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EXCLUSIVO: Juros mais altos nos países ricos podem indicar ‘novo normal’ com bancos centrais atentos a choques de oferta, mostra estudo
Publicado 23/10/2026 • 11:00 | Atualizado há 22 minutos
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Fachada do Banco Central Europeu (BCE).
Os bancos centrais dos países desenvolvidos podem estar entrando em um “novo normal”, no qual passam a dar mais atenção a choques de oferta e a reagir de forma mais agressiva com os juros, avalia Maykon Douglas, analista econômico da ZIIN Investimentos.
A conclusão se apoia em um índice criado pela ZIIN com dados de 24 bancos centrais. Segundo a casa, o índice está positivo desde maio, puxado pelos desenvolvidos, e a correlação entre as oscilações dos bancos centrais ricos e as dos emergentes subiu de 0,45 para 0,81 desde a Covid.
Para Douglas, a dinâmica atual pode revelar mudanças mais profundas. Ele aponta a série de choques econômicos e geopolíticos dos últimos anos, somada à deterioração fiscal global desde a crise da Covid-19. A crise fiscal, afirma, é amplificada pelo fator geopolítico, que levará a mais gastos com defesa, e pelo demográfico, que exige um Estado mais ativo em demandas sociais.
Por isso, “podemos estar em um ‘novo normal’ em que tais disrupções de oferta também sejam vistas com outros olhos pelos BCs”, diz o analista.
Tradicionalmente, segundo Douglas, a política monetária se preocupa mais com choques de demanda, porque as ações do banco central afetam de forma mais direta o consumo e o emprego. Choques de oferta, que podem vir de guerras ou pandemias, recebem atenção parcial ou nula da autoridade monetária, pelo risco de uma ação mais enérgica prejudicar a atividade sem atacar a raiz do problema.
Em um mundo mais incerto e fragmentado, os bancos centrais talvez passem a agir mais diante de crises de oferta nos próximos anos, avalia o analista. O objetivo seria evitar perdas de credibilidade e uma desancoragem das expectativas de inflação, que são “mais difíceis de reverter do que antes”.
O índice também mostra, segundo a ZIIN, uma sensibilidade maior dos bancos centrais desenvolvidos. A oscilação das séries nos últimos anos ficou mais parecida com a dos emergentes. A correlação entre os dois grupos em toda a série anterior à Covid, até fevereiro de 2020, era de 0,45 e subiu para 0,81 desde então.
Nas janelas móveis de dez anos, a correlação começou a subir na segunda metade de 2021 e não parou desde então, de acordo com Douglas. Para ele, isso reforça uma transição da política monetária, de uma postura estruturalmente acomodatícia para um ajuste mais agressivo dos juros diante dos choques, com o objetivo de buscar estabilidade de preços.
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O índice foi desenvolvido pelo time de economia da ZIIN. Ele vai de -100 a 100 pontos e é calculado com base na proporção de bancos centrais que elevaram ou reduziram as taxas de juros em cada mês.
Pelos dados de setembro, o índice está positivo desde maio na média móvel de três meses. Isso significa que a maior parte dos bancos centrais que mexeram na taxa nos últimos meses adotou política mais apertada, segundo o analista. O movimento é puxado apenas pelos países desenvolvidos, e entre os emergentes o comportamento majoritário é de manutenção dos juros.
Em setembro, o percentual de bancos centrais desenvolvidos que elevaram as taxas chegou ao maior nível desde junho de 2023. Naquele momento, diz Douglas, o mundo enfrentava os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia e o espalhamento da inflação para serviços e itens mais sensíveis à demanda.

No mês, os principais bancos centrais elevaram as taxas, com destaque para o Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu (BCE), na Zona do Euro, sinalizando possíveis novos ajustes no curto prazo, afirma Douglas.
A política monetária está em evidência nos últimos meses, à medida que o conflito no Oriente Médio afeta a inflação de energia, de acordo com o analista. Ao mesmo tempo, os países encaram a resiliência da demanda doméstica, em especial nos Estados Unidos, onde “o boom de investimentos em IA alavanca a economia”.
Douglas cita ainda a deterioração fiscal global, que pesa sobre os países desenvolvidos. As taxas longas desses países registram, nas palavras dele, “uma escalada histórica que parece longe de se resolver”.
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