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Novas sanções dos EUA provocam filas em postos de gasolina no Irã
Publicado 25/08/2026 • 19:56 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 25/08/2026 • 19:56 | Atualizado há 2 meses
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Quanto o governo vai pagar de subsídio por litro de gasolina?
Os iranianos acordaram nesta terça-feira (25) preocupados com as consequências das novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos na véspera. Enquanto Washington prometeu promover a “asfixia econômica” do Irã, longas filas de veículos se formaram em postos de gasolina de Teerã.
As novas medidas ampliam a pressão econômica sobre o Irã quase seis meses após o início da guerra desencadeada pelos Estados Unidos. As negociações de paz permanecem paralisadas, sem perspectiva de fim para o conflito.
Enquanto isso, o Irã mantém fechado o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo, e os Estados Unidos sustentam o bloqueio naval contra a República Islâmica.
Em meio à crise, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se nesta terça-feira em Teerã com seu homólogo de Omã, Badr al-Busaidi. Os dois discutiram a criação de um corredor temporário de navegação no estreito e um acordo para iniciar um processo de desminagem, segundo comunicado conjunto divulgado por Omã.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira (24) um plano para promover a “asfixia econômica” do Irã e advertiu sobre graves consequências para os países que se recusarem a aderir à campanha de Washington.
As autoridades iranianas minimizaram os efeitos das novas medidas sobre um país submetido a sanções há décadas. Parte da população, porém, já teme o impacto sobre os preços.
“É lógico que as sanções afetem a vida das pessoas. Há pessoas sofrendo, tanto as que têm uma boa situação econômica quanto as que têm menos recursos”, afirmou à AFP Mehdi Yazdian, corretor de imóveis de 55 anos, que pediu às autoridades maior controle sobre os preços.
A estudante de arquitetura Taneen, de 23 anos, afirmou que viveu toda a sua vida em um país sob sanções. Segundo ela, a família decidiu antecipar a compra de alimentos diante da expectativa de aumento nos preços.
“Essa pressão recai sobre toda a família”, afirmou. Segundo ela, seu pai disse que precisavam comprar comida imediatamente “porque vai ficar mais cara”.
Nesta terça-feira filas de carros em postos de gasolina foram registradas por jornalistas da AFP. O chefe de gabinete do presidente iraniano, Mohsen Haji-Mirzaei, afirmou que as cotas de combustível serão revisadas.
“O que é certo é que as cotas serão reduzidas sem alterar o preço, mas quem quiser comprar mais gasolina da cota terá um preço mais alto”, disse à televisão estatal.
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Siga o Times | CNBCO Irã já enfrentava uma inflação elevada antes do início da guerra, cenário que havia contribuído para uma onda de protestos contra o governo, que atingiu seu auge em janeiro.
Bessent afirmou que os países que não aderirem às sanções americanas “compartilharão o isolamento” do Irã.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos detalhou a adoção de sanções secundárias, que podem atingir não apenas o Estado iraniano, mas também empresas e instituições que fazem negócios com o país. As medidas abrangem setores como ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo.
A China, importante compradora de petróleo iraniano, declarou nesta terça-feira que se opõe às sanções e tomará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e interesses.
Bessent não descartou que bancos chineses sejam afetados e advertiu que “qualquer entidade que facilitar a lavagem de dinheiro em nome do Irã será excluída do sistema do dólar americano”.
A resposta de Teerã foi desafiadora. O ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, afirmou à televisão estatal que o país vinha se preparando para enfrentar esse tipo de pressão.
Segundo ele, os Estados Unidos “fracassaram em todas as ocasiões” e parecem querer sofrer “uma nova derrota”.
O Irã desenvolveu ao longo de décadas um complexo sistema financeiro para contornar as sanções internacionais. Para Saeed Laylaz, economista iraniano ouvido pela AFP, as novas medidas fazem parte da estratégia de “pressão máxima” defendida pelo presidente Donald Trump desde seu primeiro mandato.
“Não há nada que os Estados Unidos possam fazer que já não tenham feito antes”, afirmou Laylaz, que considera a economia iraniana amplamente autossuficiente após anos de isolamento.
O economista, porém, destacou que persistem dúvidas sobre a capacidade do governo de enfrentar problemas internos, como corrupção, desequilíbrios no sistema bancário e inflação.
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