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Guerra no Irã inviabiliza cortes agressivos de juros em 2026
Publicado 21/04/2026 • 18:45 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 21/04/2026 • 18:45 | Atualizado há 3 meses
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A escalada nos preços do petróleo e as tensões geopolíticas globais estão redefinindo as estratégias das autoridades monetárias, tornando improvável um ciclo de cortes agressivos nas taxas de juros, disse Rodrigo Simões, economista e professor da FAC-SP, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
O especialista destacou que o cenário de guerra no Irã impactou diretamente os modelos econométricos previstos para este ano. “Todo o contexto dos estudos dos bancos centrais para 2026, alguns com perspectiva de queda, não vai acontecer. A guerra e o encarecimento da energia entraram no bolso da população e dificultaram os modelos; o próprio Deutsche Bank já projeta um Banco Central americano firme, praticamente sem cortes”, explicou.
Sobre a dinâmica inflacionária nos Estados Unidos, Rodrigo Simões ressaltou que a resistência dos preços, mesmo excluindo itens voláteis, justifica a postura rigorosa do Federal Reserve. “O CPI em março veio 3,3%, um salto puxado pelo custo de energia que impactou alimentos e fretes. Mesmo quando você tira alimentos e energia, o núcleo de inflação está acima da meta e o mercado de trabalho segue aquecido, o que dificulta a flexibilização da política monetária”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCNo contexto brasileiro, o economista da FAC-SP demonstrou ceticismo quanto à continuidade imediata da redução da Selic na próxima reunião do Copom. “Pelo nosso modelo, não temos a perspectiva de queda de taxa de juros na próxima reunião, mas mantemos uma projeção de 12,75% até o final do ano. Tudo pode mudar se o conflito durar mais do que o esperado, o que complicaria a vida dos bancos centrais e o orçamento familiar”, ponderou.
A transição de liderança no Federal Reserve também foi tema da análise, com a saída de Jerome Powell. Para o professor, a seriedade institucional deve prevalecer sobre pressões políticas externas. “A substituição não vai afetar a independência do Fed, que é uma instituição muito séria e conservadora. O mercado financeiro gosta de previsibilidade e de um banco central autônomo; acredito que a linha de raciocínio será mantida mesmo com a troca de comando”.
Por fim, Rodrigo Simões apontou que a manutenção de juros elevados pode transformar o Brasil em um destino atrativo para o capital externo, apesar dos desafios para a indústria nacional. “Com a nossa taxa de juros alta, os mercados emergentes têm sido atraentes para a diversificação de carteira. O Brasil é a bola da vez para receber investimento estrangeiro direto, fazendo com que o real se aprecie, o que ajuda a baixar a inflação do IPCA, embora seja um desafio para o equilíbrio entre exportadores e importadores”.
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