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G7 amplia espaço para o Brasil discutir acordo Mercosul-UE e tarifas dos EUA

Publicado 16/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Acordo entre Mercosul e União Europeia deve estar no centro das conversas de Lula com líderes europeus durante o G7.
  • Decisão da União Europeia sobre a carne brasileira gera preocupação por colocar em risco a implementação do tratado comercial.
  • Brasil deve adotar cautela nas negociações com os Estados Unidos diante das incertezas sobre novas tarifas comerciais.

A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7, na França, ocorre em um momento de fortes tensões comerciais e geopolíticas. Para Gaspard Estrada, cientista político e membro da unidade do sul global da London School of Economics (LSE), a viagem representa uma oportunidade para o Brasil defender interesses estratégicos, especialmente em relação ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia e às ameaças tarifárias dos Estados Unidos.

“Essa vai ser uma das pautas mais importantes da viagem do presidente Lula ao G7. Houve finalmente a assinatura e a entrada em vigor provisória do tratado comercial entre União Europeia e Mercosul, que tem um valor geopolítico muito grande diante da fragmentação do mundo e da desarticulação do multilateralismo”, afirmou nesta terça-feira (16), em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Estrada, a recente decisão europeia de restringir a importação de carne brasileira causa surpresa tanto no Brasil quanto dentro da própria Europa, especialmente após anos de negociações para viabilizar o acordo comercial.

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Carne brasileira no centro do debate

Na avaliação do cientista político, a reação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, será decisiva para medir o compromisso do bloco com a implementação efetiva do acordo.

“Houve muita pressão política de vários países europeus, como Alemanha e Espanha, para que esse acordo entrasse em vigor. Se a parte mais sensível e importante do tratado não for cumprida, isso terá uma reação muito negativa para ambas as partes”, disse.

Para Estrada, embora o argumento oficial esteja relacionado a critérios sanitários, a questão envolve também fatores políticos e exige um esforço diplomático para reconstruir a confiança entre os dois lados.

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“Quando falamos de critérios e normas, estamos falando sobretudo de confiança. É necessário que as lideranças conversem para criar as condições políticas que permitam essa confiança entre as partes”, ressaltou.

Ele avalia que o processo de harmonização entre as exigências europeias e os padrões dos países do Mercosul ainda deve levar tempo.

“Será um processo demorado para que as normas europeias e os níveis de qualidade dos produtos do Mercosul tenham plena validade e para evitar que esse tipo de decisão política volte a ocorrer no futuro”, afirmou.

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Relação com os EUA

Outro tema relevante para o Brasil durante o encontro é a relação comercial com os Estados Unidos, especialmente diante da possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo Estrada, o governo brasileiro tende a agir com prudência nas negociações com o presidente dos EUA, Donald Trump.

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“O Brasil terá muita cautela nesta negociação porque já ficou claro que o governo americano é pouco previsível. As palavras do presidente Trump têm um valor limitado, no sentido de que ele pode dizer uma coisa em um dia e voltar atrás no seguinte”, afirmou.

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Para o pesquisador, o contexto internacional também influencia a postura de Washington. Ele destacou que as negociações envolvendo o Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz impõem custos políticos aos Estados Unidos e podem afetar a estratégia americana em outras frentes comerciais.

“O contexto deste G7 coloca em dúvida a capacidade de negociação de Donald Trump. A posição dos Estados Unidos nas tratativas com o Irã mostra sinais de fragilidade, o que pode levar o presidente americano a buscar outras iniciativas em diferentes regiões para fortalecer sua posição política interna”, concluiu.

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