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Projeto de IA do Google na Finlândia gera debate sobre danos ambientais e benefícios econômicos

Publicado 22/10/2026 • 15:40 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • A Finlândia tem 145 novos centros de dados em diferentes fases de planejamento, impulsionados por fatores como clima frio, disponibilidade de terras e estabilidade geopolítica.
  • Mais de 93 mil pessoas assinaram uma petição por regras mais rígidas para os centros de dados e compensações às comunidades afetadas.
  • O Google planeja plantar árvores em 130 hectares em Muhos, mas ambientalistas consideram a iniciativa insuficiente diante da área desmatada.
Google e McKinsey fecham acordo para remover 320 mil toneladas de carbono no Brasil

Foto: unsplash

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O Google derrubou cerca de 400 mil árvores em duas áreas da Finlândia destinadas à construção de centros de dados, segundo estimativas citadas pelo jornal britânico The Guardian. As obras foram temporariamente interrompidas pela Autoridade Finlandesa de Licenciamento e Supervisão (LVV) após a empresa não concluir as avaliações de impacto ambiental exigidas antes do desmatamento.

Em Muhos, no norte do país, aproximadamente 250 mil árvores foram derrubadas em uma área florestal de 330 hectares. Em Otanmäki, cerca de 100 quilômetros a sudeste, a estimativa é de outras 150 mil árvores removidas. Segundo a reportagem, a intervenção em Muhos também levou à retirada da camada superficial do solo.

Os dois locais fazem parte de um projeto de infraestrutura de inteligência artificial avaliado em € 13 bilhões, o maior desse tipo já realizado na Finlândia. A interrupção temporária das obras desencadeou um debate nacional sobre os impactos ambientais dos centros de dados e os benefícios econômicos que esses empreendimentos oferecem ao país.

A Finlândia tem 145 novos centros de dados em diferentes fases de planejamento. A estabilidade geopolítica e geológica, a disponibilidade de terras e o clima frio tornam o país atraente para empresas de tecnologia que buscam reduzir os custos de energia.

Projeto bilionário enfrenta críticas

Na semana anterior à reportagem, Antti Järvinen, diretor do Google na Finlândia, pediu desculpas pelo desmatamento, mas afirmou que a empresa agiu “com base no melhor entendimento que tínhamos da legislação na época”.

A madeira retirada das duas áreas não pode ser vendida a fábricas de processamento, uma vez que as árvores foram derrubadas ilegalmente, segundo o relato. O episódio também provocou questionamentos sobre o uso de fontes renováveis de energia da Finlândia para abastecer grandes empresas internacionais.

Mais de 93 mil pessoas assinaram uma petição que pede maior regulamentação dos centros de dados e a criação de uma taxa para compensar comunidades locais pelos danos ambientais.

Hanna Halmeenpää, presidente do conselho da SLL, organização ambientalista citada na reportagem, disse ter ficado incrédula com a violação da legislação. “Nunca ouvi falar de nenhuma empresa que tenha feito algo assim na Finlândia”, afirmou ao The Guardian. Para ela, a atuação da companhia compromete a confiança que sustenta o sistema do país.

O projeto também recebeu críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defendeu que os centros de dados fossem construídos em território americano e pediu publicamente que o Google reconsiderasse seus planos na Finlândia.

O governo finlandês, por sua vez, incentivou o investimento. No mês passado, quando os planos foram anunciados, o primeiro-ministro Petteri Orpo afirmou que atrair investimentos era uma “prioridade máxima” e que “o valor da economia de dados vai muito além do investimento direto”. Segundo ele, o acordo traria benefícios duradouros para as duas partes.

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Benefícios econômicos e impactos locais

A contribuição econômica dos empreendimentos também é questionada. Jussi Kangasharju, chefe do departamento de ciência da computação da Universidade de Helsinque, afirmou que os centros de dados geram um número limitado de empregos e oferecem poucos benefícios à economia nacional.

“Na verdade, para a Finlândia, não há benefícios”, disse ao The Guardian. Para o pesquisador, as empresas atendem principalmente clientes internacionais, enquanto a arrecadação de impostos corporativos para o país é reduzida.

Com a legislação ainda em processo de atualização, há preocupação de que empresas acelerem o início de projetos antes da implementação de novas regras. Entre as propostas em debate está a criação de um órgão centralizado para coordenar os empreendimentos, em vez de deixar grande parte das decisões a cargo dos municípios.

Em Otanmäki, moradores relatam mudanças na fauna, no ambiente e na rotina da comunidade. Anni Ranta, de 53 anos, cuja família vive na vila há gerações, afirmou que lobos passaram a aparecer na região depois que os animais selvagens deixaram a floresta derrubada. Ela também teme o ruído das obras e considera deixar a localidade.

“Eu não os quero aqui”, disse Ranta sobre o Google. Seu pai, Pentti Korhonen, guia de trilhas aposentado, afirmou que a água de um riacho ficou marrom após a destruição da floresta.

Vesa Hyyryläinen, presidente do distrito local da SLL, disse que os pica-paus-de-três-dedos que nidificavam na área foram expulsos. O biólogo também manifestou preocupação com a facilidade com que, em sua avaliação, a natureza tem sido sacrificada para viabilizar os projetos.

O diretor-geral do Ministério do Meio Ambiente da Finlândia, Veli-Matti Uski, afirmou que o governo monitora o desenvolvimento do setor e a aplicação das leis, e está preparado para propor mudanças legislativas, se necessário.

O Google declarou que trabalha para proteger a qualidade da água na área de Muhos e planeja plantar árvores em 130 hectares do terreno. Ambientalistas, porém, consideram a medida insuficiente diante da dimensão do desmatamento.

Em nota à reportagem, um porta-voz da empresa afirmou: “Operamos na Finlândia há 15 anos e sempre trabalhamos para cumprir ou superar os requisitos de zoneamento, ambientais, de saúde e segurança”.

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