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Guerra no Oriente Médio faz disparar preço do gás natural e ameaça Europa e Ásia; entenda

Publicado 03/03/2026 • 14:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Preços do gás natural sobem com temor de conflito prolongado afetar oferta global de GNL.
  • Analistas alertam para risco de nova crise energética nos moldes de 2022.
  • Catar suspende produção após ataques iranianos, reduzindo quase 20% da oferta global no curto prazo.
Uma disparada prolongada nos preços do gás natural, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, pode comprometer o crescimento da Europa e atingir com força economias da Ásia, segundo alertam analistas do mercado.

Lisi Niesner / Reuters

Uma disparada prolongada nos preços do gás natural, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, pode comprometer o crescimento da Europa e atingir com força economias da Ásia, segundo alertam analistas do mercado.

As cotações globais do gás avançaram de forma expressiva nesta semana diante do temor de uma interrupção prolongada nos fluxos de energia pelo Estreito de Ormuz rota estratégica entre Omã e Irã, responsável por cerca de 20% do comércio global de GNL à medida que o conflito com o Irã se intensifica.

Os contratos futuros do Dutch Title Transfer Facility (TTF), referência para o gás na Europa, subiram 35% na terça-feira, superando 60 euros (US$ 69,64 – R$ 364,91) por megawatt-hora. No acumulado da semana, os preços já avançam cerca de 76%.

Na Ásia, o indicador Japan-Korea Marker (JKM), que contempla entregas para Japão, Coreia do Sul, China e Taiwan, atingiu o maior nível em um ano, sendo negociado próximo de 43 euros por megawatt-hora. No Reino Unido, os preços do gás natural também registraram forte alta.

O Catar, um dos maiores produtores globais de GNL, interrompeu a produção na segunda-feira após ataques de drones iranianos às cidades industriais de Ras Laffan e Mesaieed. O Goldman Sachs estima que a paralisação reduza a oferta global de GNL no curto prazo em cerca de 19%.

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Posteriormente, um alto oficial da Guarda Revolucionária do Irã declarou que o país havia fechado o Estreito de Ormuz para todas as embarcações, alertando que qualquer navio que tentasse atravessar seria atacado. Os Estados Unidos, porém, afirmaram que a rota permanecia aberta, segundo a Fox News.

Aperto na oferta

A Europa e grande parte da Ásia estão mais expostas a choques nos preços do gás do que os Estados Unidos, que contam com produção doméstica de gás de xisto e GNL.

Cerca de 25% do suprimento total de gás da Europa vem de GNL, segundo Chris Wheaton, analista da Stifel. Com aproximadamente 20% da produção global de GNL localizada após o Estreito de Ormuz, uma interrupção prolongada pode gerar um aperto na oferta comparável ao choque de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, afirmou.

“Estamos muito mais preocupados com os preços do gás europeu do que com os preços do petróleo”, disse Wheaton.

As ações da gigante norueguesa Equinor, uma das maiores fornecedoras de gás natural da Europa, atingiram a máxima em 52 semanas na terça-feira, com alta superior a 2%, após terem fechado o pregão anterior com avanço de mais de 8%.

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Em relatório publicado na segunda-feira, o Goldman Sachs alertou que uma paralisação de um mês nos fluxos por Ormuz pode levar os preços do TTF e do JKM para perto de 74 euros por megawatt-hora patamar que, em 2022, desencadeou forte retração da demanda durante a crise energética europeia.

Naquele ano, os preços europeus do gás atingiram o pico de 345 euros por megawatt-hora, após a Rússia reduzir exportações em resposta a sanções da União Europeia, elevando as contas de energia e provocando uma crise de custo de vida no continente.

Em outro relatório, o banco elevou sua projeção para o TTF em abril de 36 euros para 55 euros por megawatt-hora, com estimativa média para o segundo trimestre em 45 euros/MWh.

“Implicações negativas”

Para Patrick O’Donnell, estrategista-chefe de investimentos da Omnis Investments, o GNL tornou-se um ponto crítico para a economia europeia. “Isso pode ter implicações mais negativas para a economia europeia e para o processo de reindustrialização que o mercado esperava ver”, afirmou à CNBC.

Analistas do Goldman Sachs, liderados por Sven Jari Stehn, destacaram que “os efeitos de preços mais altos de energia sobre o PIB tendem a ser negativos para a maioria dos países, com exceção da Noruega, que produz e exporta petróleo”.

O banco estima que uma alta sustentada de 10% nos preços da energia por quatro trimestres reduziria em 0,2% o PIB tanto do Reino Unido quanto da zona do euro. A Suíça teria impacto neutro, enquanto a Noruega poderia registrar ganho de 0,1%.

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Para os Estados Unidos, os analistas veem “risco limitado de alta” nos preços do gás natural.

Importadores asiáticos sob pressão

A Ásia também é vulnerável a interrupções no fornecimento.

Segundo a Invesco, quase 58% das importações de GNL da Índia vêm do Oriente Médio, representando cerca de 2% do consumo primário de energia do país. Em Singapura, aproximadamente 27% das importações de GNL têm origem na região, o equivalente a 2,2% do consumo primário.

Outros países da Ásia-Pacífico obtêm mais de 37% de seu GNL do Oriente Médio, o que corresponde a quase 3% do consumo primário de energia, enquanto 26,6% das importações chinesas de GNL têm origem na região.

Para Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados da BBH, países altamente dependentes de importações de petróleo e gás e com espaço fiscal limitado como Japão, Índia, África do Sul, Turquia, Hungria e Malásia – estão entre os mais vulneráveis. Já Noruega, Canadá e México figuram entre os menos expostos.

“Um conflito prolongado que leve a novas interrupções na produção e no transporte de energia aumenta o risco de estagflação e pode ampliar as pressões fiscais”, concluiu Haddad.

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