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CNBCTarifas de Trump aumentaram receita de algumas empresas dos EUA: ‘estávamos no lugar certo, na hora certa’

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Tarifas de Trump aumentaram receita de algumas empresas dos EUA: ‘estávamos no lugar certo, na hora certa’

Publicado 29/08/2025 • 00:00 | Atualizado há 4 horas

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Redação CNBC

KEY POINTS

  • Enquanto muitas empresas sofrem com tarifas mais altas, a David’s Bridal transformou sua rede de fábricas globais em fonte de receita extra e fechou novos contratos de produção com outras marcas
  • A empresa, que saiu da segunda recuperação judicial há dois anos, diz que a estratégia já impacta positivamente margens e fluxo de caixa, com mais demanda do que a equipe consegue atender
  • Para a maioria dos negócios, porém, as tarifas significam cortes, demissões e preços mais altos para consumidores — com estimativas de até US$ 2.400 a mais por família nos EUA neste ano.

Foto: MARK SCHIEFELBEIN/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

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Enquanto muitas empresas estão vendo sua margem encolher e o faturamento cair por causa dos custos mais altos para importar produtos para os Estados Unidos, a rede de vestidos de noiva David’s Bridal afirma que está lucrando com a mudança nas regras.

Acho que vou ser a única pessoa a responder assim: as tarifas nos ajudaram”, disse a CEO da David’s, Kelly Cook, ao programa CNBC Make It.

Como a David’s Bridal aproveitou as tarifas para expandir negócios

Segundo Kelly Cook, como a David’s é dona de quase 40 fábricas pelo mundo, a empresa conseguiu transformar sua cadeia produtiva em uma fonte extra de receita. Desde que o presidente Donald Trump anunciou o aumento das tarifas no dia 2 de abril, Cook contou à CNBC Make It que a empresa fechou quase uma dúzia de novos contratos com outras companhias interessadas em fabricar seus produtos nas fábricas da David’s, localizadas em países com taxas mais baixas.

Tem gente que está ganhando com isso”, comenta Brian Pacula, sócio da consultoria de negócios e tecnologia West Monroe. De acordo com uma pesquisa divulgada pela empresa em junho, pouco mais de um terço das companhias americanas dizem estar sentindo efeitos positivos das tarifas.

É difícil apontar exatamente quais tipos de empresas estão se beneficiando das tarifas, mas Pacula destaca que aquelas que produzem principalmente nos Estados Unidos ou que têm fornecedores em países com tarifas menores estão em uma situação melhor para enfrentar essa tempestade de tarifas.

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A David’s Bridal faz parte de um grupo pequeno de empresas que estão ganhando com as tarifas, mas, para a maioria das grandes corporações e pequenos negócios, essa política tem trazido forte pressão, segundo especialistas e empreendedores ouvidos pela CNBC Make It.

O impacto das tarifas varia de acordo com onde as empresas escolhem comprar insumos e fabricar seus produtos. No dia 7 de agosto, entraram em vigor novas taxas para dezenas de países, variando de 10% a 41%. Hoje, a tarifa dos EUA sobre importações da China está em 30%, mas chegou a 145% em abril e pode voltar a esse patamar em novembro.

‘No lugar certo, na hora certa’

A David’s Bridal produz de 90% a 95% do seu estoque internamente, segundo informou à CNBC em março. Kelly Cook explica que os centros de design e produção da empresa, espalhados pelo mundo, fabricam não só vestidos de noiva, mas também malas, ternos masculinos, roupas de banho, calçados e até itens para casa.

Quando Donald Trump anunciou as tarifas, muitas empresas que produziam majoritariamente na China começaram a buscar alternativas em países com taxas menores, como Vietnã e Sri Lanka — onde a David’s já possuía fábricas, diz Cook. Importações desses dois países hoje pagam tarifa de 20%.

Estamos presentes em vários países há muitos anos, e fizemos isso só para controlar custos”, conta Cook. “Agora, essa decisão está dando resultado.

A David’s Bridal, que saiu de sua segunda recuperação judicial há dois anos, não revelou quanto esse aumento de negócios vai impactar no faturamento do ano, mas um porta-voz da empresa afirmou que isso “está tendo um efeito positivo no fluxo de receita e nas margens de lucro para 2025 e 2026”.

Estávamos no lugar certo, na hora certa”, diz Cook. “Hoje, temos mais demanda de outras marcas do que minha equipe consegue atender… O negócio simplesmente explodiu.

Pequenos negócios estão sentindo o baque

Os pequenos negócios — que normalmente têm menos capital e pouca influência política — estão especialmente vulneráveis, segundo empreendedores e especialistas. Alguns precisaram demitir funcionários e cortar salários para sobreviver, e outros correm risco até de fechar as portas porque não conseguem pagar as taxas na alfândega, relataram donos de pequenas empresas à CNBC Make It.

Até grandes marcas estão sendo afetadas: a Nike, por exemplo, calcula que terá um custo extra de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões) por causa das tarifas criadas por Donald Trump, segundo o diretor financeiro da empresa, Matthew Friend, em teleconferência de resultados em junho.

Assim como a David’s Bridal, algumas empresas estão buscando novas fontes de receita para compensar o aumento dos custos. Quase 1 em cada 5 donos de negócio afirma que mudou de ramo ou abriu uma nova empresa como resposta direta ao tarifaço, investindo em média US$ 20 mil (cerca de R$ 108 mil), segundo pesquisa recente com 250 empresários realizada pela Clarify Capital.

Mas isso não é tarefa fácil, diz Beth Benike, CEO da Busy Baby, empresa que fabrica tapetes para bebês e brinquedos de dentição na China. Ela conta que, recentemente, passou a ganhar um pouco alugando espaço no galpão da Busy Baby, em Minnesota, para que outras duas empresas guardassem seus produtos.

Estamos trazendo uma receita extra que está nos ajudando a sobreviver”, afirma. “Muita gente está procurando o Meio-Oeste para guardar seus estoques… Como temos custos mais baixos, conseguimos cobrar menos.

Porém, esse dinheiro a mais é só um alívio momentâneo, diz ela. O galpão fatura cerca de US$ 10 mil (aproximadamente R$ 54 mil) por mês, mas US$ 7 mil (cerca de R$ 38 mil) vão só para o aluguel, segundo Benike. Ela negocia com outras empresas interessadas no espaço, mas, se as tarifas atuais sobre produtos chineses continuarem, a Busy Baby vai cobrar uma taxa extra de 10% no caixa até o fim do ano.

Preços para o consumidor devem subir ainda mais

Segundo Brian Pacula, não importa se as empresas continuam comprando de fornecedores estrangeiros afetados pelas tarifas ou se mudam para produtores nacionais — normalmente mais caros —, o custo de produção vai aumentar e, no fim, quem vai pagar a conta é o consumidor.

Pequenos negócios, como a Busy Baby, e gigantes como o Walmart, já avisaram que terão de aumentar preços para continuar funcionando. Por isso, as tarifas podem custar, em média, US$ 2.400 (cerca de R$ 13 mil) a mais por família nos EUA em 2025, conforme estimativa do Budget Lab da Universidade Yale, centro de pesquisa independente.

Se as empresas não repassarem esse custo maior para os clientes, “isso vai aparecer de outro jeito: margens mais baixas, lucros menores, queda no preço das ações”, explica Pacula. “Ou dói no nosso bolso na hora de pagar no caixa, ou vai pesar mais tarde no nosso fundo de aposentadoria.

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