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Entenda por que a Rússia ainda não reagiu à proposta de Trump de tomar a Groenlândia

Publicado 08/01/2026 • 17:58 | Atualizado há 18 horas

KEY POINTS

  • Apesar de ter fortes interesses estratégicos no Ártico, a Rússia manteve silêncio público sobre a proposta de Donald Trump de tomar a Groenlândia, enquanto a China reagiu com críticas diretas
  • Analistas avaliam que Moscou enxerga pouco impacto direto da possível ampliação da presença americana na região, já que a OTAN já limita a atuação russa no extremo norte
  • Especialistas apontam que o principal interesse do Kremlin é explorar eventuais divisões dentro da OTAN e uma crise transatlântica, o que poderia favorecer a estratégia geopolítica de Vladimir Putin no longo prazo

Mikhail METZEL/POOL/AFP

Presidente da Rússia, Vladmir Putin.

Apesar de ser a maior potência do Ártico e concentrar importantes interesses geopolíticos na região, a Rússia ainda não se manifestou oficialmente sobre a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle da Groenlândia por razões de segurança nacional.

A declaração de Trump, que alegou a presença crescente de navios chineses e russos no Ártico, gerou reação imediata da China. O Ministério das Relações Exteriores de Pequim acusou Washington de usar a chamada “ameaça chinesa” como pretexto para buscar ganhos próprios na região. Moscou, no entanto, manteve silêncio.

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Analistas avaliam que a ausência de resposta do Kremlin não é casual. Embora uma eventual ampliação da presença americana na Groenlândia possa afetar interesses russos no Ártico, especialistas ouvidos pela CNBC afirmam que Moscou enxerga um objetivo maior: aprofundar divisões dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A Rússia detém cerca de 53% da costa do Oceano Ártico e mantém na região bases militares, infraestrutura estratégica, frota de quebra-gelos e parte de seu sistema de dissuasão nuclear marítima. O Ártico também é fundamental para a economia russa, com exploração de petróleo, gás, minerais, pesca e rotas logísticas, especialmente pela Rota do Mar do Norte, que conecta Europa e Ásia.

Mesmo assim, segundo Jamie Shea, ex-dirigente da OTAN e especialista do think tank Chatham House, o impacto direto de uma maior presença americana na Groenlândia seria limitado para Moscou, já que países da aliança, como Canadá, Dinamarca, Noruega e Reino Unido, vêm ampliando a atuação militar no extremo norte, além da entrada recente de Suécia e Finlândia na OTAN.

Para o Kremlin, o principal ganho estaria no efeito político da crise. Uma escalada envolvendo a Groenlândia poderia aprofundar tensões internas na OTAN e enfraquecer a coesão da aliança, cenário considerado favorável ao presidente russo, Vladimir Putin. Especialistas apontam que qualquer instabilidade transatlântica pode reduzir o engajamento dos Estados Unidos na Europa e no apoio à Ucrânia.

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A hipótese de uso de força militar para anexar a Groenlândia gerou preocupação entre líderes europeus e autoridades da Dinamarca e da própria ilha, que reforçaram que o território não está à venda. Para analistas, o simples aumento da instabilidade já representa um ganho estratégico para Moscou, mesmo sem qualquer ação direta da Rússia.

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