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Guerra no Oriente Médio trava rotas marítimas globais e dispara custo do transporte de contêineres
Publicado 14/03/2026 • 07:15 | Atualizado há 33 minutos
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Publicado 14/03/2026 • 07:15 | Atualizado há 33 minutos
KEY POINTS
A guerra no Oriente Médio está provocando forte turbulência na indústria global de transporte marítimo, afetando não apenas o petróleo e o gás, mas também o comércio internacional de mercadorias transportadas por contêineres, um dos principais símbolos da globalização.
À medida que o conflito entra na terceira semana, o quase fechamento do estratégico Estreito de Ormuz tem causado impactos profundos no transporte marítimo mundial, atingindo cadeias logísticas e rotas comerciais em diferentes continentes.
O impacto já é sentido por empresários como o importador francês Emmanuel Benichou, que acompanha com preocupação o aumento potencial dos custos de produtos que compra da China, como móveis de jardim vendidos online.
“Nossos preços ainda não subiram, mas se a guerra durar meses teremos de cortar nossas margens ou aumentar os preços”, afirmou Benichou à AFP.
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Segundo a consultoria marítima britânica Clarksons, citada pela Bloomberg, o Oriente Médio representou 9,8% do comércio global de contêineres no ano passado.
Mesmo assim, em um sistema global altamente interligado, o caos provocado pela guerra gera efeitos em cadeia em todo o mundo, afetando prazos de entrega, custos e logística.
O bloqueio de fato do Estreito de Ormuz pelo Irã deixou milhares de navios comerciais sem conseguir chegar ao porto correto no momento certo, interrompendo rotas comerciais essenciais.
“Há mercadorias paradas na Índia que deveriam ser entregues na Arábia Saudita”, afirmou Rodolphe Saade, diretor-executivo da gigante de transporte marítimo CMA CGM, em entrevista ao jornal francês Le Figaro.
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A situação é agravada pelo fato de que navios civis passaram a ser alvos de ataques no Golfo.
Segundo monitoramento da AFP em conjunto com o grupo britânico de segurança marítima UKTMO, 20 petroleiros e cargueiros foram atacados desde o início da guerra, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
A alta nos preços do combustível, provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde normalmente passam cerca de 20% do petróleo e gás do mundo — está levando empresas de transporte marítimo a impor sobretaxas emergenciais.
Segundo Benichou, tanto a CMA CGM quanto sua concorrente Hyundai Merchant Marine (HMM) já aumentaram os preços devido ao conflito.
“A HMM está cobrando uma taxa extra de US$ 230 (R$ 1.223,60) por contêiner como sobretaxa emergencial de combustível”, disse. “A CMA CGM cobra uma taxa adicional de US$ 155 (R$ 824,60).”
Benichou afirma conhecer bem o mercado de logística global. Seu diferencial, segundo ele, é “saber comprar e saber transportar”.
A empresa do importador movimenta cerca de 400 contêineres por mês. “Eu sei aproveitar oportunidades no transporte marítimo”, afirmou.
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Em períodos de normalidade, ele costuma aproveitar descontos oferecidos por companhias de navegação quando há capacidade ociosa nos navios.
Por outro lado, em períodos de alta demanda — como antes do Ano-Novo Chinês —, é comum surgirem taxas adicionais temporárias, que normalmente voltam ao normal rapidamente.
Agora, no entanto, os preços do transporte continuam subindo.
Segundo Benichou, o custo para enviar um contêiner da Ásia para a Europa subiu de US$ 2.500 (R$ 13.300) antes da guerra para até US$ 4.000 (R$ 21.280).
E os custos aumentam ainda mais quanto maior se torna a rota marítima.
Grande parte dos navios porta-contêineres já precisa evitar o Mar Vermelho e o Canal de Suez, devido ao risco de ataques dos rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, o que alongou a rota marítima para a Europa e elevou o consumo de combustível.
Se o conflito se prolongar, Benichou teme novas sobretaxas relacionadas a riscos de segurança, bloqueios de navios, seguros e custos de armazenamento de mercadorias que não conseguem chegar ao destino final.
No Oriente Médio, empresas de navegação passaram a usar caminhões para transportar contêineres entre portos e destinos finais.
As companhias também estão redirecionando navios para a Europa e a África, além de buscar portos alternativos em novos corredores logísticos.
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No Golfo, onde navios porta-contêineres já não conseguem acessar o estratégico porto de Dubai, a CMA CGM passou a descarregar mercadorias antes do Estreito de Ormuz, no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos.
“O risco é ficarmos presos com montanhas de contêineres que bloqueiam terminais portuários e provocam enormes atrasos”, afirmou Vincent Clerc, diretor-executivo da gigante marítima Maersk, em entrevista ao jornal Le Monde.
Para muitos analistas do setor, o cenário traz lembranças da pandemia de Covid-19, quando o comércio global sofreu graves interrupções nas cadeias de suprimentos. Benichou recorda que, naquele período, o custo do transporte marítimo chegou a US$ 14.000 (R$ 74.480) por contêiner, em meio ao colapso logístico global.
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