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CVM julga nesta terça-feira se a Centaurus deve realizar oferta pública por ações da Oncoclínicas
Publicado 25/08/2026 • 08:22 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 25/08/2026 • 08:22 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Oncoclínicas/Divulgação
A CVM julga nesta terça-feira (25) se a Centaurus deve realizar uma oferta pública de aquisição pelas ações da companhia.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) julga nesta terça-feira (25), a partir das 10h, se a Centaurus deve realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações da Oncoclínicas, em uma disputa bilionária.
Estimativas de mercado indicam que uma eventual oferta poderia movimentar cerca de R$ 6,5 bilhões. O valor, porém, não foi definido pela CVM e não representa necessariamente o desembolso final da gestora. As informações são do portal InvestNews.
O cálculo considera as ações que poderiam ser entregues na oferta e um preço próximo de R$ 16 por papel. Tanto o valor quanto a quantidade de ações elegíveis ainda dependem da interpretação sobre as regras previstas no estatuto da Oncoclínicas.
Leia também: Oncoclínicas: Centaurus abre disputa com Latache antes de decisão da CVM sobre OPA
O processo envolve uma reorganização da participação do Goldman Sachs na Oncoclínicas, realizada antes da abertura de capital da companhia em 2021.
O banco mantinha ações da empresa por meio dos fundos Josephina. A Centaurus sustenta que já participava dessa estrutura como coinvestidora antes do IPO e que a reorganização posterior apenas tornou direta uma participação econômica que já existia.
Em novembro de 2024, o Josephina III recebeu 104,6 milhões de ações, equivalentes, à época, a cerca de 16% do capital da Oncoclínicas. A partir dessa reorganização, a Centaurus passou a aparecer publicamente como investidora relevante da companhia.
A discussão é se esse movimento acionou a chamada “poison pill” prevista no estatuto da Oncoclínicas. A cláusula estabelece que o acionista que atingir participação de 15% deve, em determinadas condições, apresentar oferta para adquirir as ações dos demais investidores.
A regra, porém, prevê uma exceção para investidores que já detinham participação igual ou superior a esse percentual no momento do IPO da companhia.
A Centaurus afirma que se enquadra nessa exceção porque já possuía direitos econômicos e políticos sobre as ações antes da abertura de capital, ainda que de forma indireta. Acionistas que contestam essa interpretação sustentam que a gestora só passou a deter diretamente uma fatia superior a 15% após a reorganização.
A área técnica da CVM concluiu que a Centaurus não deveria ser obrigada a fazer a oferta. Recursos foram apresentados contra esse entendimento, e a decisão final ficou para o Colegiado da autarquia.
No julgamento desta terça-feira, os integrantes da CVM vão decidir se a reorganização da participação da Centaurus na Oncoclínicas acionou a regra do estatuto que pode obrigar um acionista a fazer uma oferta pelas ações dos demais investidores.
Impedida de participar da análise, a diretora Marina Copola não votará no caso. Como uma das cinco cadeiras do colegiado está vaga, participam da decisão o presidente da CVM, Otto Lobo, e os diretores João Accioly e Igor Muniz.
O tamanho de uma eventual OPA dependerá principalmente de dois fatores: o preço pago por ação e a quantidade de papéis que poderão participar da oferta.
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Siga o Times | CNBCO estatuto da Oncoclínicas estabelece diferentes parâmetros para a definição do preço, entre eles o valor econômico calculado por avaliação independente e um percentual sobre a maior cotação registrada do papel no período previsto na regra.
Acionistas favoráveis à realização da OPA defendem há meses um valor superior a R$ 16 por ação.
A estimativa de aproximadamente R$ 6,5 bilhões considera um preço próximo desse patamar e as ações que potencialmente poderiam ser entregues à Centaurus. O montante, portanto, não corresponde a um valor já reconhecido ou estabelecido pela CVM.
Mesmo que o Colegiado determine a realização da OPA, o julgamento desta terça-feira pode não definir imediatamente quanto a Centaurus terá de desembolsar. Ainda poderão existir discussões sobre a data de referência, o preço aplicável e quais ações terão direito a participar da operação.
A Latache é uma das principais defensoras da realização da oferta e construiu uma participação relevante na Oncoclínicas após a reorganização dos fundos Josephina.
Antes do aumento de capital realizado pela companhia em novembro de 2025, a gestora possuía aproximadamente 94,8 milhões de ações, o que equivalia a cerca de 14,5% do capital naquele momento.
Se toda essa posição pudesse participar de uma OPA em torno de R$ 16 por ação, o valor chegaria a aproximadamente R$ 1,5 bilhão, segundo cálculos do InvestNews. A estimativa depende, porém, do preço e das condições que eventualmente venham a ser estabelecidas.
Bruno Ferrari, fundador e ex-presidente da Oncoclínicas, também apresentou à CVM manifestação favorável à obrigatoriedade da oferta.
Segundo o InvestNews, com base na última posição acionária publicamente identificada da Ferrari, de aproximadamente 56 milhões de ações, sua participação poderia representar cerca de R$ 900 milhões em uma oferta a R$ 16 por papel. O cálculo pressupõe que ele ainda mantenha as ações e que elas possam participar de uma eventual OPA.
A discussão na CVM é acompanhada por outros embates relacionados à reorganização acionária das Oncoclínicas.
Na véspera do julgamento, a Centaurus abriu um procedimento arbitral contra a Latache na Câmara de Arbitragem do Mercado da B3. A arbitragem corre em sigilo e não interfere na análise do Colegiado da CVM.
No início de agosto, a Polícia Civil de São Paulo indiciou dois representantes do Goldman Sachs por suspeitas de estelionato e fraude em investigação relacionada à estrutura acionária da Oncoclínicas e à não realização da OPA. O banco afirmou, na ocasião, que as acusações não têm fundamento e que acredita ter agido de forma adequada.
O julgamento da CVM pode resolver a principal discussão regulatória do caso, mas não necessariamente encerrar o conflito. Caso a autarquia determine a realização da OPA, o preço, a data de referência e a quantidade de ações elegíveis ainda poderão ser objeto de novas discussões.
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