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Europa reage ao “caos tarifário puro” dos EUA e alerta que acordos comerciais estão em risco
Publicado 23/02/2026 • 07:25 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 23/02/2026 • 07:25 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Mark Schiefelbein / AP / Estadão Conteúdo
O presidente norte-americano Donald Trump.
A Europa alertou que acordos comerciais firmados com os Estados Unidos podem agora estar em risco depois que o presidente Donald Trump anunciou, no fim de semana, uma nova tarifa global de 15% sobre todas as importações.
A medida de Trump veio após a Suprema Corte dos EUA derrubar, na sexta-feira (20), sua política de tarifas globais implementada na primavera passada, que havia abalado a ordem comercial global de longa data.
O presidente reagiu à decisão da Suprema Corte anunciando inicialmente uma nova taxa universal de 10%, utilizando um arcabouço jurídico diferente para as tarifas mais recentes, mas depois elevou a alíquota global para 15% — o máximo legal que pode vigorar por 150 dias antes de exigir aprovação do Congresso.
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As novas tarifas de importação são “efetivas imediatamente”, disse Trump em uma publicação no Truth Social no sábado (21).
Autoridades na Europa e em Londres expressaram alarme e consternação diante da mais recente turbulência nas relações comerciais globais, afirmando que a nova política tarifária de Trump pode comprometer acordos comerciais assinados com os EUA no ano passado.
Eles pediram mais clareza à Casa Branca sobre o que o novo marco tarifário significa na prática para seus respectivos acordos comerciais, que fizeram com que a maioria das exportações da União Europeia para os EUA passasse a enfrentar uma tarifa de 15%, enquanto as do Reino Unido foram submetidas a uma taxa de 10%.
Leia também: Tarifa global de 15% imposta por Trump começa a vigorar na terça-feira
“Caos tarifário puro por parte da administração dos EUA”, reagiu no domingo o presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, dirigindo-se à Casa Branca.
“Ninguém consegue mais entender — apenas perguntas em aberto e crescente incerteza para a UE e outros parceiros comerciais dos EUA”, escreveu Lange na rede social X.
“As novas tarifas… não configuram uma violação do acordo? De qualquer forma, ninguém sabe se os EUA irão cumpri-lo — ou sequer se poderão”, disse Lange, acrescentando que “clareza e segurança jurídica são necessárias antes de qualquer passo adicional”.
A comissão de comércio do Parlamento Europeu deve realizar uma reunião de emergência na segunda-feira para discutir a mais recente medida comercial de Trump, e Lange afirmou que proporá suspender a implementação do acordo comercial entre EUA e UE até que o bloco tenha “uma avaliação jurídica abrangente e compromissos claros dos EUA” sobre as novas tarifas.
O chanceler alemão Friedrich Merz disse à emissora alemã ARD que haverá “uma posição europeia muito clara sobre isso” antes de sua visita à Casa Branca no início de março, mas deixou a cargo da Comissão Europeia, em Bruxelas, a definição de como a UE responderá às tarifas.
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Já o ministro do Comércio da França, Nicolas Forissier, sugeriu que Bruxelas poderia reagir contra Washington. Em entrevista ao Financial Times, Forissier pediu que os membros da UE “não sejam ingênuos” e adotem uma abordagem unificada diante da nova posição comercial da Casa Branca.
O Reino Unido também questionou como a nova política tarifária afetará seu acordo comercial com os EUA, que, por ter uma taxa básica de 10%, havia colocado o país em vantagem competitiva em relação aos vizinhos europeus.
“Em qualquer cenário, esperamos que nossa posição comercial privilegiada com os EUA continue e trabalharemos com a administração para entender como a decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o resto do mundo”, disse um porta-voz do governo britânico no fim de semana.
A reação amarga da Europa à nova política tarifária significa que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, terá trabalho para tranquilizar parceiros de que os acordos firmados no verão passado ainda estão de pé.
Greer defendeu no domingo a posição tarifária de Trump, afirmando que a política comercial do presidente não mudou fundamentalmente e que os acordos continuam válidos.
“A política do presidente continuaria. Foi por isso que eles assinaram esses acordos, mesmo enquanto o litígio estava em andamento. Estamos tendo conversas ativas com eles. Queremos que entendam que esses acordos serão bons acordos. Esperamos cumpri-los. Esperamos que nossos parceiros também os cumpram”, disse ele ao programa Face the Nation, da CBS.
“E ainda não ouvi ninguém vir até mim e dizer: ‘o acordo acabou’. Eles querem ver como isso se desenrola. Estou em conversa ativa com eles sobre isso”, acrescentou.
Leia também: Brasil pode ser o maior beneficiado por nova tarifa global de Trump
À primeira vista, as tarifas comerciais atuais dos EUA sobre a UE não estão mudando, já que a nova taxa de 15% é a mesma prevista no acordo comercial. As exceções também permanecem, com produtos farmacêuticos, minerais críticos, fertilizantes e certos produtos agrícolas isentos, enquanto outras tarifas sobre exportações de automóveis e aço continuam iguais.
No entanto, quem tinha tarifas mais baixas inicialmente acaba sendo mais prejudicado, com o Reino Unido em desvantagem considerável caso a taxa prevista em seu acordo comercial não seja respeitada.
Em termos ponderados pelo comércio, o Reino Unido enfrenta um aumento de 2,1 pontos percentuais em sua tarifa média, enquanto a UE vê alta de 0,8 ponto, segundo análise da organização de monitoramento comercial Global Trade Alert, sediada na Suíça. Em contraste, a taxa do Brasil cai 13,6 pontos e a da China recua 7,1 pontos.
Tina Fordham, fundadora da Fordham Global Insight, disse à CNBC na segunda-feira que os aliados mais próximos dos EUA parecem ser os mais afetados pelo que descreveu como o mais recente “caos comercial”, mas concordou que é necessária mais clareza por parte das autoridades americanas.
“Esta é uma administração que não pensa muito nos efeitos de segunda ou terceira ordem, e então o que estamos vendo é que aqueles países que tentaram agir cedo e fechar um acordo vantajoso quando o presidente começou a falar dessas taxas… estão sendo penalizados”, afirmou ao programa Europe Early Edition, da CNBC.
Os mercados europeus abriram em queda na segunda-feira, refletindo o nervosismo dos investidores com a última medida tarifária. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou no domingo que a relação empresarial transatlântica pode sofrer como resultado da incerteza comercial.
“É extremamente importante que todos os participantes do comércio, tanto fora quanto dentro dos Estados Unidos, tenham clareza sobre o futuro das relações”, disse ela ao Face the Nation da CBS.
“É um pouco como dirigir. Você quer conhecer as regras da estrada antes de entrar no carro. É o mesmo com o comércio”, acrescentou.
“Se isso [a nova política tarifária] abalar todo o equilíbrio ao qual as pessoas no comércio haviam se acostumado… isso certamente provocará perturbações nos negócios”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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