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Exportadores do Golfo correm por rotas alternativas ao Estreito de Ormuz
Publicado 23/04/2026 • 12:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/04/2026 • 12:15 | Atualizado há 1 hora
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Foto: Unsplash
Estreito de Ormuz: o que está por trás do impasse entre EUA e Irã
Quase dois meses após o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial, produtores de petróleo e gás do Oriente Médio aceleram a busca por rotas alternativas para escoar suas exportações. A guerra entre Estados Unidos e Irã segue sem horizonte de resolução, e ambos os lados utilizam o canal marítimo como moeda de barganha em negociações de paz que avançam e recuam.
Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo movimentado no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. O bloqueio duplo imposto por Teerã e Washington pressionou os preços globais de energia e expôs a vulnerabilidade do mercado diante de pontos de estrangulamento marítimo, como o próprio Ormuz, o Canal de Suez e o Canal do Panamá.
Leia também: Crise energética é a maior ameaça da história, diz chefe da AIE
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos contam com oleodutos que contornam o Estreito de Ormuz, mas nenhum deles consegue absorver o volume movimentado pelo canal. O East-West, saudita, conecta instalações de processamento próximas ao Golfo Pérsico a um terminal de exportação no Mar Vermelho. O ADCOP, dos Emirados, leva o petróleo até o porto de Fujairah.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), os dois oleodutos somam capacidade disponível estimada entre 3,5 e 5,5 milhões de barris por dia. A Arábia Saudita afirmou em março que o seu oleoduto opera com bombeamento de 7 milhões de barris diários. Mesmo assim, os números ficam muito abaixo dos cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados que cruzavam o Estreito de Ormuz diariamente antes da guerra.
Há ainda um gasoduto paralelo ao East-West, o Abqaiq-Yanbu NGL, com capacidade de 300 mil barris por dia, mas a AIE informa que a infraestrutura já opera no limite, sem capacidade ociosa.
A guerra mostrou que as rotas alternativas existentes também estão sob risco. O East-West saudita foi atacado pelo Irã em abril, com queda de cerca de 700 mil barris por dia no fluxo. O porto de Fujairah, ponto final do oleoduto dos Emirados, também sofreu ataques de drones iranianos, o que interrompeu operações de carregamento no terminal de exportação de petróleo bruto.
Maisoon Kafafy, conselheira sênior dos programas para o Oriente Médio do Atlantic Council, afirmou à CNBC que os riscos do Estreito de Ormuz eram conhecidos havia décadas, mas o conflito atual revelou a profundidade dessas fragilidades. Segundo ela, o canal sempre foi o ponto de estrangulamento energético mais documentado do mundo, com riscos mapeados, modelados e precificados nas decisões de infraestrutura da região.
“A arquitetura de dissuasão e as interdependências econômicas em torno do estreito faziam o fechamento total parecer custoso demais para qualquer ator considerar seriamente. O fechamento demonstrou que essas premissas eram quebráveis”, afirmou.
O Iraque opera um oleoduto de quase mil quilômetros até a Turquia, com capacidade total de cerca de 1,6 milhão de barris por dia. O duto estava fechado e deve ser reaberto em breve por causa da disrupção em Ormuz, com capacidade inicial estimada em 250 mil barris diários, segundo informações divulgadas.
Bagdá também avalia projetos antigos de oleodutos para Omã, Jordânia e Egito, planos que haviam sido engavetados em razão de custos, conflitos regionais e ameaças à segurança. Lucila Bonilla, economista-chefe para mercados emergentes da Oxford Economics, declarou à CNBC que a guerra acelerou os investimentos em rotas de contorno e que outros países começam a redirecionar seus fluxos. O resultado, segundo ela, é o enfraquecimento da principal alavanca estratégica do Irã.
Do lado iraniano, há a possibilidade de uso do terminal de Jask para escoar petróleo sem passar pelo Estreito de Ormuz. O oleoduto Goreh-Jask transporta petróleo bruto até o Golfo de Omã e tem capacidade declarada de 1 milhão de barris por dia. A AIE afirma, porém, que tanto o oleoduto quanto o porto seguem efetivamente inoperantes.
Uma carga de teste foi exportada por Jask no fim de 2024, mas nenhuma operação adicional foi registrada desde então. A agência classifica o terminal como uma opção inviável para exportação de petróleo iraniano no momento.
O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, declarou à CNBC nesta quinta-feira (23) que se sente como um “disco arranhado” pedindo aos países que diversifiquem as rotas de fornecimento de energia. Segundo ele, a economia global de 110 trilhões de dólares pode ser sequestrada por algumas centenas de homens armados em um trecho de 50 quilômetros de estreito, situação que classificou como sem sentido.
A guerra também alterou o cálculo de custo-benefício para os produtores do Golfo. Antes do fechamento de fevereiro de 2026, os custos associados ao Estreito de Ormuz, embora elevados, não justificavam o investimento exigido por uma infraestrutura alternativa de larga escala. Estados do Golfo afirmaram à CNBC que o comportamento iraniano criou uma “enorme lacuna de confiança” que pode jamais ser reparada, e sinalizaram a busca por formas permanentes de redirecionar suas exportações.
A maior parte do petróleo que cruzava o Estreito de Ormuz tinha como destino a Ásia, com China, Índia e Japão como principais importadores. A maior parte das exportações de gás natural liquefeito dos Emirados e do Catar também transitava pelo canal, segundo a AIE.
Kafafy avalia que a expansão da infraestrutura existente pode ocorrer em prazo relativamente curto se houver compromisso político, mas que a construção de uma rede multicorredor capaz de oferecer resiliência genuína é uma questão mais complexa. Para ela, a expansão de curto prazo ganha tempo e demonstra seriedade política, enquanto a construção de longo prazo é a única configuração capaz de oferecer resiliência estrutural, e não situacional.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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