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Por que Los Angeles tem falta de moradias mesmo com demanda alta

Publicado 26/09/2026 • 23:30 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Construção de apartamentos caiu no primeiro semestre de 2026, enquanto a demanda por moradias continua elevada em Los Angeles.
  • Juros, impostos, taxas e custos maiores reduziram a rentabilidade de grandes empreendimentos imobiliários na cidade.
  • Incorporadores estão priorizando projetos menores, enquanto terrenos com potencial para dezenas de apartamentos permanecem subutilizados.
Los Angeles tem falta de moradias, mas construtoras não estão construindo; por quê?

Foto: unsplash

Los Angeles tem falta de moradias, mas construtoras não estão construindo; por quê?

Los Angeles enfrenta uma forte escassez de moradias, mas as construtoras estão reduzindo o ritmo de novos empreendimentos. Segundo incorporadores ouvidos pelo Los Angeles Times, juros elevados, custos maiores, impostos e regras locais diminuíram a rentabilidade dos projetos. Com isso, terrenos que poderiam receber prédios maiores acabam destinados a construções menores ou permanecem sem uso.

Os números mostram a desaceleração. No primeiro semestre de 2026, o Condado de Los Angeles concluiu 2.376 novos apartamentos, quase 9% menos que no mesmo período de 2025. Além disso, 25.636 unidades estavam em construção, uma queda de cerca de 15% em um ano, segundo a empresa imobiliária Kidder Mathews.

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Juros altos dificultam novos projetos em Los Angeles

O custo do financiamento é um dos principais obstáculos apontados pelos incorporadores. As taxas de juros subiram em 2022 e continuam afetando os projetos imobiliários. Para empresas que dependem de empréstimos, financiar uma obra a 7%, em vez de 2%, reduz significativamente a margem disponível.

A queda no valor dos imóveis multifamiliares também pesa. Em 2022, o preço médio de venda por unidade em prédios multifamiliares novos e existentes no Condado de Los Angeles era de US$ 397.289 (cerca de R$ 2,041 milhões). Em 2026, o valor caiu para US$ 280.591 (R$ 1.442), segundo a Kidder Mathews.

O incorporador Paul Schon sentiu essa desvalorização diretamente. Em 2021, ele vendeu por US$ 6,5 milhões (R$ 33,4 milhões) um prédio de 14 apartamentos que havia construído em Hollywood. Cinco anos depois, recomprou o imóvel por US$ 4,75 milhões (R$ 24,41 milhões).

Impostos e taxas reduzem a rentabilidade

Outro fator citado pelos incorporadores é a Measure ULA, aprovada pelos eleitores de Los Angeles em 2022. A regra cobra imposto de 4% ou 5,5% sobre vendas de imóveis acima de US$ 5,4 milhões (R$ 27,75 milhões). A cobrança inclui edifícios de apartamentos, além de escritórios, estacionamentos e imóveis residenciais.

Durante o verão, houve uma tentativa de isentar edifícios multifamiliares construídos havia menos de dez anos. O Conselho Municipal, porém, arquivou a proposta.

Os custos indiretos dos empreendimentos também aumentaram. Yoni Chriqui, outro incorporador citado pelo jornal, estima que despesas como licenças e inspeções municipais passaram de 10% a 12% do orçamento de uma obra, há 15 anos, para 20% a 25% atualmente.

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As taxas de parques para empreendimentos multifamiliares chegaram a US$ 8.929 (R$ 45.893) por unidade em 2026. Em um prédio com 50 apartamentos, isso representa US$ 446.450 (R$ 2,29 milhões).

Construtoras estão optando por projetos menores

Com as contas mais difíceis de fechar, alguns incorporadores passaram a reduzir o tamanho dos empreendimentos. Chriqui afirmou que profissionais que antes construíam prédios com 20 ou 30 unidades agora preferem projetos de quatro unidades ou menos para ficar abaixo do limite de US$ 5,4 milhões (R$ 27,75 milhões) da Measure ULA.

Ele próprio mudou de estratégia. Em 2023, deixou de construir apartamentos para se concentrar em casas unifamiliares em pequenos lotes.

Um terreno de aproximadamente 1.300 metros quadrados que poderia receber de 40 a 50 apartamentos, por exemplo, terá dez casas unifamiliares. Em outro projeto, com previsão de 56 unidades, Chriqui afirma que conseguiria as licenças em seis meses, mas decidiu não avançar porque os números não fecham. O imóvel, avaliado em US$ 6 milhões (R$ 30,86 milhões) alguns anos atrás, agora vale US$ 3 milhões (R$ 15,43 milhões) e funciona como estacionamento.

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Incentivos ainda não destravam grandes projetos em Los Angeles

A cidade adotou medidas para acelerar a construção, incluindo um processo de licenciamento mais rápido e a Diretiva Executiva 1, voltada para acelerar projetos de abrigos e moradias populares. Ainda assim, segundo os incorporadores, os incentivos de densidade não compensam os custos dos grandes projetos.

Assim, Los Angeles vive um paradoxo: precisa de mais moradias, mas parte das construtoras considera financeiramente inviável construir os prédios maiores e mais densos que poderiam ampliar a oferta de apartamentos.

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