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Extrema direita vence eleição estadual na Alemanha com 43,8% dos votos

Publicado 07/09/2026 • 09:26 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • AfD conquistou 43,8% dos votos na Saxônia Anhalt e ficou a três cadeiras da maioria
  • Resultado é visto como o mais relevante da história eleitoral alemã do pós-guerra
  • Vitória da extrema direita pressiona o governo federal do chanceler Friedrich Merz
AfD alemanha Ulrich Siegmund

Jens SCHLÜTER / AFP

A Alternativa para a Alemanha, partido de extrema direita conhecido pela sigla AfD, venceu a eleição estadual da Saxônia Anhalt neste fim de semana com 43,8% dos votos, resultado muito acima dos 17,2% obtidos pela União Democrata Cristã (CDU), sigla do chanceler federal Friedrich Merz. O resultado é visto como um dos mais significativos da história eleitoral alemã do pós-guerra e pressiona o governo federal.

Resultados iniciais mostram a AfD conquistando 39 das 83 cadeiras do parlamento estadual, três a menos do que o necessário para uma maioria absoluta. O partido segue com incerteza sobre sua capacidade de formar governo na região.

Leia também: Boca de urna sugere vitória de partido de extrema direita em eleições estaduais na Alemanha

AfD busca apoio para formar governo na região

Um acordo informal conhecido como “firewall” mantém os demais partidos alemães afastados de qualquer cooperação que dê poder político à extrema direita. Ainda assim, o candidato da AfD Ulrich Siegmund afirmou nesta segunda-feira (7) que o partido pretende conversar com “grupos parlamentares individuais ou parlamentares específicos” para verificar apoio à formação de governo, segundo a agência Reuters.

O resultado eleva o partido a um patamar inédito desde a era nazista, com a possibilidade de a extrema direita assumir o poder em um estado alemão. Entre as propostas da AfD em nível estadual estão políticas de restrição a refugiados e imigrantes, aceleração de deportações, separação de filhos de refugiados em salas de aula distintas, incentivo ao uso de inteligência artificial por pequenas e médias empresas no lugar de trabalhadores imigrantes e incentivos financeiros para famílias terem mais filhos.

Resultado pode se repetir em outros estados alemães

Mujtaba Rahman, diretor administrativo para a Europa da consultoria Eurasia Group, classificou o resultado como o mais relevante de uma eleição estadual alemã do período pós-guerra. Segundo ele, eleitores em busca de uma ruptura mais radical migraram para a AfD, enquanto eleitores liberais e de esquerda se voltaram para o Partido Verde e para o Partido Social-Democrata, espremendo a CDU dos dois lados.

Rahman avaliou que, se a tendência se confirmar, as próximas eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim poderiam transformar um abalo regional em uma crise nacional contínua.

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Descontentamento econômico marca disputa eleitoral

A Saxônia Anhalt, tradicional polo da indústria química e de peças automotivas na Alemanha, sofreu impacto desproporcional do colapso da indústria do leste alemão após a reunificação e da recente alta nos preços de energia, avaliou Holger Schmieding, economista-chefe do banco Berenberg, em nota divulgada nesta segunda-feira (7).

Peter Altmaier, ex-ministro de Economia e Energia pela CDU, afirmou à CNBC nesta segunda-feira (7) que questões sobre o futuro da indústria, da inovação e do bem-estar social dominaram o debate eleitoral. Embora tenha sido uma eleição estadual, Altmaier disse que a insatisfação com respostas em nível nacional contribuiu para o resultado.

A população está “furiosa” e migrando para partidos alternativos tanto à esquerda quanto à direita, após cinco anos de estagnação econômica e escassez de geração de empregos, em meio à perda de postos de trabalho tradicionais no país, completou Altmaier. Segundo ele, o resultado da noite de domingo superou as piores expectativas e deve afetar debates políticos em todo o país, além das próximas eleições estaduais.

Ministros da Polônia e da França, países que também enfrentam avanço da extrema direita em suas eleições, classificaram o resultado alemão como preocupante nesta segunda-feira (7), segundo veículos de imprensa locais.

Reformas do governo Merz não devem ser interrompidas

Schmieding avaliou que o resultado da Saxônia Anhalt, isoladamente, dificilmente vai impedir os planos de aumento nos gastos com defesa e infraestrutura do governo alemão, nem a maior parte das reformas impopulares e pró-crescimento previstas para o fim deste ano. Entre elas estão economias no sistema previdenciário, reformas tributárias e da saúde, e medidas de redução da burocracia.

A alternativa, evitar reformas que fortaleçam o potencial de crescimento do país, tenderia a ser ainda pior para as perspectivas das legendas que compõem a coalizão no longo prazo, segundo o economista. Schmieding avaliou ainda que é mais provável que Merz e sua coalizão sigam no governo até o fim do mandato parlamentar federal, no início de 2029, embora o resultado represente um golpe duro para o chanceler e amplie o risco de desgaste na coalizão.

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