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ONU alerta para avanço da “lei do mais forte” e erosão de direitos
Publicado 23/02/2026 • 07:34 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 23/02/2026 • 07:34 | Atualizado há 2 horas
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Sede da ONU em Genebra, Suíça.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o mundo vive um momento de forte retrocesso nos direitos humanos, marcado pelo avanço do uso da força sobre o direito internacional. Em discurso na abertura do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, ele afirmou que “a lei da força está substituindo o Estado de direito”.
Segundo Guterres, o cenário atual não é resultado de ações isoladas, mas de um movimento visível liderado, muitas vezes, por países com maior poder político e econômico. “Os direitos humanos estão sob ataque em escala global”, disse.
O alerta ocorre em um contexto de aumento de conflitos, tensões geopolíticas e disputas por poder, com impactos diretos sobre populações civis e sobre a estabilidade internacional.
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O chefe da ONU destacou que violações graves continuam ocorrendo em diferentes regiões. Ele citou a guerra na Ucrânia, que já deixou mais de 15 mil civis mortos, e denunciou violações de direitos humanos em territórios palestinos ocupados.
Além dos conflitos armados, Guterres apontou uma tendência mais ampla de deterioração. Segundo ele, os direitos estão sendo “empurrados para trás de forma deliberada e estratégica”, enquanto a impunidade avança.
O alto comissário da ONU para direitos humanos, Volker Turk, reforçou a preocupação ao afirmar que há uma “competição intensa por poder, controle e recursos”, em um nível não visto nas últimas décadas. Segundo ele, o uso da força como forma de resolver disputas está se tornando cada vez mais comum.
Outro ponto de alerta é o uso da tecnologia. Guterres destacou que ferramentas como a inteligência artificial estão sendo utilizadas para restringir direitos, ampliar desigualdades e aumentar a discriminação, tanto no ambiente digital quanto fora dele.
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O discurso também apontou para um enfraquecimento das instituições democráticas e do sistema internacional. Segundo Guterres, há líderes que atuam como se estivessem acima da lei e das regras multilaterais, utilizando poder econômico, desinformação e influência política para avançar suas agendas.
Ao mesmo tempo, a redução de ajuda internacional por grandes doadores, como os Estados Unidos, agrava o cenário humanitário global, em um momento de aumento das necessidades em diversas regiões.
O secretário-geral destacou que os impactos são mais intensos sobre grupos vulneráveis. Migrantes, refugiados, minorias e comunidades marginalizadas enfrentam maior exposição a abusos, discriminação e violência.
Para a ONU, o risco é de consolidação de um novo padrão global, no qual regras são flexibilizadas e direitos deixam de ser universais.
Guterres fez um apelo para reverter a tendência. Segundo ele, é preciso evitar um cenário em que os mais vulneráveis percam direitos enquanto os mais poderosos deixam de ter limites.
O alerta indica que a discussão sobre direitos humanos volta ao centro do debate global, em meio a transformações políticas, econômicas e tecnológicas que redefinem o equilíbrio de poder no mundo.
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