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Por que o Paquistão está envolvido no acordo de paz entre EUA e Irã?

Publicado 16/06/2026 • 13:02 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O Paquistão teve um papel fundamental nos esforços para interromper a guerra entre Irã e Estados Unidos.
  • O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif anunciou nesta semana um acordo e o fim “imediato e permanente” das operações militares.
  • O país indicou que continuará preparando o terreno para novas negociações, com uma cerimônia de assinatura prevista para acontecer na Suíça em 19 de junho.

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Bandeiras do Irã e dos Estados Unidos

O Paquistão teve um papel fundamental nos esforços para interromper a guerra entre Irã e Estados Unidos, com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif anunciando nesta semana um acordo e o fim “imediato e permanente” das operações militares.

O país indicou que continuará preparando o terreno para novas negociações, com uma cerimônia de assinatura prevista para acontecer na Suíça em 19 de junho.

Como o Paquistão assumiu um papel central?

Em março, algumas semanas após o início da guerra, Islamabad confirmou que estava intermediando a troca de mensagens entre Teerã e Washington.

A tentativa do Paquistão de levar os dois lados à mesa de negociações foi recebida com elogios e também surpresa.

Para alguns observadores, porém, o movimento fazia sentido.

“O principal ponto era a credibilidade do mediador. O Paquistão se encaixava nesse papel, pois tinha a confiança tanto do Irã quanto dos Estados Unidos”, afirmou à AFP o ex-embaixador do Paquistão em Teerã, Asif Durrani.

Os laços entre Irã e Paquistão são profundos. Os dois países compartilham uma fronteira de 900 quilômetros e conexões culturais, enquanto o Paquistão, de maioria sunita, abriga a segunda maior população xiita do mundo, atrás apenas do Irã.

A relação de Islamabad com Washington é importante, mas também marcada por tensões. O Paquistão forneceu rotas de abastecimento para a Otan e recebeu bilhões de dólares em ajuda dos EUA durante a guerra no Afeganistão. A parceria se desgastou após as forças americanas matarem Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda responsável pelos ataques de 11 de setembro, em território paquistanês, em 2011.

O país também mantém um acordo de defesa com a Arábia Saudita e uma relação considerada “inabalável” com a China, principal parceiro comercial do Irã.

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Quem liderou os esforços de paz?

A influência de Islamabad foi ampliada pelas relações pessoais do chefe do Exército paquistanês, Asim Munir. Como uma das principais figuras militares da região, Munir tinha proximidade com comandantes da Guarda Revolucionária do Irã.

Ele também mantém uma relação próxima com Donald Trump, que passou a chamá-lo de seu “marechal de campo favorito” após os contatos entre os dois durante o período de tensões envolvendo Índia e Paquistão, que contou com mediação do presidente americano.

Munir, ex-chefe da inteligência paquistanesa, assumiu o comando do Exército em 2022. Sua ascensão internacional ocorreu paralelamente ao fortalecimento do papel dos militares na política do Paquistão.

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O que Islamabad conseguiu alcançar?

As expectativas por um acordo aumentaram e depois foram frustradas diversas vezes desde que o Paquistão anunciou um cessar-fogo temporário em abril. O período foi seguido por negociações históricas em sua capital entre delegações iranianas e americanas, que terminaram sem um acordo.

Depois disso, o Paquistão intensificou sua atuação diplomática, com líderes do país realizando dezenas de ligações e reuniões com atores regionais, incluindo Arábia Saudita, Catar e China, além de viagens a Washington e Teerã.

Os confrontos continuaram durante o processo, muitas vezes justamente quando autoridades indicavam avanços.

As partes divergiam principalmente sobre questões envolvendo o programa nuclear iraniano, sanções econômicas e o Estreito de Ormuz.

“O processo de mediação foi, sem dúvida, cansativo e desgastante”, disse Durrani.

Segundo o ex-embaixador, o Paquistão tem uma reputação positiva pelo uso da diplomacia em negociações bilaterais e multilaterais, uma habilidade que acabou sendo útil durante a crise.

O Catar, tradicional mediador em conflitos internacionais, aumentou sua participação nas últimas semanas, coordenando esforços com o Paquistão. O primeiro-ministro paquistanês agradeceu ao país por atuar como “irmãos nesse esforço de mediação”.

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Quais eram os interesses do Paquistão?

A crise no Oriente Médio trouxe aumento da inflação e o risco de uma escalada do conflito próximo ao território paquistanês.

Islamabad voltou a enfrentar a possibilidade de instabilidade em uma região próxima à sua fronteira, onde as autoridades já lidam com uma crescente insurgência.

O país também busca apoio internacional em disputas com dois de seus vizinhos: o Afeganistão e a Índia, sua principal rival, que ameaça interromper rotas marítimas estratégicas.

“Está comprovado que os esforços da Índia para isolar o Paquistão no cenário internacional fracassaram”, afirmou Michael Kugelman, pesquisador do Sul da Ásia no Atlantic Council.

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O que acontece agora?

Ao se apresentar como um mediador e promotor da paz, o Paquistão conseguiu mudar a percepção de parte da comunidade internacional, que antes via o país como um Estado instável e com pouca influência, segundo Kugelman.

Islamabad também espera atrair investimentos e viabilizar um importante gasoduto com o Irã, projeto atualmente travado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos.

O processo, porém, está longe de ser concluído. O acordo inicial ainda não aborda os pontos mais delicados envolvendo o programa nuclear iraniano, o que exigirá novas negociações e colocará desafios para o Paquistão.

“Ser visto como mediador trouxe riscos, como acabar responsabilizado caso as coisas dessem errado. Mas o Paquistão estava disposto a assumir esse risco”, afirmou Kugelman.

Leia mais: Acordo de paz entre EUA e Irã pode ser assinado em 24 horas, diz primeiro-ministro do Paquistão

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