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EXCLUSIVO: Especialista vê Davos sob clima de incerteza e disputa global
Publicado 19/01/2026 • 12:35 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 19/01/2026 • 12:35 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, começa nesta semana em meio a um cenário de crescente tensão geopolítica e enfraquecimento da cooperação internacional. Para comentar as expectativas para o encontro, o Pré Market conversou com Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais e Economia do IBMEC São Paulo.
“Este será um Davos com recorde de chefes de Estado e de governo, o que transforma o fórum em uma vitrine política importante para a exposição de posições sobre os conflitos atuais”, afirmou Pires, ao destacar o peso diplomático da edição deste ano.
Segundo o professor, o tom das discussões já foi antecipado pelo Relatório de Risco Global, divulgado na semana anterior ao evento. Ele explicou que o documento aponta uma transição estrutural do sistema internacional, marcada pela competição entre países e pelo enfraquecimento do multilateralismo.
“O relatório mostra que estamos entrando numa era de competição, e não mais de colaboração, com uma multipolaridade sem multilateralismo”, disse. Para Pires, esse pano de fundo deve dominar os debates em Davos.
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A expectativa em torno do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também é elevada. “Aquilo que ele disse no passado e parecia blefe acabou se confirmando”, afirmou o professor, ao avaliar que a fala do presidente americano será observada como sinal de maior instabilidade ou de tentativa de previsibilidade.
Pires explicou que a relação entre Estados Unidos, Europa e OTAN continua central para a segurança global. Segundo ele, apesar das tensões, a aliança militar segue indispensável para ambos os lados, sobretudo pela capacidade produtiva e militar americana.
“Nem os Estados Unidos podem se desfazer da OTAN, nem a Europa pode prescindir dos Estados Unidos”, disse. Ele lembrou que conflitos prolongados tendem a se tornar guerras de atrito, vencidas por quem possui maior capacidade industrial e militar.
Ao analisar os impactos desse cenário para o Brasil, o professor afirmou que o país enfrenta riscos ao tentar manter uma posição ambígua. Ele explicou que a estratégia de neutralidade adotada nos últimos anos encontra limites num mundo cada vez mais polarizado.
“O Brasil pode acabar na linha de fogo se não se posicionar com pragmatismo”, afirmou. Para Pires, a defesa do multilateralismo feita pelo presidente Lula ignora a dinâmica atual do sistema internacional.
“O multilateralismo acabou. O Brasil precisa se adaptar a um mundo de competição geoeconômica, fragmentação das cadeias produtivas e uso de tecnologia e finanças como instrumentos de poder”, concluiu o professor, ao afirmar que a ordem internacional das últimas décadas já não existe mais.
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