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Acordo Mercosul-UE ganha peso estratégico em meio à disputa entre EUA e China
Publicado 17/06/2026 • 07:30 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 17/06/2026 • 07:30 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O acordo entre Mercosul e União Europeia ganhou importância geopolítica além da dimensão comercial diante da crescente disputa entre Estados Unidos e China, avalia Pedro Costa Júnior, analista de relações internacionais e doutor em Ciência Política pela USP.
Segundo o especialista, a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7 reforça a estratégia brasileira de diversificar mercados e ampliar parcerias em um ambiente internacional marcado pela polarização entre as duas maiores economias do mundo.
“O presidente Lula sabe que, neste momento, é preciso diversificar mercados diante das sanções e das ameaças tarifárias dos Estados Unidos. É importante fortalecer o diálogo com outras economias desenvolvidas e buscar uma espécie de terceira via global ao lado da Europa”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
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Costa Júnior destacou que Lula acumula uma longa trajetória de participação em encontros do G7 e que o atual contexto internacional amplia a relevância desses contatos.
Na avaliação do analista, apesar dos avanços recentes, o acordo entre Mercosul e União Europeia ainda enfrenta obstáculos importantes, especialmente relacionados ao protecionismo agrícola europeu.
“O agro europeu é incapaz de competir com a magnitude do agronegócio brasileiro. Por isso ainda existem restrições e resistências, principalmente em países como a França, onde a pressão dos produtores rurais é muito forte”, apontou.
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Para ele, o acordo não deve ser analisado apenas sob a ótica econômica. “Trata-se de um fortalecimento econômico, mas também de um fortalecimento político. A União Europeia vê na América Latina um parceiro estratégico em um momento de reorganização da ordem internacional, e a América do Sul enxerga na Europa uma oportunidade semelhante”, ressaltou.
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Siga o Times | CNBCOutro tema que domina as discussões da cúpula é a situação no Oriente Médio, especialmente após o acordo provisório envolvendo Estados Unidos e Irã.
Segundo Costa Júnior, embora tenha reduzido as tensões imediatas, o entendimento ainda apresenta diversas incertezas. “É um acordo provisório, nebuloso e imperfeito. Há muitas dúvidas sobre sua implementação e sobre as condições efetivas para a reabertura do Estreito de Ormuz”, explicou.
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O especialista observa que a liberação da principal rota marítima para exportação de petróleo é fundamental para os Estados Unidos, que enfrentam pressão inflacionária decorrente da alta dos preços de energia.
“Para os Estados Unidos, a condição essencial é a abertura do Estreito de Ormuz. É ali que o Irã exerce sua principal pressão econômica, afetando diretamente os preços da energia e a inflação global.”
Costa Júnior avalia que os países europeus também têm interesse direto na estabilização da região devido aos impactos econômicos provocados pelos conflitos. “A Europa também sofre com a inflação e com os desafios energéticos agravados pela guerra na Ucrânia. Por isso há uma pressão dos líderes europeus para que o acordo avance e gere maior estabilidade internacional”, observou.
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Ele ressalta, porém, que a sustentabilidade do entendimento dependerá não apenas das negociações entre Estados Unidos e Irã, mas também dos desdobramentos envolvendo Israel e grupos armados na região. “Sem uma redução das tensões entre Israel e seus adversários regionais, esse acordo corre o risco de não se sustentar por muito tempo”, concluiu.
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