas em relação a administração de Trump.
  • Usuários das redes sociais rapidamente notaram semelhanças (em palavras, forma e sentimento) entre o post do Departamento do Trabalho e um slogan usado pelo Partido Nazista.

Kevin Carter | Getty Images

Um post polêmico nas redes sociais do Departamento do Trabalho americano jogou gasolina em acusações já acesas de que a administração Trump estaria amplificando retórica e imagens ligadas a ideologias de extrema-direita.

O vídeo no post, compartilhado no sábado, apresenta um slideshow rápido de obras de arte mostrando cenas glorificadas da história americana, com destaque para uma estátua de George Washington.

A legenda acima do vídeo dizia: “Uma Pátria. Um Povo. Uma Herança. Lembre-se de quem você é, americano.”

Usuários das redes sociais rapidamente notaram semelhanças (em palavras, forma e sentimento) entre o post do Departamento do Trabalho e um slogan usado pelo Partido Nazista.

“Governo dos EUA postando uma versão de ‘Ein Volk, ein Reich, ein Führer’”, disse Terry Virts, ex-astronauta da NASA e atual candidato democrata ao Congresso, em um post no X. “Não vejo como isso poderia terminar bem.”

O slogan “Ein Volk, ein Reich, ein Führer” se traduz como “Um Povo, Um País, Um Líder.” Foi “um dos slogans centrais usados por Hitler e pelo Partido Nazista”, segundo o United States Holocaust Memorial Museum.

As duas mensagens não correspondem palavra por palavra, com certeza. Mas, enquanto especialistas alertam para não tirar conclusões precipitadas, muitos veem inúmeros outros exemplos da administração Trump (incluindo o Departamento do Trabalho) ecoando linguagem, ideias ou estéticas de supremacia branca online.

Bill Braniff, diretor-executivo do Polarization & Extremism Research & Innovation Lab da American University, disse acreditar que, “quando você olha para esse post no contexto de todos os outros, não é um acidente.”

Mesmo à primeira vista, o post levanta sinais de alerta, disse Braniff em entrevista. A afirmação de que os americanos têm “uma herança” conflita, por exemplo, com a história do país de receber pessoas de todo o mundo e estabelece a ideia de um “grupo interno” e um “grupo externo.”

Jon Lewis, pesquisador do Program on Extremism da George Washington University, concordou.

“Você não quer tentar ler nas entrelinhas algo que talvez não esteja lá”, disse à CNBC. Mas “em certo ponto, você precisa se perguntar quantas vezes algo precisa acontecer até que não seja mais coincidência.”

“Em certo ponto, você nem pode mais chamar de ‘dog whistle’ (mensagem velada para extremistas), é apenas um apito”, acrescentou Lewis em e-mail. “Quantas vezes contas oficiais [do governo dos EUA] vão postar conteúdo abertamente supremacistas sem qualquer consequência?”

O Departamento do Trabalho, liderado pela secretária Lori Chavez-DeRemer, não respondeu ao pedido de comentário da CNBC. Um porta-voz do departamento disse anteriormente: “A campanha nas redes sociais foi criada para celebrar os trabalhadores americanos e o Sonho Americano.”

Esse comentário foi dado em resposta a uma reportagem do The Guardian sobre líderes sindicais denunciando o DOL pelo post.

“Não é surpresa que um regime fascista postaria propaganda fascista em uma rede social fascista como o X, mas continua preocupante ver o DOL fazendo posts que servem a uma agenda fascista e supremacista branca”, disse Puneet Maharaj, diretor-executivo do National Nurses United, o maior sindicato de enfermeiros do país.

Uma trilha de acusações

O post do Departamento do Trabalho não é a primeira vez que a administração Trump foi acusada de espalhar propaganda de extrema-direita ou nacionalista branca por meio de redes sociais. Mas nas últimas semanas, o governo parece ter reforçado algumas das mesmas mensagens controversas.

Na quarta-feira, antes de conversas diplomáticas sobre os esforços cada vez mais agressivos do presidente Donald Trump para adquirir a Groenlândia, a Casa Branca compartilhou um possível cartoon gerado por IA mostrando dois trenós de cães em uma encruzilhada, com um caminho levando aos EUA e outro levando à Rússia e à China.

“Qual caminho, homem da Groenlândia?”, dizia o texto acima da imagem, postada na conta oficial da Casa Branca no X.

Críticos acusaram a conta de ecoar “Which Way Western Man?”, título de um livro de 1978 que defendia Hitler e promovia uma visão nacionalista branca e antissemita. O livro foi escrito por William Gayley Simpson, suposto membro do grupo neonazista National Alliance.

A frase, nos últimos anos, ganhou popularidade entre a extrema-direita. Tem sido usada em memes em que uma imagem supostamente representando a sociedade moderna é contrastada desfavoravelmente com uma imagem representando a tradição.

O post da Casa Branca não foi a primeira vez que uma versão da frase apareceu em contas oficiais do governo. Cinco meses antes, o Departamento de Segurança Interna (DHS) havia postado uma imagem de recrutamento do ICE com a legenda: “Which way, American man?”

Na época, a subsecretária do DHS, Tricia McLaughlin, chamou de “vergonhosas” as perguntas dos jornalistas sobre o post.

Em resposta a perguntas sobre os posts da Casa Branca e do Departamento do Trabalho, a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, disse à CNBC: “Parece que a grande mídia se tornou um meme de si mesma: o esquerdista enlouquecido que acha que tudo que não gosta é propaganda nazista. Essa linha de ataque é cansativa e entediante. Reaja.”

Em 8 de janeiro, o Departamento do Trabalho postou uma foto de Trump saudando sob as palavras “trust the plan”, frase recorrente entre seguidores da conspiração de extrema-direita QAnon.

Na sexta-feira anterior, contas oficiais do DHS postaram uma imagem de recrutamento do ICE dizendo: “We’ll have our home again” (“Teremos nossa casa novamente”).

Essa frase ecoa o título da música “By God We’ll Have Our Home Again”, cujas letras foram “creditadas a um grupo fraternal neonazista dos EUA”, segundo o Toronto Holocaust Museum’s Hatepedia.

McLaughlin, questionada na CNN sobre o uso da frase pelo DHS, acusou críticos de “fabricarem indignação falsa”.

“Existem muitos poemas, músicas e livros com o mesmo título. E o fato de as pessoas quererem escolher algo ligado à supremacia branca… não é surpresa que estejamos vendo ataques tão extensos e desenfreados contra nossas forças de segurança,” disse ela.

O post do DHS, que também mostrava um stealth bomber e um cowboy a cavalo ao pé de uma montanha nevada, veio dois dias após o agente do ICE Jonathan Ross ter matado Renee Nicole Good durante um confronto em Minneapolis.

O Southern Poverty Law Center disse que a virada da administração para conteúdos alegadamente nacionalistas brancos nas redes sociais do governo pode ter começado em junho passado, quando o DHS compartilhou um cartoon do Tio Sam pedindo aos americanos para “denunciar todos os invasores estrangeiros” ao ICE.

Alguns dos posts mais examinados geraram o maior engajamento online. O post do Departamento do Trabalho do último fim de semana, por exemplo, teve quase 23 milhões de visualizações no X, possivelmente tornando-se o post mais visto da conta.

Mas eles se encaixam em uma estratégia de comunicação mais ampla que frequentemente promove imagens e slogans evocando cartazes clássicos de propaganda de guerra e representações idealizadas da América e da história dos EUA.

O Departamento do Trabalho recentemente passou a compartilhar pinturas históricas com legendas, às vezes, explicitamente cristãs. Também lançou recentemente uma campanha de redes sociais com ilustrações geradas por IA mostrando quase exclusivamente homens brancos.

Em novembro, a família do renomado pintor do século XX Norman Rockwell acusou o DHS de uso indevido da obra de seu ancestral “para a causa de perseguição a comunidades de imigrantes e pessoas de cor”.

Alguns especialistas em extremismo dizem que a mensagem foi muito além de simples dog whistles (mensagens codificadas).

Uma forma de perceber isso, disse Braniff, é que “os próprios neonazistas notaram” e comentam sobre a retórica da administração.

Outros especialistas em extremismo e fascismo também notaram, assim como líderes sindicais que criticaram o Departamento do Trabalho, acrescentou ele.

“Tem a ver tanto com a frequência do conteúdo quanto com o pano de fundo. Parece bastante explícito neste ponto,” disse Braniff.

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