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Embarcação no Estreito de Ormuz

CNBCReino Unido vai defender que o Estreito de Ormuz permaneça livre de tarifas, e que o Líbano seja incluído no cessar-fogo com o Irã

Petróleo

“Semanas, se não meses”: tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz não deve normalizar tão cedo

Publicado 09/04/2026 • 06:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Especialistas em navegação e transporte marítimo afirmam que o tráfego pelo Estreito de Ormuz não deve se normalizar tão cedo.
  • A trégua frágil pouco contribuiu para restaurar a confiança dos petroleiros em atravessar o estreito.
  • Analistas disseram à CNBC que a atuação dos houthis no Iêmen, que no ano passado interromperam o tráfego no Mar Vermelho, serve como referência para avaliar a velocidade de uma eventual recuperação do fluxo marítimo.
Estreito de Ormuz é estratégico para a logistica global.

Estreito de Ormuz é estratégico para a logistica global.

Unsplash

A “trégua frágil” entre Estados Unidos e Irã reacendeu a esperança de que a reabertura total do Estreito de Ormuz possa encerrar a crise de oferta de energia que ameaça paralisar a economia global.

Especialistas em navegação e transporte marítimo, no entanto, afirmam que o tráfego por essa rota estratégica de energia não deve voltar ao normal no curto prazo.

O presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que o cessar-fogo está condicionado à “abertura completa, imediata e segura” do Estreito, por onde normalmente transitam cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás.

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O vice-presidente JD Vance reiterou na quarta-feira que a liderança iraniana concordou em reabrir o Estreito de Ormuz.

O Irã, porém, deixou claro que a reabertura será condicional, sujeita à coordenação com as Forças Armadas do país e a limitações técnicas.

A trégua frágil pouco contribuiu para restaurar a confiança das embarcações que precisam atravessar o estreito, especialmente diante de sinais de possível colapso do cessar-fogo, com Israel intensificando os ataques mais letais no Líbano.

O tráfego pelo Estreito de Ormuz ainda não apresentou uma retomada significativa. Na quarta-feira, foram registradas apenas quatro travessias, segundo a S&P Global Market Intelligence.

“As embarcações parecem ainda estar utilizando a rota alternativa modificada a oeste da Ilha de Larak”, informou a consultoria.

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Mais de 400 petroleiros carregados de petróleo e dezenas de navios transportando GNL (gás natural liquefeito) ou GLP (gás liquefeito de petróleo) permanecem ancorados fora do Golfo, aguardando sinal verde para passagem, de acordo com a MarineTraffic, plataforma de rastreamento de navios que utiliza o sistema AIS (Sistema de Identificação Automática).

Os volumes reais de travessia podem ser maiores do que os dados indicam, já que muitos petroleiros desligam seus transponders para evitar possíveis ataques do Irã, mas ainda assim permanecem em níveis muito abaixo dos registrados antes da guerra.

As condições de trânsito, os acordos de pedágio e o arcabouço jurídico para a passagem seguem indefinidos, o que desestimula os armadores a utilizar a hidrovia, segundo a empresa de pesquisa marítima Windward.

“Não está claro se o Irã manterá o controle de Ormuz durante as negociações, mas todos os sinais indicam que a República Islâmica não pretende abrir mão de sua alavancagem durante o período de duas semanas”, afirmou a Windward em nota divulgada na quarta-feira.

As primeiras 48 horas do cessar-fogo serão decisivas para medir a disposição dos armadores em retomar a travessia pelo Estreito, acrescentou a consultoria.

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Estreito segue, na prática, fechado

“Para o nosso setor, a volta à normalidade ainda está a semanas de distância”, afirmou Nils Haupt, da Hapag-Lloyd, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, em entrevista por telefone à CNBC. Segundo ele, a companhia está “no momento evitando” atravessar o Estreito, com base em sua mais recente avaliação de risco.

“A questão não está resolvida […] até que todos os navios tenham deixado o Estreito de Ormuz, porque há centenas de milhares de contêineres em portos na Índia, em Omã e no Paquistão que precisam ser transportados para dentro do Golfo Pérsico.”

“Levará semanas, se não meses, para restabelecer os cronogramas originais de navegação que tínhamos antes do início da guerra.”

A Maersk informou, em comunicado, que embora o cessar-fogo possa criar oportunidades de trânsito, ele ainda não oferece segurança marítima plena e que a empresa precisa “compreender todas as possíveis condições associadas”.

Analistas disseram à CNBC que a atuação dos houthis no Iêmen, que no ano passado interromperam o tráfego no Mar Vermelho, serve de referência para avaliar a velocidade de recuperação do fluxo após um eventual cessar-fogo.

“No Mar Vermelho, com os houthis, o acordo de cessar-fogo foi firmado em janeiro passado e o tráfego não voltou ao normal”, afirmou Nikos Petrakakos, diretor-geral da gestora de investimentos marítimos Tufton, em entrevista à CNBC. “Enquanto houver ameaça de ataque, isso é suficiente. Não é preciso que o ataque aconteça.”

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Uma diferença entre os cenários do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz é a disponibilidade de rotas alternativas, segundo Panagiotis Krontiras, analista de frete de petroleiros da Kpler.

“No primeiro caso, os fluxos marítimos podem ser redirecionados pelo Cabo da Boa Esperança; no segundo, as opções de desvio são muito mais limitadas e, em grande parte, restritas a dutos”, explicou. “Assim, a dinâmica de mercado tende a favorecer uma recuperação mais rápida do tráfego no Estreito de Ormuz.”

Os preços do petróleo bruto WTI dos EUA e do Brent recuaram para cerca de US$ 97 por barril, ante quase US$ 110 antes do anúncio do cessar-fogo na terça-feira, mas ainda permanecem significativamente acima do nível pré-guerra, em torno de US$ 70.

Analistas esperam que o petróleo continue sendo negociado com prêmio em relação ao preço anterior ao conflito por algum tempo, à medida que persistem as interrupções na oferta.

“As disrupções físicas e logísticas não vão desaparecer da noite para o dia”, afirmou Ray Sharma-Ong, vice-chefe global de soluções personalizadas multiativos da Aberdeen Investments. Ele acrescentou que os armadores também enfrentam custos mais altos de frete, seguros contra risco de guerra e formação preventiva de estoques ao redor do mundo.

“Não se trata apenas de uma questão financeira”, acrescentou Petrakakos, observando que cabe aos capitães dos navios decidir se assumem o risco de atravessar o Estreito.

“Por ora, a maioria deles [os capitães] está, com razão, pensando: ‘não importa o valor do bônus, não vale a pena arriscar a minha vida’. Com o tempo, isso pode mudar.”

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