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Incerteza sobre trégua no Estreito de Ormuz mantém pressão e volatilidade no petróleo
Publicado 08/04/2026 • 20:10 | Atualizado há 5 dias
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Publicado 08/04/2026 • 20:10 | Atualizado há 5 dias
KEY POINTS
A reabertura do Estreito de Ormuz e o adiamento do ultimato dos Estados Unidos contra o Irã trouxeram um alívio momentâneo aos mercados, mas a sustentabilidade dessa paz é questionada por investidores, disse Caio Ignacio, acessor de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Apesar da queda recente de 13% nos preços, o analista destaca que o patamar atual ainda é elevado devido ao histórico do conflito. Segundo Caio: “Os preços não voltaram aos patamares do pré-conflito exatamente porque é uma paz temporária, uma trégua temporária. O mercado simplifica essa volatilidade e o medo do que pode acontecer, lembrando que o petróleo subiu mais de 30% desde o início da guerra”.
A possibilidade de novos bloqueios pelo Irã, motivada pela resistência de Israel em cessar ataques ao Líbano, coloca em risco o fornecimento global de energia. Para Caio Ignacio, a ameaça de escassez é um fator real: “O mercado já precificou esse risco desde o começo da guerra. Um simples tweet hoje em dia pode mudar tudo dentro desses 15 dias de trégua. O fechamento do Estreito de Ormuz traria uma provável alta nos preços novamente para os contratos mais curtos de maio e junho”.
No cenário nacional, o recente reajuste de 55% no querosene de aviação pela Petrobras poderá ser revisto caso o preço do barril tipo Brent se estabilize. O analista explicou que as gigantes do setor estão atentas: “Não só a Petrobras, como as big oils do mundo todo, já estão olhando para esse reajuste de preço. Muitas delas estão se posicionando com operações para proteger o valor das negociações de petróleo que devem fazer nos próximos capítulos”.
A queda do dólar para o patamar de R$ 5,10 também foi apontada como um movimento surpreendente, dada a rapidez da variação cambial em menos de um mês. Conforme analisou o especialista, “o dólar é um ativo que tem impacto direto dessa escalada ou não da guerra. Se a gente parar para olhar que há pouco menos de um mês estava a R$ 5,30, estamos falando de uma queda de quase 4%. Mas o risco geopolítico ainda existe e é uma guerra de muita narrativa”.
Diante da instabilidade, a recomendação para o investidor brasileiro tem sido a cautela e a migração para ativos menos arriscados até que o cenário geopolítico se acalme. “Nós não montamos nenhuma operação de hedge específica, o que fizemos foi ser muito mais cautelosos, segurando a exposição a risco e trazendo um pouco mais do dinheiro da renda variável para a renda fixa enquanto vivemos esse momento de conflito”.
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