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Suíça rejeita plano para limitar população a 10 milhões, evitando confronto com UE
Publicado 14/06/2026 • 14:26 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 14/06/2026 • 14:26 | Atualizado há 1 hora
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Bandeira da Suiça
A Suíça rejeitou neste domingo (14) um referendo que pretendia limitar a população do país a 10 milhões de habitantes. O resultado refletiu a preferência dos eleitores pela estabilidade econômica e pela manutenção dos laços com a União Europeia, apesar das preocupações sobre os impactos da imigração nos serviços públicos e no mercado imobiliário.
A apuração preliminar da consulta nacional indicou que quase 55% dos eleitores votaram contra a proposta, enquanto cerca de 45% se manifestaram a favor.
A votação, frequentemente comparada ao referendo que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia em 2016, gerou apreensão entre empresários, já que sua aprovação poderia colocar fim à livre circulação de trabalhadores entre a Suíça e o bloco europeu, principal parceiro comercial do país.
Defendida pelo partido conservador de direita Partido Popular Suíço, a iniciativa estabelecia que a população não poderia ultrapassar 10 milhões de habitantes antes de 2050. Caso esse limite fosse excedido por dois anos consecutivos, o governo seria obrigado a encerrar o acordo de livre circulação de pessoas com a União Europeia.
O governo suíço havia recomendado a rejeição da proposta. Após a divulgação do resultado, o ministro da Justiça da Suíça, Beat Jans, comemorou a decisão, mas afirmou que o governo continuará avaliando medidas para responder às preocupações da população sobre imigração e habitação.
“Com a decisão de hoje, o eleitorado enviou um sinal de estabilidade, abertura e confiabilidade”, declarou Jans durante entrevista coletiva ao lado do presidente suíço, Guy Parmelin.
Segundo Urs Bieri, do instituto de pesquisas GFS Bern, a proposta fracassou porque, embora a preocupação com o crescimento populacional seja disseminada, muitos eleitores temiam prejuízos às relações com a União Europeia e dificuldades para preencher vagas de trabalho em setores essenciais, como o de cuidados pessoais.
“Também existe a percepção de que, no atual cenário internacional, não é sensato para um país pequeno adotar uma medida desse tipo”, afirmou.
Atualmente, a população suíça é de aproximadamente 9,1 milhões de habitantes e cresce em ritmo mais acelerado do que o observado nos países vizinhos da União Europeia. Estrangeiros representam cerca de 28% da população total, proporção que, segundo projeções oficiais, levará o país a alcançar a marca de 10 milhões de habitantes no início da década de 2040.
Pesquisas de opinião indicavam uma disputa apertada. No entanto, a vitória do campo contrário à proposta foi mais ampla do que muitos analistas previam.
O professor Jan Hesselmann, de 27 anos, morador de Zurique, afirmou estar satisfeito com o resultado, embora tenha demonstrado preocupação com o nível de apoio recebido pela iniciativa. “Esse não é o caminho correto. Isso alimenta a xenofobia”, disse.
A proposta surgiu em meio ao avanço de políticas de restrição à imigração em diversos países europeus. Durante a campanha, cartazes afirmavam que apenas 10% dos imigrantes eram trabalhadores qualificados necessários para a economia e associavam solicitantes de asilo à criminalidade.
A participação eleitoral foi de cerca de 59%, acima da média recente de 48% registrada em referendos suíços.
O presidente do Partido Popular Suíço, Marcel Dettling, afirmou que a iniciativa teve forte apoio nas áreas rurais, mas acabou derrotada pelos eleitores dos centros urbanos. “Nenhum dos problemas foi resolvido. Continuaremos defendendo uma política migratória sensata”, declarou.
Representantes do setor empresarial receberam o resultado com alívio. Entidades econômicas argumentavam que um teto populacional dificultaria a contratação de trabalhadores estrangeiros, prejudicaria a economia e poderia deteriorar as relações entre Berna e Bruxelas.
A associação empresarial Economiesuisse defendeu que o resultado seja utilizado como impulso para ratificar um acordo firmado com a União Europeia no fim de 2024, destinado a aprofundar os vínculos econômicos bilaterais.
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Seguir no GoogleA presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que Bruxelas e Berna continuarão trabalhando em conjunto em benefício dos cidadãos e das empresas dos dois lados.
Os opositores da proposta classificavam a medida como uma receita para o caos, diante das possíveis consequências para a economia e para as relações diplomáticas com a União Europeia.
Eles também questionavam a conveniência de entrar em confronto com Bruxelas após um período turbulento em 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs às exportações suíças as tarifas mais elevadas aplicadas a um país europeu.
Durante a campanha do “não”, cartazes exibiam uma imagem de Trump acompanhada da frase “Romper com a Europa, justamente agora?”.
A deputada federal do Partido Verde da Suíça, Sibel Arslan, afirmou que o resultado demonstra o compromisso da Suíça com a cooperação junto aos seus vizinhos europeus. Ainda assim, alertou que o debate sobre limites populacionais ganhou legitimidade e poderá voltar ao centro da política nacional.
“O dano já foi feito. Isso legitimou a discussão sobre impor um teto à população. O gênio já saiu da garrafa”, afirmou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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