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Petróleo sobe mais de 4% após Trump rejeitar proposta do Irã para reabrir Estreito de Ormuz

Publicado 28/09/2026 • 07:57 | Atualizado há 28 minutos

KEY POINTS

  • Petróleo subiu mais de 4% após Donald Trump rejeitar a proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz.
  • Teerã condicionou a reabertura da rota ao fim de medidas militares e econômicas dos EUA, além da liberação de ativos iranianos.
  • A alta do petróleo reacendeu preocupações com inflação, juros e novos impactos sobre os mercados globais.
Donald Trump

Foto: AFP

Os preços do petróleo avançaram mais de 4% nesta segunda-feira (28) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta apresentada pelo Irã para reduzir as hostilidades no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.

Os contratos futuros do Brent para novembro subiram 4,2%, atingindo US$ 108,66 por barril, no maior nível desde 15 de setembro. Nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI) registrava alta de 4,3%, para US$ 96,34.

A reação do mercado reverteu parte do movimento observado na sexta-feira (25), quando o petróleo havia recuado mais de 2% diante da expectativa de que a proposta iraniana pudesse contribuir para aliviar as restrições ao fornecimento.

Leia também: Estoques de petróleo dos EUA avançam quase 3 milhões de barris na semana, diz DoE

Trump rejeita condições apresentadas por Teerã

O Irã apresentou na semana passada um plano que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações nucleares com Washington em até sete dias, desde que os Estados Unidos aceitassem uma série de condições.

A oferta foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Entre as exigências de Teerã estavam o fim das ações militares classificadas pelo governo iraniano como atos de agressão, a suspensão do bloqueio naval, mudanças nas medidas econômicas impostas ao país e a liberação de ativos iranianos congelados.

Trump confirmou a rejeição da proposta ao falar com jornalistas. Segundo ele, o Irã apresentou uma oferta, mas os termos não foram aceitos pela Casa Branca.

Apesar da negativa, o presidente norte-americano indicou que novas negociações ainda podem ocorrer. Em entrevista ao site Axios, Trump afirmou que o governo iraniano busca um acordo, mas que as condições apresentadas não correspondem ao que Washington pretende aceitar.

Segundo o Axios, citando pessoas familiarizadas com as conversas, tratativas indiretas entre Estados Unidos e Irã poderiam ser retomadas já nesta segunda-feira.

Estreito de Ormuz concentra preocupação com oferta de petróleo

O Estreito de Ormuz ganhou ainda mais importância desde o agravamento do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. A passagem marítima é estratégica para o transporte internacional de petróleo e outros produtos energéticos.

As restrições à circulação de navios pela região têm ampliado as preocupações com a oferta global e pressionado os custos de energia em diferentes países.

O cenário também se tornou mais complexo com o avanço dos houthis no entorno do Mar Vermelho. O grupo, apoiado pelo Irã, controla áreas do litoral do Iêmen próximas ao estreito de Bab al-Mandab, outra rota importante para o comércio marítimo internacional.

No sábado, a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen informou ter interceptado projéteis lançados pelos houthis, aumentando novamente a percepção de risco na região.

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Perspectiva de novos ataques amplia incerteza

Segundo o jornal The Wall Street Journal, Trump teria comunicado a assessores que espera uma retomada dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã após as eleições legislativas de novembro. O conflito atual teve início em 28 de fevereiro, após ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.

Trump já havia declarado anteriormente acreditar que os confrontos poderiam terminar pouco depois das eleições de meio de mandato. A expectativa de uma solução mais rápida havia contribuído, em momentos anteriores, para reduzir a pressão sobre os preços do petróleo.

A rejeição da proposta apresentada por Teerã, porém, voltou a elevar o grau de incerteza sobre a duração do conflito e sobre o funcionamento das principais rotas de transporte da região.

Alta do petróleo reacende preocupação com inflação

O avanço das cotações também repercutiu em outros mercados nesta segunda-feira. Os juros dos títulos públicos subiram, enquanto as bolsas apresentaram desempenho misto.

A elevação do petróleo reforçou as preocupações com uma possível aceleração da inflação, já que preços mais altos de energia podem aumentar custos de transporte, produção industrial e serviços.

Nos mercados asiáticos, Seul caiu 2,7% na retomada das negociações após um período de feriado. Tóquio, Xangai, Manila, Mumbai, Bangcoc e Jacarta também registraram perdas. Hong Kong, Sydney, Singapura e Wellington avançaram.

Na Europa, Londres, Paris e Frankfurt operavam em alta.

Os rendimentos dos títulos também voltaram a subir. Segundo dados citados pela imprensa americana, a média de um indicador global de juros dos títulos ultrapassou 4% na semana passada pela primeira vez desde 2007.

Mercado volta a olhar para decisões do Federal Reserve

O impacto do petróleo sobre a inflação também aumenta a atenção dos investidores sobre a próxima reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, prevista para o fim de outubro.

De acordo com o FedWatch, ferramenta do CME Group que acompanha as expectativas do mercado, a probabilidade de um segundo aumento consecutivo dos juros superava 65%.

Antes da decisão, investidores acompanharão novos indicadores econômicos dos Estados Unidos, entre eles a medida de inflação preferida pelo Federal Reserve e dados do mercado de trabalho.

Os números poderão influenciar a avaliação do banco central sobre a necessidade de manter uma política monetária mais restritiva.

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