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Mísseis no Oriente Médio, Ferraris no martelo: leilões superam os R$ 3 bilhões

Publicado 13/03/2026 • 07:30 | Atualizado há 12 minutos

KEY POINTS

  • Leilões de arte e carros clássicos movimentaram mais de US$ 600 milhões na última semana, indicando confiança contínua entre consumidores muito ricos, apesar da volatilidade em mercados e petróleo.
  • Vendas de arte em Londres superaram US$ 550 milhões, alta de mais de 50% em relação ao ano passado, com lances vindos de 40 países e recordes para vários artistas.
  • Especialistas afirmam que incertezas globais podem aumentar a demanda por itens raros, já que investidores ricos buscam reservas de valor de longo prazo em um cenário econômico instável.
Colecionadores globais ignoraram as quedas nas bolsas e a guerra no Irã na última semana e gastaram mais de US$ 600 milhões (R$ 3,14 bilhões) em carros clássicos e obras de arte, sinalizando força contínua no topo da economia mundial.

Nick Zabrecky | Cortesia da Broad Arrow Auctions

Um Porsche Carrera GT azul bebê de 2005 foi vendido por US$ 6,7 milhões no leilão mais bem-sucedido da história de Amelia

Colecionadores globais ignoraram as quedas nas bolsas e a guerra no Irã na última semana e gastaram mais de US$ 600 milhões (R$ 3,14 bilhões) em carros clássicos e obras de arte, sinalizando força contínua no topo da economia mundial.

As vendas de arte em Londres na última semana superaram US$ 550 milhões (R$ 2,88 bilhões), mais de 50% acima do registrado no ano passado, segundo as casas de leilão Sotheby’s, Christie’s e Phillips. Algumas obras foram vendidas por mais do que o dobro das estimativas, com recordes para diversos artistas e lances provenientes de 40 países.

Ferrari, Porsche e leilões recordes

Também na última semana, no Amelia Island Concours, na Flórida, a Broad Arrow Auctions realizou o leilão mais bem-sucedido da história do evento, com US$ 111 milhões (R$ 581,64 milhões) em vendas. O evento incluiu uma Ferrari Enzo 2003 vendida por US$ 15 milhões (R$ 78,6 milhões) e um Porsche Carrera GT 2005 arrematado por US$ 6,7 milhões (R$ 35,11 milhões).

A venda ocorreu após outro leilão forte realizado uma semana antes pela RM Sotheby’s em ModaMiami, que atingiu US$ 74 milhões (R$ 387,76 milhões).

Guerra e volatilidade impulsionam ativos raros

Os fortes resultados em arte e carros clássicos, de Londres à Flórida, mostram confiança contínua entre consumidores muito ricos, mesmo com maior volatilidade nos mercados e a disparada do petróleo após o início da guerra no Oriente Médio.

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Especialistas afirmam que a turbulência global pode até ter impulsionado a demanda por colecionáveis raros, já que investidores ricos procuram reservas de valor seguras e de longo prazo.

É surpreendente, mas ao mesmo tempo não é”, disse Drew Watson, chefe de serviços de arte do Bank of America. “Surpreende diante de tudo o que está acontecendo geopoliticamente. Mas quando os tempos são incertos — e estamos em uma era ampla de incerteza — as pessoas recorrem ao que é comprovado e confiável.”

Mercado de colecionáveis se recupera após dois anos de queda

Os preços elevados refletem também uma rápida recuperação no mercado de colecionáveis após dois anos de retração. Em 2023 e 2024, o total de leilões de arte caiu 40% em relação ao pico de 2022, mesmo com bolsas em alta e juros em queda.

O anúncio de tarifas feito pelo presidente Donald Trump em abril do ano passado também aumentou o pessimismo no setor.

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No fim do verão no hemisfério norte, no entanto, os colecionáveis voltaram a ganhar força. Os leilões de carros clássicos em Monterey e Pebble Beach, em agosto, superaram US$ 430 milhões (R$ 2,25 bilhões), marcando o segundo maior total já registrado.

No mês seguinte, um leilão da Sotheby’s em Londres da coleção da socialite britânica Pauline Karpidas arrecadou US$ 135 milhões (R$ 707,4 milhões), superando amplamente as estimativas. A força do mercado continuou em Paris e nos grandes leilões de Nova York em novembro, seguida por grande público na Art Basel Miami em dezembro.

Nova geração de milionários impulsiona compras

Outro fator por trás da renovação do mercado de colecionáveis é uma nova geração de compradores. À medida que baby boomers reduzem compras ou vendem coleções, integrantes da geração X, millennials e até parte da geração Z entram no mercado.

Alguns são empreendedores e fundadores de empresas de tecnologia, enquanto outros herdaram riqueza na chamada “grande transferência de riqueza” de US$ 100 trilhões (R$ 524 trilhões).

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Embora estejam comprando uma gama mais ampla de colecionáveis — de tênis e bolsas a cartas de Pokémon e memorabilia esportiva —, esses compradores também estão entrando nos mercados de arte e carros clássicos, ampliando a base de compradores.

Estamos claramente no meio de uma transição geracional”, disse Watson. “Muitos dos colecionadores que impulsionaram o mercado de arte pós-guerra e contemporânea nas últimas décadas estão envelhecendo, enquanto uma nova geração está entrando.”

Essa mudança é ainda mais visível no mercado de carros clássicos. Um setor antes dominado por esportivos das décadas de 1950 e 1960 passou a ser liderado por supercarros dos anos 1990 e 2000, preferidos por colecionadores mais jovens.

Segundo Kenneth Ahn, presidente da Broad Arrow, os preços de alguns hipercarros modernos dispararam nos últimos meses.

Vimos quase um movimento parabólico nos preços de alguns hipercarros e supercarros modernos nos últimos seis meses”, afirmou. “Há uma mudança sísmica acontecendo. Muitos empreendedores que venderam empresas ou herdaram grandes fortunas estão comprando os carros com que cresceram.”

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Nem todos os segmentos de colecionáveis, porém, acompanham o ritmo. Embora a arte ultracontemporânea tenha liderado a recuperação após a pandemia, as vendas de galerias de arte contemporânea ficaram estagnadas em 2025, segundo o relatório Art Basel e UBS Art Market Report.

Os dados deste ano refletem um setor que está se ajustando a novas realidades econômicas e fortalecendo suas bases para o longo prazo”, disse Noah Horowitz, CEO da Art Basel.

Ainda assim, especialistas afirmam que o cenário segue favorável. O 1% mais rico dos Estados Unidos quase dobrou sua riqueza desde 2020, ultrapassando US$ 55 trilhões (R$ 288,2 trilhões), segundo o Federal Reserve.

Estamos otimistas de que esse sentimento mais positivo, especialmente no mercado de arte, deve continuar”, concluiu Watson.

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