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Mercosul–UE: efeitos para o Brasil em 10 pontos do maior acordo do mundo

Publicado 10/01/2026 • 08:57 | Atualizado há 7 horas

KEY POINTS

  • A assinatura do tratado está prevista para o dia 17, em Assunção, no Paraguai, e deve formalizar a criação da maior zona de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de pessoas.
  • A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.
  • Após mais de 25 anos de negociações, o conselho europeu deu sinal verde ao acordo entre Mercosul e União Europeia na sexta-feira (9)

A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia está marcada para o dia 17, em Assunção, no Paraguai, após o conselho europeu dar sinal verde ao tratado na sexta-feira (9). O aval encerra mais de 25 anos de negociações e abre caminho para a formalização da maior zona de livre comércio do mundo, com um mercado potencial de cerca de 700 milhões de pessoas.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o acordo vai fortalecer o multilateralismo, a sustentabilidade e os investimentos entre os dois blocos, em um momento de instabilidade no cenário internacional.

“Em um momento geopolítico difícil, de instabilidade e de conflitos, isso é fundamental para o mundo”, disse Alckmin, durante entrevista coletiva. “O acordo mostra que é possível construir o caminho de um comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento do multilateralismo.”

O vice-presidente destacou ainda a relevância do acordo para o comércio exterior brasileiro. A União Europeia é o primeiro ou o segundo principal destino das exportações de 22 Estados brasileiros e responde por cerca de 30% dos exportadores do País. Além de impulsionar o comércio, o acordo deve estimular investimentos e reforçar compromissos com a sustentabilidade. “É um ganha-ganha”, afirmou.

Resistências

Apesar de receber apoio de governos e de parte do setor industrial, o acordo ainda encontra oposição entre agricultores europeus e ambientalistas, que apontam riscos ao meio ambiente e à competitividade no campo. A aplicação do tratado será feita de forma progressiva, com impactos concretos distribuídos ao longo dos próximos anos.

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Confira os principais efeitos para o Brasil:

1. Eliminação de tarifas alfandegárias

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
  • Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
  • União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

2. Ganhos imediatos para a indústria

  • Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

Setores beneficiados:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Automóveis e autopeças;
  • Produtos químicos;
  • Aeronaves e equipamentos de transporte.

3. Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
  • UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
  • Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

  • Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
  • Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
  • Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
  • Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
  • Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
  • No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

5. Salvaguardas agrícolas

UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

  • Importações crescerem acima de limites definidos;
  • Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
  • Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.

6. Compromissos ambientais obrigatórios

  • Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
  • Cláusulas ambientais são vinculantes;
  • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

7. Regras sanitárias continuam rigorosas

  • UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.
  • Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

8. Comércio de serviços e investimentos

Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

Avanços em setores como:

  • Serviços financeiros;
  • Telecomunicações;
  • Transporte;
  • Serviços empresariais.

9. Compras públicas

  • Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
  • Regras mais transparentes e previsíveis.

10. Proteção à propriedade intelectual

  • Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
  • Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

11. Pequenas e médias empresas (PMEs)

  • Capítulo específico para PMEs;
  • Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
  • Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.

12. Impacto para o Brasil

  • Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
  • Maior integração a cadeias globais de valor;
  • Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

13. Próximos passos

  • Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;
  • Aprovação pelo Parlamento Europeu;
  • Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;
  • Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;
  • Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

(Com Agência Brasil)

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