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Rússia emite mandado de prisão internacional contra Pavel Durov, fundador do Telegram

Publicado 29/07/2026 • 09:49 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • A agência de segurança russa FSB afirmou ter iniciado procedimentos de busca internacional por Pavel Durov, que também é o CEO do Telegram.
  • Durov tem entrado em conflito frequente com as autoridades russas à medida que Moscou aperta o cerco contra a internet.
  • A agência de segurança russa alegou que a plataforma foi usada como recrutamento por serviços de segurança ucranianos.
Telegram

Foto por GIUSEPPE CACACE / AFP

Pavel Durov

A Rússia anunciou nesta quarta-feira, 29, que emitiu um mandado de prisão contra fundador do Telegram, Pavel Durov, sob acusações de “cumplicidade com o terrorismo”, alegando que ele permitiu que a plataforma fosse utilizada para recrutamento pelos serviços de segurança da Ucrânia.

Durov, nascido na Rússia — um empreendedor em série do setor de tecnologia que vive fora do país há anos e possui passaportes da França e dos Emirados Árabes Unidos —, tem entrado em conflito frequente com as autoridades russas à medida que Moscou aperta o cerco contra a internet.

O aplicativo de mensagens Telegram é uma das principais plataformas de comunicação do país, e autoridades têm tentado repetidamente bloquear o acesso ou frustrar o seu sucesso em uma tentativa de pressionar Durov a entregar dados de usuários ou forçar os russos a utilizarem uma alternativa estatal sem criptografia.

A agência de segurança russa FSB afirmou ter iniciado procedimentos de busca internacional por Durov, que também é o CEO do Telegram.

“Foi emitido um mandado de prisão internacional… para o chefe da administração do Telegram, P. Durov”, disse o órgão em um comunicado.

Não ficou claro qual tipo de mandado a Rússia emitiu e se outros países ou órgãos de aplicação da lei aceitariam ou cumpririam a medida.

Advogados de Durov, de 41 anos, recusaram-se a comentar quando contatados pela AFP.

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Guerra nas redes sociais

Moscou frequentemente acusa inimigos políticos de apoiarem o “terrorismo” ou o “extremismo”, incluindo aqueles que deixaram o país.

O FSB alegou que o Telegram foi usado como plataforma de recrutamento por serviços de segurança ucranianos que tentavam coagir russos a cometer atos de sabotagem, e que Durov não removeu “informações proibidas”.

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Rússia e Ucrânia têm acusado uma à outra de usar as redes sociais para recrutar pessoas para apoiá-las nos quatro anos e meio de conflito.

Durov, de 41 anos, tem residido tanto em Dubai quanto na França.

Em 2024, ele foi preso pela polícia francesa sob acusações relacionadas à distribuição de conteúdo ilegal, mas foi posteriormente liberado mediante pagamento de fiança.

Ele deixou a França depois que as autoridades locais suspenderam a proibição de viagens que pesava contra ele.

Nascido em São Petersburgo — cidade natal do presidente Vladimir Putin —, Durov fundou o VKontakte, um site de redes sociais amplamente conhecido como o “Facebook russo”.

Ele foi praticamente forçado a deixar a empresa à medida que ela sofria pressões das autoridades em meados da década de 2010, fundando então o Telegram, uma plataforma de mídia social e aplicativo de mensagens privadas.

O Telegram rapidamente se tornou um dos serviços online mais utilizados na Rússia e frustrou com facilidade uma tentativa de anos das autoridades de internet de Moscou para bloquear o seu acesso dentro do país.

Durov — que é ativo no Telegram — não comentou imediatamente sobre as acusações do FSB.

Este ano, a rede social VKontakte — agora controlada pelo Estado e conhecida como VK — tem promovido o aplicativo de mensagens Max, apoiado pelo governo, instando os russos a migrarem do Telegram e do WhatsApp.

Durov criticou a plataforma, classificando-a como “um aplicativo controlado pelo Estado construído para vigilância e censura política”.

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