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Ex-diretor do Banco Mundial vê alívio para mercados com acordo entre EUA e Irã, mas alerta para desafios

Publicado 15/06/2026 • 20:48 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Segundo Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial, ainda existem impasses importantes envolvendo o programa nuclear iraniano, a liberação de ativos congelados e o futuro da navegação no Estreito de Ormuz.
  • A queda recente do petróleo pode melhorar as perspectivas para a economia global, mas o especialista ressalta que desafios geopolíticos continuam presentes e podem influenciar o crescimento mundial.
  • O Brasil pode se beneficiar de um maior fluxo de capital para mercados emergentes devido aos juros elevados, embora incertezas eleitorais e pressões inflacionárias globais ainda representem fatores de risco para os investidores.

A perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio aos mercados financeiros globais, impulsionando a queda do petróleo e reduzindo a volatilidade dos ativos. No entanto, a sustentabilidade desse cenário dependerá dos termos definitivos do memorando que está sendo negociado entre os dois países, afirmou Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial.

Segundo Braga, o documento ainda não foi divulgado oficialmente, o que dificulta uma avaliação mais precisa sobre seus efeitos de longo prazo. Apesar disso, ele considera que há interesses convergentes entre as partes para garantir a normalização da navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

“O Irã, os Estados Unidos e o mundo, de certa forma, têm um interesse significativo na regularização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz”, afirmou. Ele ponderou, porém, que ainda existem desafios operacionais para restabelecer plenamente a segurança da região, incluindo a remoção de minas marítimas.

O especialista avalia que a redução das tensões pode melhorar as perspectivas para a economia global. O Banco Mundial projetou recentemente um crescimento de apenas 2,5% para este ano, em um cenário que considerava preços do petróleo próximos de US$ 94 por barril. Com o Brent negociado em torno de US$ 84, parte desse risco diminui.

Ainda assim, Braga destacou que questões centrais seguem sem solução. Entre elas estão o futuro do programa nuclear iraniano, a eventual liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e divergências sobre a cobrança de tarifas para o tráfego no Estreito de Ormuz após o período inicial de 60 dias previsto nas negociações. “Há uma porção de questões ainda em aberto”, resumiu.

Para os mercados emergentes, a redução do risco geopolítico pode favorecer a migração de recursos para ativos mais arriscados, beneficiando países como o Brasil. Braga observa que os juros elevados e oportunidades em setores estratégicos, como minerais críticos, tornam o país atrativo para investidores.

Por outro lado, o ambiente doméstico continua cercado por incertezas. “O mundo todo sabe que esse é um ano de eleições presidenciais. Há uma certa incerteza”, afirmou. Segundo ele, esse fator pode limitar parte do fluxo de capital para o país.

O economista também alertou que a desaceleração dos preços da energia pode ser menos intensa do que o mercado espera. Com estoques globais de petróleo e gás em níveis reduzidos, países como Estados Unidos e China tendem a recompor suas reservas estratégicas nos próximos meses. Para Braga, esse movimento deve manter o petróleo acima de US$ 80 por barril e continuar exercendo pressão sobre a inflação mundial.

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