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Petróleo, presos e poder: o que muda na Venezuela após a captura de Maduro; entenda
Publicado 10/01/2026 • 10:08 | Atualizado há 14 horas
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Publicado 10/01/2026 • 10:08 | Atualizado há 14 horas
KEY POINTS
Foto por MANDEL NGAN / AFP
Presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Eloína Rodríguez Gómez
A Venezuela e os Estados Unidos realizaram, neste sábado (10), um processo para restabelecer relações após a captura do presidente Nicolás Maduro, o que também deu início à liberação gradual de presos por motivos políticos.
A reviravolta na relação turbulenta, interrompida desde 2019, inclui um acordo para reativar a indústria petrolífera venezuelana, que, segundo o presidente americano, Donald Trump, lhe dá a prerrogativa de escolher as empresas que ficarão responsáveis.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do planeta, mas conta com uma infraestrutura muito deteriorada.
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Diplomatas americanos chegaram sexta-feira a Caracas para avaliar nesta “retomada gradual” dos vínculos, informou o Departamento de Estado. O governo interino de Delcy Rodríguez também enviará uma delegação aos Estados Unidos.
As aproximações não prevêem, por ora, uma mudança de regime. Diante disso, Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha, pediu nesta sexta-feira o “reconhecimento explícito” de sua vitória nas eleições presidenciais de 2025, que, em sua avaliação, Maduro lhe roubou de forma fraudulenta.
Sua mentora, líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, será recebida por Trump na próxima semana.
Num primeiro momento, o presidente deixou de fora de seu plano para a Venezuela, que caiu em uma de suas piores crises econômicas durante o governo de Maduro.
Como parte desse roteiro, o governo interino começou a libertar detidos por motivos políticos. A oposição relata cerca de dez libertações, incluindo quatro espanhóis, o ex-candidato presidencial Enrique Márquez e a ativista Rocío San Miguel.
Até meados desta semana, a ONG Foro Penal contabilizou 806 presos políticos na Venezuela, incluindo 175 militares.
Após 36 horas de espera angustiante, familiares desesperados decidiram passar a madrugada de sexta para sábado em acampamentos improvisados em frente à prisão El Rodeo I, perto de Caracas.
Mais cedo, realizaram uma vigília para implorar pela liberação de seus entes queridos.
“Estamos vivendo com essa incerteza há vários dias… Estamos preocupados, muito angustiados, muito ansiosos. Hoje pensamos que tínhamos libertações, mas nada se concretizou aqui”, disse Hiowanka Ávila, de 39 anos, à AFP, enquanto liderava uma oração.
Em frente ao Helicoide, sede dos serviços de inteligência em Caracas, houve poucas entregas na sexta-feira: poucos familiares e muitos veículos oficiais, comentados a AFP.
Na razão das libertações iminentes, Trump afirmou na sexta-feira que cancelou uma “segunda onda de ataques” na Venezuela.
Washington, no entanto, mantém a pressão no Caribe, onde apreendeu um quinto navio petroleiro, o Olina, com petróleo venezuelano e que tentou “driblar as forças norte-americanas”. A embarcação navegará de volta para a Venezuela e o petróleo “será vendido”, anunciou Trump.
Por sua vez, a estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) confirmou em comunicado que o navio estava retornando às “águas venezuelanas”, no qual descreveu como uma “operação bem sucedida em conjunto” entre Caracas e Washington.
No entanto, Trump afirma que conduz os destinos da Venezuela e que mantém boa “sintonia” com Delcy Rodríguez, que nega que o seu governo esteja subjugado.
Ao receber nesta sexta-feira executivos de cerca de vinte petrolíferas na Casa Branca, Trump afirmou que os Estados Unidos vão “tomar a decisão” sobre quais empresas entrarão na Venezuela.
Antes, ele garantiu em uma entrevista que essas empresas estão dispostas a investir até “100 bilhões de dólares”, mas essa descrição não foi mencionada no encontro.
Atualmente, a Venezuela extrai apenas um milhão de barris por dia, menos de um terço de seus melhores tempos.
Desde 2019, durante o primeiro governo de Trump, a indústria petrolífera venezuelana está sujeita a sanções.
Maduro foi capturado em 3 de janeiro, junto com sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação de bombardeio em Caracas que deixou mais de 100 mortos. Ambos foram transferidos para Nova York para responder por acusações de tráfico de drogas e outros crimes.
Os apoiadores do chavismo se mobilizaram pelo sexto dia consecutivo em Caracas na sexta-feira para exigir a libertação de Maduro. “Não aceito que Trump venha dominar o nosso país”, disse Josefina Castro à AFP.
Após a deposição de Maduro, Trump intensificou a pressão sobre a Colômbia e o México, os governos de esquerda ele acusa de serem lenientes com o narcotráfico, chegando inclusive a ameaçar ataques terrestres contra os cartéis.
Mas, em uma ligação telefônica, o líder americano separou as arestas com o presidente colombiano Gustavo Petro, a quem receberá no início de fevereiro, conforme anunciado nesta sexta-feira.
Petro pediu na sexta-feira a Delcy Rodríguez que combatessem “juntos” o narcotráfico, após acertarem as operações contra a guerrilha colombiana do Exército de Libertação Nacional (ELN) na fronteira.
O papa Leão XIV manifestou sexta-feira sua profunda preocupação nesta com a extensão na região e pediu que se “respeite a vontade do povo venezuelano”.
Na Nicarágua, país cogovernado pelos aliados e aliados fiéis de Maduro, Daniel Ortega e Rosario Murillo, pelo menos 61 pessoas foram presas por comemorarem ou manifestarem apoio nas redes sociais à captura do presidente deposto, segundo uma ONG e a imprensa no exílio.
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