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Hollywood se divide: fusão de US$ 111 bilhões entre Paramount/Warner enfrenta resistência de artistas

Publicado 15/04/2026 • 15:20 | Atualizado há 7 meses

KEY POINTS

  • A fusão de US$ 111 bilhões entre a Paramount Global e a Warner Bros. Discovery abriu um racha em Hollywood e, logo em seguida, a reação veio rápida
  • O movimento, por sua vez, não é pequeno. Entre os signatários estão nomes como Denis Villeneuve, Kristen Stewart, J. J. Abrams e Joaquin Phoenix, o que reforça a dimensão da preocupação dentro da indústria
  • Parte relevante de Hollywood continua cética. Para muitos profissionais, o histórico de fusões no setor mostra que o resultado costuma ser o oposto: menos produções e menos espaço
Como Paramount e Warner Bros. Discovery estruturam o plano de crescimento da nova empresa

Foto: Wikimedia Commons

Como Paramount e Warner Bros. Discovery estruturam o plano de crescimento da nova empresa

A fusão de US$ 111 bilhões entre a Paramount Global e a Warner Bros. Discovery abriu um racha em Hollywood e, logo em seguida, a reação veio rápida.

Mais de mil nomes da indústria, entre atores, diretores e roteiristas, assinaram uma carta pública contra o acordo, classificando a operação como prejudicial para o setor.

Leia também: Paramount negocia US$ 24 bilhões com fundos árabes para bancar compra da Warner

Carta reúne peso-pesado de Hollywood

O movimento, por sua vez, não é pequeno. Entre os signatários estão nomes como Denis Villeneuve, Kristen Stewart, J. J. Abrams, Ben Stiller, Yorgos Lanthimos e Joaquin Phoenix, o que reforça a dimensão da preocupação dentro da indústria.

Na carta, o grupo fala em “oposição inequívoca” à fusão e, ao mesmo tempo, aponta um impacto direto: menos filmes, menos empregos e menos espaço para criadores em um mercado que já vem encolhendo nos últimos anos, de acordo com a AP News.

Além disso, dentro desse contexto, os artistas alertam que a consolidação pode reduzir o número de grandes estúdios nos Estados Unidos para apenas quatro, o que, consequentemente, ampliaria ainda mais a concentração de poder.

Menos empregos e menos diversidade em Hollywood

Nesse cenário, o ponto central da crítica é claro: grandes fusões tendem a enxugar estruturas. Na prática, isso costuma significar cortes.

Segundo o documento, o resultado pode gerar um efeito em cadeia, com menos oportunidades para profissionais, menos produções sendo aprovadas e, por consequência, uma oferta mais limitada para o público.

“O resultado será menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e no mundo todo”, diz a carta, publicada no BlocktheMerger.com. “Alarmantemente, essa fusão reduziria o número de grandes estúdios de cinema dos EUA para apenas quatro.”

A preocupação também passa pela diversidade criativa. Isso porque, com menos estúdios relevantes no mercado, decisões sobre quais histórias contar ficam concentradas em menos mãos.

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Negócio bilionário ainda depende de aprovação

O acordo foi fechado em fevereiro, quando, após meses de negociação, a Paramount Skydance, liderada por David Ellison, avançou para adquirir a Warner Bros. Discovery. Agora, a operação aguarda votação de acionistas e aval regulatório.

Se aprovado, o negócio vai unir dois estúdios históricos e, assim, criar um dos principais grupos de entretenimento do mundo.

Ellison já sinalizou que pretende manter os estúdios operando separadamente e prometeu lançar cerca de 30 filmes por ano nos cinemas. Ainda assim, por outro lado, a própria empresa admite que haverá cortes por sobreposição de estruturas, já que, na prática, áreas duplicadas tendem a ser enxugadas.

Paramount rebate críticas

A Paramount defende a fusão. Em resposta direta à carta, a empresa afirmou que o acordo pode ampliar, e não reduzir, as oportunidades para criadores.

Segundo a companhia, a combinação de ativos deve permitir mais investimentos, além de apoio a talentos em diferentes estágios da carreira e maior alcance global para os projetos.

Leia também: Fundo de Bill Ackman propõe comprar Universal Music por US$ 64 bilhões com prêmio de 78%; ação dispara

Indústria segue dividida

Mesmo com essa defesa, porém, parte relevante de Hollywood continua cética. Para muitos profissionais, o histórico de fusões no setor mostra que o resultado costuma ser o oposto: menos produções e menos espaço.

O debate, portanto, vai além de uma operação bilionária. Na prática, ele expõe um conflito direto entre escala empresarial e sustentabilidade criativa e, ao mesmo tempo, deixa claro que, pelo menos por enquanto, Hollywood está longe de chegar a um consenso.

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