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EXCLUSIVO CNBC: Hassett afirma que EUA têm espaço para manter ou cortar juros diante de economia forte
Publicado 10/08/2026 • 18:45 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 10/08/2026 • 18:45 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A economia dos Estados Unidos permanece forte apesar da fraqueza dos números recentes do mercado de trabalho, e o Federal Reserve (Fed) teria espaço para manter ou até reduzir os juros diante do impulso vindo da oferta, avalia Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos.
Em entrevista à CNBC, Hassett atribuiu o resultado negativo do emprego em julho a fatores específicos, como a redução do número de funcionários públicos e a saída de trabalhadores do setor de hospitalidade após a Copa do Mundo. Segundo ele, outros indicadores continuam apontando para uma atividade econômica robusta.
O integrante da equipe econômica americana destacou que a expectativa do mercado era de criação de 88 mil vagas e afirmou que indicadores como investimentos, salários e construção de fábricas sustentam uma leitura positiva sobre a economia.
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Hassett citou como exemplo a presença de 85 mil trabalhadores atualmente envolvidos na construção de fábricas nos Estados Unidos, número que, segundo ele, estava próximo de zero quando o presidente Donald Trump assumiu o governo.
“Todos os outros sinais, como investimento em alta, salários em alta e uma construção incrível de fábricas, tudo isso indica uma economia muito forte”, afirmou.
Questionado sobre a condução da política monetária, o diretor do Conselho Econômico Nacional ressaltou a independência do Federal Reserve, mas indicou qual seria sua decisão caso integrasse o banco central americano.
“Respeitamos sua independência. Acredito que eles vão analisar os dados e fazer o que acham certo”, disse. “Se eu estivesse no Fed agora, manteria as taxas estáveis ou as cortaria, porque há muito impulso vindo do lado da oferta.”
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Para Hassett, a expansão da capacidade produtiva pode contribuir para aumentar a oferta e exercer pressão de baixa sobre os preços, diferentemente de estímulos concentrados na demanda.
Ao tratar da inflação, Hassett destacou o comportamento recente do índice de preços ao consumidor (CPI) e do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE).
“Se você olhar para os dois últimos indicadores, eles foram fantásticos. Tivemos um índice geral de CPI negativo e o núcleo do CPI ficou em zero. Tivemos um índice geral de PCE negativo e o núcleo também ficou negativo”, afirmou.
O economista atribuiu parte do movimento não apenas à redução dos preços de energia, mas também a medidas adotadas pelo governo para reduzir preços de medicamentos e ampliar a oferta de determinados alimentos, incluindo a abertura para importações de carne bovina.
Apesar da avaliação positiva, Hassett defendeu cautela antes de mudanças mais significativas na política monetária. Ele lembrou uma orientação que recebeu de Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, sobre a necessidade de observar tendências econômicas por períodos mais longos.
“Se eu fosse fazer qualquer movimento daqui para a frente, gostaria de ver mais meses como os que acabamos de ver”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCHassett também colocou a inteligência artificial entre os principais desafios para a política econômica americana nos próximos anos, diante das transformações provocadas pela tecnologia no mercado de trabalho e dos riscos relacionados à segurança.
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“Pensar de forma muito cuidadosa sobre o que isso significa é provavelmente a questão política mais importante dos próximos dois anos”, afirmou.
Segundo Hassett, os impactos da IA podem ser divididos em dois grandes grupos. O primeiro envolve empregos e produtividade. Até agora, segundo ele, os dados mostram que empresas que passaram a utilizar inteligência artificial conseguiram elevar produtividade, vendas e postos de trabalho.
“A IA entrou em empresas que não a tinham, tornando-as muito mais produtivas, aumentando suas vendas e empregos. Ela eliminou alguns cargos de programadores, mas, no geral, o saldo de empregos é positivo”, disse.
O segundo desafio envolve a cibersegurança. Hassett afirmou que há preocupação nos Estados Unidos com a possibilidade de sistemas de inteligência artificial escaparem de controles e conseguirem acessar ambientes digitais nos quais não deveriam operar.
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Para ele, caso os riscos de segurança sejam controlados, a discussão poderá se concentrar nos efeitos da tecnologia sobre o emprego e na necessidade de requalificar profissionais cujas funções possam ser ameaçadas pela automação.
“Se conseguirmos manter as questões de segurança sob controle, poderemos focar no que acontece com os empregos e no que precisamos fazer para requalificar as pessoas caso seus cargos estejam ameaçados”, afirmou.
Hassett também foi questionado sobre a situação de Lisa Cook e sobre os possíveis impactos de uma eventual tentativa de afastamento sobre a independência do Federal Reserve.
O diretor afirmou que não pretende assumir uma eventual vaga e classificou a questão envolvendo Cook como um assunto de aplicação da lei.
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“Ela diz que é 100% inocente. Como ser humano, espero que seja verdade, mas acho que, se no final houver um motivo justo, então é claro que o presidente tem o direito de demiti-la”, afirmou.
Hassett ressaltou, porém, que a existência ou não de fundamentos para uma eventual remoção deve ser determinada pelas autoridades competentes, e evitou fazer uma avaliação jurídica sobre o caso.
“Eu sou economista. Não tenho nada a acrescentar sobre isso no momento”, concluiu.
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