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Tarifas do Trump

Historicamente protegidos, aço e alumínio seguirão com tarifa de 50% nos EUA

Publicado 23/02/2026 • 13:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Setores de aço e alumínio ficam fora da nova tarifa global de 15%, mas mantém sobretaxa de 50%
  • Indústria aposta em diplomacia entre Lula e Trump para rever medidas da Seção 232
  • Queda de 7% nas vendas aos EUA em 2025 pressiona setor, que vê cenário melhor em 2026

Os setores de aço e alumínio ficaram de fora da nova tarifa global de 15% anunciada pelo governo de Donald Trump, no entanto seguem submetidos à sobretaxa de 50% para exportações ao mercado americano.

A cobrança foi estabelecida com base na Seção 232 da legislação dos Estados Unidos, sob o argumento de segurança nacional e reindustrialização da indústria siderúrgica americana, e permanece em vigor em 2026.

A indústria siderúrgica americana também é uma das que mais emprega nos estados do Meio-Oeste americano, vários deles conhecidos como “estados pêndulo” nas eleições presidenciais, capazes de decidir as eleições para um partido ou outro, por isso o olhar para esse setor com tanto “cuidado”.

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Aço não teve alívio com decisão da Suprema Corte

Segundo Ricardo Martins, presidente da Abimetal Cicetel, a decisão da Suprema Corte que derrubou parte do chamado “tarifaço” não trouxe benefício ao setor de aço.

“A verdade é que o Donald Trump não nos dá trégua. Para essa oportunidade que a Suprema Corte proporcionou aos exportadores para os Estados Unidos, o aço não se beneficiou”, afirmou.

Ele lembra que outros produtos, como combustíveis, carne, café e celulose, passaram a contar com alíquotas menores. O Brasil, no conjunto, acabou relativamente beneficiado, mas o setor siderúrgico permanece com a tarifa de 50%.

“O Brasil saiu beneficiado mais do que todos os outros, mas vale lembrar que nós também éramos um dos mais prejudicados”, disse.

Diplomacia é principal aposta para o aço

Martins avalia que a reversão da tarifa de 50% sobre o aço depende mais de negociação diplomática do que de uma nova decisão judicial.

“Eu aposto mais na diplomacia. É muito importante que o governo Lula demonstre que o comércio com os Estados Unidos só faz bem a eles”, afirmou.

Para ele, o Brasil não oferece concorrência desleal, já que mantém déficit comercial com os EUA. “Os Estados Unidos não têm nenhuma necessidade de aplicar tarifas ao Brasil”, disse.

O dirigente também avalia que a Seção 232 dificilmente será revertida pela Suprema Corte. “Eu não acredito que a sessão 232 possa sofrer alteração”, declarou.

Exportações de aço caíram em 2025

Em 2025, as vendas de aço para os Estados Unidos registraram queda próxima de 7%. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para o mercado americano, mas boa parte do volume é composta por produto siderúrgico primário, com menor valor agregado.

“Apesar de a gente ser o segundo maior fornecedor de aço, isso para a nossa balança comercial acaba não sendo tão importante”, afirmou Martins.

Ele aponta que setores como máquinas e equipamentos, que têm os Estados Unidos como principal destino, podem impulsionar indiretamente a demanda por aço brasileiro caso ampliem exportações.

Indústria vê cenário mais favorável em 2026

Para 2026, o setor enxerga melhora relativa no ambiente doméstico. O governo brasileiro elevou tarifas de importação para diversos produtos siderúrgicos e ampliou medidas antidumping.

A China também adotou controle por cotas para exportação de cerca de 300 produtos siderúrgicos, o que pode reduzir a pressão sobre os preços globais.

“Controle por cotas da exportação chinesa, antidumpings aprovados pelo governo brasileiro e tarifas maiores para importação acabam nos trazendo um cenário melhor do que nós tínhamos em 2025”, afirmou o presidente da Abimetal Cicetel.

Apesar disso, o setor de aço segue atento às investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos e ao risco de novas alterações tarifárias ao longo dos próximos meses.

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