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Protestos contra custo de vida na França terminam em confronto com a polícia e mais de 160 detidos; veja vídeo
Publicado 17/10/2026 • 13:11 | Atualizado há 3 minutos
Publicado 17/10/2026 • 13:11 | Atualizado há 3 minutos
KEY POINTS
AFP
Protestos contra o custo de vida terminaram em confrontos com a polícia em Paris e outras cidades da França neste sábado (17), em meio ao aumento da pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron às vésperas da próxima eleição presidencial.
Mais de 32 mil pessoas participaram de cerca de 140 atos fora de Paris até pouco depois do meio-dia, segundo uma fonte do Ministério do Interior ouvida pela AFP. Mais de 160 pessoas foram detidas em todo o país.
Em Marselha, segunda maior cidade francesa, manifestantes invadiram a prefeitura e foram retirados pela polícia. Em Paris, agentes utilizaram jatos d’água e gás lacrimogêneo após confrontos com centenas de pessoas em diferentes pontos da capital. Alguns manifestantes usavam máscaras e soltaram fogos de artifício.
As sedes das emissoras francesas CNews e Europe 1, no oeste de Paris, tiveram janelas quebradas após serem atingidas por objetos. Milhares de pessoas também participaram de uma marcha pela capital, bloquearam vias importantes e levaram as autoridades a fechar diversas estações de metrô no centro da cidade.
Os protestos ampliam a pressão sobre o governo após semanas de manifestações estudantis que, em alguns momentos, terminaram em violência. A atuação policial também tem sido alvo de críticas por suposto uso desproporcional da força.
A mobilização foi convocada pelo movimento dos Coletes Amarelos, que há oito anos organizou protestos contra o governo Macron em reação a aumentos planejados de impostos sobre combustíveis.
Desta vez, o grupo convocou manifestações sob o lema “amarelos e jovens” e pediu a participação de professores, estudantes, trabalhadores, aposentados e agricultores. Os atos ocorreram no primeiro dia das férias escolares de meio de período.
Em Marselha, manifestantes mascarados usaram barreiras de segurança para arrombar a porta da prefeitura. Alguns entraram no edifício, e um deles pintou o símbolo anarquista “A” em uma parede interna antes da intervenção policial. Um fotógrafo da AFP também registrou ataques de manifestantes a um prédio da polícia na cidade.
“Estamos aqui para protestar contra os recursos deploráveis destinados à educação e contra a brutalidade policial”, afirmou Aude, uma estudante mascarada que não informou o sobrenome.
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Siga o Times | CNBCO aumento dos preços e a estagnação dos salários estão entre as principais queixas dos manifestantes. Em Guéret, no centro da França, cerca de 300 pessoas, um quarto delas estudantes do ensino médio, participaram de um ato.
“No fim do mês, não me sobra nada. Os preços estão subindo, mas os salários não”, disse Franck, funcionário público na faixa dos 40 anos que não informou o sobrenome. “Não aguentamos mais, estamos sufocando”, acrescentou.
Em Rennes, no oeste do país, cerca de 20 pessoas montaram uma barricada com lixeiras e grandes paletes nos arredores de um shopping center.
Christophe, carpinteiro de 47 anos e ex-integrante do movimento dos Coletes Amarelos, afirmou estar indignado com o que considera violência policial contra adolescentes nas últimas semanas.
“Chegamos ao ponto em que a repressão está atingindo nossos próprios filhos”, declarou à AFP.
Em Paris, as autoridades proibiram manifestações nas proximidades de prédios governamentais, da avenida comercial Champs-Élysées e de estações ferroviárias. Na manhã de sábado, cerca de 60 pessoas já haviam sido detidas na capital. Os organizadores informaram que mais de 600 manifestações estavam previstas em todo o país.
Uma pesquisa com 2 mil pessoas, publicada no início do mês, apontou que cerca de 45% dos franceses estão preocupados com o custo de vida e a inflação.
O poder de compra no país vem diminuindo desde 2024, enquanto os preços dos combustíveis dispararam após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no começo deste ano.
A segunda maior economia da zona do euro também enfrenta dificuldades para conter a dívida pública, que deve superar 120% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, o dobro do limite de 60% estabelecido pela União Europeia. Economistas afirmam que uma redução significativa da dívida exigiria reformas importantes, como cortes expressivos no sistema previdenciário francês.
Na sexta-feira (16), Macron pediu “calma e respeito” e afirmou que o direito de protestar deve ser acompanhado pelo “respeito às pessoas e aos bens”.
A mobilização também passou a integrar o debate político. Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda França Insubmissa, apoiou os protestos estudantis e participou de uma manifestação na terça-feira. Marine Le Pen, que lidera as pesquisas de opinião para a disputa presidencial, posicionou seu partido, o Reunião Nacional, ao lado das forças policiais.
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