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Indicadores já mostram impacto econômico da guerra no Oriente Médio, com inflação em alta e atividade em queda

Publicado 24/03/2026 • 17:10 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Alta de mais de 40% no petróleo e gargalos logísticos já pressionam empresas e elevam custos globalmente.
  • PMIs apontam desaceleração da atividade nos EUA e Europa, com inflação voltando a subir.
  • Economistas alertam para risco crescente de estagflação caso choque de energia persista.
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Foto: Canva

Guerra com o Irã: quais são os impactos na economia global

A guerra no Oriente Médio já começa a impactar a economia global, com empresas enfrentando custos mais elevados, problemas logísticos e desaceleração da atividade, segundo dados de pesquisas empresariais divulgados nesta terça-feira (24).

O conflito, que entrou em sua quarta semana, provocou uma alta superior a 40% nos preços do petróleo, após o Irã restringir o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial antes da guerra.

Economistas alertam que a manutenção desse cenário pode levar a uma nova pressão inflacionária global, além de reduzir o ritmo de crescimento econômico.

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Sinal de alerta nos PMIs

Os índices de gerentes de compras (PMIs), compilados pela S&P Global, funcionam como um indicador antecipado da atividade econômica e já mostram que o impacto do conflito começou a aparecer nos dados. Levantamentos mais recentes, que já incluem o período desde o início da guerra em 28 de fevereiro, indicam que a atividade empresarial está desacelerando enquanto os preços sobem.

Nos Estados Unidos, o PMI composto caiu para 51,4 pontos em março, ante 51,9 em fevereiro, atingindo o menor nível em 11 meses, com o setor de serviços mais pressionado, enquanto a indústria teve leve melhora. Leituras acima de 50 pontos indicam expansão econômica.

Segundo Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global Market Intelligence, os dados mostram uma combinação indesejada de crescimento mais fraco com inflação em alta. “As empresas já relatam impacto na demanda devido à incerteza e ao aumento do custo de vida gerado pelo conflito”, afirmou.

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Risco de estagflação

Williamson destacou que os dados de preços apontam para uma inflação próxima de 4%, sinalizando um risco crescente de estagflação nos Estados Unidoscenário de baixo crescimento com inflação elevada. Esse ambiente representa um desafio para bancos centrais, já que elevar juros para conter a inflação pode aprofundar uma recessão.

Na zona do euro, o PMI caiu para 50,5 pontos em março, frente a 51,9 em fevereiro, atingindo o menor nível em 10 meses e indicando uma quase estagnação da economia. “O PMI da zona do euro está soando um alerta de estagflação”, afirmou Williamson.

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Para Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, os dados são um sinal de alerta antecipado, indicando que novas leituras econômicas mais fracas podem surgir nos próximos meses.

Crescimento próximo da estagnação

Segundo Christophe Boucher, da ABN AMRO Investment Solutions, o impacto da guerra aparece em três frentes: desaceleração dos serviços, aumento de preços na indústria e deterioração das perspectivas globais. Nos Estados Unidos, o PMI de serviços caiu para 51,1 pontos, também no menor nível em 11 meses, enquanto na Europa recuou para 50,1 pontos, próximo da estabilidade.

Na contramão, a indústria alemã registrou alta na produção, atingindo o maior nível em quatro anos, impulsionada por investimentos públicos. Ainda assim, especialistas alertam que a economia alemã é fortemente dependente de combustíveis fósseis, o que pode gerar novas pressões negativas.

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Na França, o setor privado registrou contração de 48,3 pontos, a mais intensa desde outubro, enquanto tendências semelhantes foram observadas em Reino Unido e Austrália.

Pressão inflacionária em alta

Problemas logísticos ligados à guerra, especialmente no transporte marítimo, têm provocado atrasos nas cadeias de suprimento. Na zona do euro, os custos de insumos cresceram no ritmo mais rápido desde fevereiro de 2023, pressionando tanto a indústria quanto o setor de serviços.

Nos Estados Unidos, os preços de insumos avançaram no maior ritmo em 10 meses, e empresas passaram a repassar esses custos ao consumidor, elevando os preços finais no ritmo mais forte em mais de três anos e meio. Boucher destaca que o principal risco é a transmissão da inflação para o setor de serviços, o que caracterizaria efeitos de segunda ordem e tornaria o cenário mais persistente.

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Apesar da continuidade dos ataques entre Irã e Israel, ainda há cautela otimista de que as negociações mencionadas por Donald Trump possam levar a uma desescalada. Especialistas, no entanto, destacam o alto grau de incerteza. “Ainda estamos em uma zona de indefinição”, afirmou Christopher Dembik, da Pictet Asset Management. Para Jack Allen-Reynolds, da Capital Economics, o cenário pode piorar: “Se os preços de energia permanecerem elevados, o impacto econômico tende a se intensificar”.

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