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Petróleo em alta: o que acontece se a Petrobras não aumentar os combustíveis?
Publicado 13/03/2026 • 09:53 | Atualizado há 23 minutos
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Publicado 13/03/2026 • 09:53 | Atualizado há 23 minutos
KEY POINTS
Foto: Reuters
Guerra: O que acontece se a Petrobras não repassar a alta do petróleo aos combustíveis?
A escalada das tensões no Oriente Médio provocou uma forte reação no mercado global de energia, levando o preço do petróleo a ultrapassar US$ 100 por barril. O movimento foi impulsionado pela guerra na região e pelas ameaças de bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.
A falta do produto tem impacto direto sobre os combustíveis, já que o petróleo é a principal matéria-prima para a produção de gasolina, diesel e outros derivados. No Brasil, no entanto, o repasse dessas variações depende da política de preços adotada pela Petrobras, principal produtora e refinadora do país.
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Empresa brasileira e a mais valiosa da América do Sul, a Petrobras tem grande influência sobre os preços dos combustíveis no mercado nacional, pois é responsável por grande parte da produção e do refino de petróleo no país.
A estatal costuma acompanhar as referências internacionais de preços, mas nem sempre repassa de imediato as variações do mercado global para o consumidor final. É nessa situação que a empresa se encontra no momento, as pressões envolvendo a falta do material pressionam a decisão da empresa sobre o preço dos combustíveis.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, explicou que, caso a Petrobras opte por não repassar a alta do petróleo para os combustíveis no Brasil, a decisão pode ter consequências diretas nas finanças da companhia.
“O impacto da Petrobras em não repassar a alta, com certeza, vai queimar a caixa da companhia. Ela vai praticar preços abaixo da paridade e isso vai consumir capital da empresa.”
Ainda segundo Hugo Queiroz, além dos riscos para o caixa da Petrobras, a decisão de não repassar a alta do petróleo também impactaria outras refinarias do mercado, que, sem ajustar os preços, poderiam sofrer alterações diretas nos cronogramas atuais.
“Se os preços não acompanharem a dinâmica do petróleo, refinarias privadas e empresas de trading podem deixar de operar por falta de rentabilidade, o que pode gerar desabastecimento em algumas regiões, já que a Petrobras não tem capacidade para suprir sozinha toda a demanda.”
Assim como vem ocorrendo em diversos países que enfrentam os efeitos da redução no abastecimento de petróleo, o Brasil também pode sentir esses impactos. Com a escassez da commodity e a pressão sobre a principal empresa do setor no país, existe a possibilidade de falta de combustíveis, já que a Petrobras não possui capacidade para atender sozinha toda a demanda nacional.
“Existe, sim, risco de desabastecimento, porque a Petrobras hoje não é a única responsável pela distribuição. Ela tem grande relevância, mas existem players privados no setor de refino e também de trading que abastecem refinarias e distribuidoras”, afirmou Queiroz.
Vale reforçar que, mesmo com o domínio da Petrobras no mercado de petróleo do Brasil, a empresa não é a única que pode sofrer com a falta do repasse; esse movimento também deve afetar outras grandes empresas do ramo nacional.
“A Cosan, a Raízen, a Vibra e a própria Ultrapar, assim como outras empresas menores, também aproveitam oportunidades no mercado externo para garantir o abastecimento interno. Se houver um preço artificialmente mais baixo e a Petrobras mantiver esse valor, pode haver desabastecimento, porque nenhuma empresa vai praticar preços predatórios que destruam rentabilidade, aumentem o risco financeiro e prejudiquem a operação e a sustentabilidade do negócio.”
Além do debate sobre repassar ou manter os preços atuais, a decisão da Petrobras também está ligada ao impacto na inflação do país. Isso porque o governo federal precisa equilibrar dois caminhos: evitar aumentos nos combustíveis, que pesam no bolso do consumidor, ou ajustar os preços de acordo com as variações do mercado internacional de petróleo.
Segundo a avaliação de Lucas Lima, analista-chefe da VG Research, as decisões do governo tendem a considerar principalmente o cenário atual e o impacto no preço final pago pelo consumidor.
“O governo tende a pensar no curto prazo, evitando que o consumidor sofra com inflação dada a alta nos preços dos combustíveis, ainda mais em um ano eleitoral. No entanto, é uma medida que tem um custo no médio prazo, como o desabastecimento, prejuízos à Petrobras (que é estatal e gera receitas fiscais) e distorções no setor privado.”

Ainda na visão do analista, a decisão do governo deve ser tomada pensando em evitar que o consumidor seja o maior afetado pela falta do abastecimento do petróleo, entretanto, essa medida pode ser custosa futuramente.
“No curto prazo, favorece o consumidor via menor inflação, mas prejudica o setor privado, a competitividade e principalmente aumenta a dívida pública por conta dos subsídios fiscais.”
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Embora a redução no abastecimento de petróleo esteja afetando diversos países que não participam diretamente do conflito, como o Brasil, a situação ainda parece distante de uma solução.
Após a nomeação do novo Líder Supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, morto em um ataque conduzido por forças dos Estados Unidos e de Israel, as expectativas de negociações diplomáticas para encerrar o conflito diminuíram consideravelmente, pelo menos neste momento.
Noticiado anteriormente pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, em um de seus primeiros pronunciamentos após assumir o cargo, o novo líder supremo reafirmou a intenção de manter o Estreito de Ormuz fechado. Navios cargueiros que normalmente utilizam a rota relataram ter recebido ameaças diretas das forças iranianas caso a determinação seja desrespeitada.
Com isso, é possível que a escalada da guerra siga aumentando o preço do petróleo e afetando diretamente os valores finais nos combustíveis, além de impactar ainda mais nas decisões das petroleiras nacionais.
“Com petróleo subindo acima de 100 dólares nos próximos meses, o cenário mais provável é reajustes graduais e mínimos na gasolina e diesel para reduzir a defasagem sem choques inflacionários.”
Apesar das incertezas atuais envolvendo o preço do barril de petróleo, a inflação e o possível repasse da alta aos combustíveis, não é a primeira vez que a Petrobras enfrenta um cenário delicado.
Como lembrou o analista-chefe, em 2018 o país também enfrentou um período delicado, marcado por diversas greves relacionadas ao preço dos combustíveis, que provocaram a paralisação de inúmeras entregas em todo o Brasil.
“No passado, já houve cenários em que defasagens de até 30-40% causaram prejuízos enormes à Petrobras, que já sofria com dívida alta. Na época, evitou a inflação no curto prazo, mas levou à greve dos caminhoneiros em 2018, que paralisou o país.”
Ainda que o cenário atual seja diferente do passado, a empresa brasileira continua sob pressão ao tomar uma decisão que pode provocar uma nova onda inflacionária e até estimular possíveis greves no país.
Conforme divulgado pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a Petrobras se tornou, em 2026, a empresa de capital aberto mais valiosa da América do Sul, alcançando um valor de mercado de US$ 100,8 bilhões. Apesar do momento global delicado e dos preços dos barris de petróleo cada vez maiores, o bom momento da estatal brasileira pode ser um fator importante.
“Apesar de semelhanças, olhando especificamente para Petrobras, a posição da companhia hoje é muito mais saudável financeiramente. A empresa vem produzindo em níveis recordes e com a geração de caixa no E&P com petróleo acima de 100 dólares, consegue absorver melhor as perdas no refino, por muito tempo até, sem entrar em crise financeira”, reforçou Lucas Lima.
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Diante desse cenário, a Petrobras terá de equilibrar uma decisão estratégica que envolve impactos econômicos, políticos e sociais. O aumento do petróleo no mercado internacional pressiona por reajustes nos combustíveis, enquanto a manutenção dos preços pode gerar distorções no setor e riscos de abastecimento.
Com o conflito no Oriente Médio ainda sem solução e o barril de petróleo podendo chegar novamente acima de US$ 100, os próximos movimentos da estatal e do governo devem continuar sendo acompanhados de perto pelo mercado, empresas do setor e consumidores brasileiros.
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