CNBC

CNBCNovo Pixel 11 coloca Gemini no centro da disputa do Google com a Apple por celulares com IA

Tarifas do Trump

Setor moveleiro busca novos mercados após queda nas exportações aos EUA, diz Abimóvel

Publicado 12/08/2026 • 20:40 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Exportações brasileiras de móveis acumulam queda de 42% neste ano, após recuarem 22% no ano passado com o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
  • Apoio da ApexBrasil deve reforçar a busca por novos destinos até 2028, mas setor afirma que substituir gradualmente o mercado americano não será uma tarefa fácil.
  • União Europeia ganha espaço na estratégia de diversificação, enquanto empresas brasileiras mantêm negociações para preservar sua presença no mercado dos Estados Unidos.

O apoio de R$ 210 milhões anunciado pela ApexBrasil será importante para ampliar a busca da indústria moveleira por novos mercados diante das tarifas dos Estados Unidos, segundo Cândida Cervieri, diretora-executiva da Abimóvel, que ressalta, porém, que o setor não pretende abrir mão do mercado americano.

Em entrevista nesta quarta-feira (12) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Cervieri explicou que a indústria já mantém há mais de 25 anos o projeto Brazilian Furniture em parceria com a ApexBrasil e que os novos recursos permitirão ampliar as iniciativas de diversificação dos destinos das exportações.

“O que o governo, o que a Apex está fazendo é nos ajudando nesse momento a buscar novos mercados, a ampliar as suas ações em função do tarifaço”, explicou.

Segundo a executiva, o impacto das medidas americanas já aparece de maneira significativa nas vendas externas do setor. As exportações recuaram 22% no ano passado e acumulam queda de 42% neste ano.

Leia também: Setor moveleiro enfrenta nova instabilidade com tarifaço, alerta Abimóvel

Os Estados Unidos são o principal destino dos móveis brasileiros exportados, o que aumenta a dificuldade de compensar a retração das vendas.

“Com esse novo projeto, a gente está ampliando os recursos para os próximos anos e 2028, em mercados que possam vir a substituir gradualmente o mercado americano. Não é uma tarefa fácil”, ponderou.

Mercado interno não consegue absorver produtos

A retração das exportações também está acompanhada por uma queda na produção da indústria moveleira, enquanto o mercado brasileiro não consegue absorver os produtos que anteriormente eram destinados aos Estados Unidos.

De acordo com Cervieri, parte relevante dos móveis enviados ao mercado americano possui características específicas, incluindo certificações e padrões próprios, que dificultam seu redirecionamento imediato para consumidores brasileiros ou de outras regiões.

Leia também: Tarifaço nos EUA já derrubou 42% das exportações de móveis do Brasil em 2026, diz Abimóvel

“O mercado interno não está conseguindo absorver. E não teria como absorver os produtos que são enviados, que são destinados ao mercado americano. São produtos específicos, com certificações, com normalizações, com características totalmente diferentes do que o mercado interno poderia absorver ou mesmo a Europa ou a América Latina”, detalhou.

A diretora-executiva da Abimóvel considera o mercado americano um dos mais exigentes para a indústria e avalia que essa relação também contribuiu para elevar os padrões de produção das empresas brasileiras.

“Ele ajudou a indústria de móveis a evoluir, a crescer em qualidade e competitividade. Quando essa porta se fecha, muito dificilmente nós conseguimos colocar esse tipo de produto tanto no mercado interno quanto no mercado externo”, ressaltou.

Europa ganha espaço na diversificação

Entre os destinos que podem ganhar relevância na estratégia da indústria está a União Europeia.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Leia também: “Difícil competir com essa disparidade”, diz diretor sobre impacto de tarifaço no setor moveleiro

Cervieri apontou que o acordo com o bloco europeu trouxe condições mais favoráveis para o setor e que os números já mostram crescimento de cerca de 20%. “A gente já vê uma movimentação na França, na Espanha, em Portugal, aderente aos produtos brasileiros”, observou.

A ampliação das vendas para outros países, entretanto, não significa abandonar os Estados Unidos. Segundo a executiva, tanto o governo brasileiro quanto a ApexBrasil consideram o mercado americano estratégico para a indústria nacional de móveis.

“A gente não vai abrir mão do mercado americano, porque ele é muito estratégico”, reforçou.

Brasil representa menos de 1% das importações americanas

Um dos principais argumentos utilizados pelo setor nas negociações é a pequena participação dos móveis brasileiros no total importado pelos Estados Unidos.

Embora o mercado americano represente aproximadamente 30% das exportações brasileiras do setor, Cervieri destacou que os produtos nacionais correspondem a apenas 0,7% das importações de móveis realizadas pelos Estados Unidos.

Em comparação, China, Vietnã, México e outros países respondem, segundo ela, por cerca de 40% das importações americanas do segmento. “Não somos nós, não é o nosso setor que significa uma ameaça ao mercado americano”, argumentou.

Leia também: Sobretaxa dos EUA ameaça indústria brasileira de móveis e já deixa 10 mil demitidos

A estratégia da indústria envolve também uma atuação de diplomacia comercial junto a parceiros e empresários dos Estados Unidos, além da defesa jurídica do setor.

“Desde o primeiro momento, nós entramos com a defesa do setor, nós temos uma banca de advogados cuidando desse assunto. Nós estamos em contato com as empresas que são os nossos parceiros comerciais nos Estados Unidos”, relatou.

Empresários americanos participam das negociações

Cervieri destacou que a articulação com empresas americanas já contribuiu para reduzir algumas das tarifas enfrentadas pelos produtos brasileiros.

Segundo ela, após a entrada de uma tarifa inicial de 10%, posteriormente somada a outros 40%, o setor conseguiu reduzir as alíquotas de determinadas NCMs e produtos para 30% e 25%. “Por quê? Porque a gente trabalhou em sintonia com os empresários americanos, com os nossos correspondentes dos Estados Unidos”, explicou.

Leia também: Tarifaço dos EUA sobre móveis brasileiros agrava queda de 41,7% nas exportações em 2026

Essa estratégia continua sendo utilizada nas negociações. Segundo Cervieri, a própria defesa apresentada pelo setor brasileiro conta com manifestações de empresários dos Estados Unidos favoráveis às empresas nacionais. “Isso está sendo feito. Tanto que, na nossa defesa, nós temos manifestações de empresários americanos”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Tarifas do Trump