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EXCLUSIVO CNBC: Bessent minimiza dívida de US$ 40 trilhões enquanto EUA ampliam recompra de títulos

Publicado 20/08/2026 • 17:23 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Tesouro americano pretende aumentar as recompras de títulos, com operações que podem superar US$ 4 bilhões por emissão, segundo Scott Bessent.
  • Secretário afirma que rendimentos dos papéis não refletem fundamentos econômicos e aponta baixa liquidez, especialmente nos títulos de 30 anos.
  • Bessent diz que não há “nada de mágico” na dívida de US$ 40 trilhões e prevê maior foco do governo Trump na consolidação fiscal.

O Tesouro dos Estados Unidos vai intensificar a recompra de títulos públicos, com operações que podem superar US$ 4 bilhões (R$ 20,76 bilhões) por emissão, em uma tentativa de ampliar a liquidez em áreas do mercado que apresentam pouca negociação, afirmou o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.

Em entrevista nesta quinta-feira (20) à CNBC, Bessent disse que o governo pretende sinalizar ao mercado que os atuais rendimentos dos títulos não refletem integralmente os fundamentos econômicos. “Fazemos recompras rotineiramente e vamos aumentar o volume dessas operações. E, sabe, Sara, eu gostaria de ressaltar que o valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão”, afirmou.

Recompras devem ganhar força

Segundo Bessent, o baixo nível de negociação em determinados segmentos do mercado, somado ao grande volume de emissões corporativas registrado em agosto, tem pressionado os títulos. O secretário afirmou que o Tesouro pretende atuar para criar mercado para esses papéis.

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Acreditamos que há muitos fatores fundamentais que o mercado não está levando em consideração”, disse Bessent. Ao ser questionado sobre até onde o governo estaria disposto a avançar nas recompras, o secretário afirmou que o Tesouro dispõe de um “grande kit de ferramentas” e acompanhará o comportamento do mercado.

Bessent destacou especialmente a situação dos títulos com vencimento em 30 anos, nos quais considera a liquidez muito baixa. “Acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos econômicos subjacentes sobre este conflito no Irã. Nós vamos superar essa situação. Não sabemos quando”, avaliou.

O secretário também antecipou que o governo deverá anunciar, no fim desta semana ou no início da próxima, uma iniciativa com maior foco na consolidação fiscal. Segundo ele, Donald Trump, o diretor do Escritório de Gestão e Orçamento, Russ Vought, e o próprio Bessent analisarão medidas tanto pelo lado das receitas quanto das despesas.

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Dívida de US$ 40 trilhões

Questionado sobre a dívida pública americana ter alcançado US$ 40 trilhões (R$ 207,6 trilhões), Bessent minimizou a importância do patamar nominal e afirmou que há desinformação no mercado sobre a situação fiscal dos Estados Unidos.

Não há nada de mágico no número de US$ 40 trilhões e nós podemos crescer para superar isso”, afirmou. Para Bessent, é necessário observar principalmente a evolução do déficit em relação ao tamanho da economia americana.

O secretário disse acreditar que houve consolidação fiscal durante o ano-calendário de 2025, quando o déficit ficou em torno de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB). “Acho que houve muita desinformação em termos do que está acontecendo com o déficit, o que está acontecendo com o déficit em relação ao PIB”, pontuou.

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Entre os fatores temporários que estariam afetando as contas públicas, Bessent citou os reembolsos de tarifas. Segundo ele, esse desembolso não deverá se repetir, enquanto a expectativa é de que a receita tarifária de 2026 fique aproximadamente no mesmo nível observado em 2025, contribuindo para a consolidação orçamentária.

Investimentos e receitas

Bessent também apontou como fator relevante para as receitas o impacto da dedução imediata de investimentos em fábricas, equipamentos e estruturas agrícolas. Na avaliação do secretário, embora isso pressione a arrecadação no curto prazo, o efeito deve ser positivo para a economia no futuro.

Isso não é gasto governamental, é, na verdade, um investimento no futuro. E nós estamos aumentando a base tributária”, afirmou. Bessent comparou o processo a “puxar o estilingue”, argumentando que os investimentos atuais deverão gerar capacidade produtiva à medida que novas fábricas começarem a operar neste e no próximo ano.

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Questionado se o déficit já teria atingido seu pico durante o atual governo, o secretário afirmou que existe uma “chance muito, muito boa”, mas ressaltou que a administração terá de manter forte disciplina sobre as contas públicas.

Teremos que estar muito focados como um laser”, disse Bessent. Ele acrescentou que, juntamente com as iniciativas do presidente, do diretor do OMB e da força-tarefa contra fraudes liderada pelo vice-presidente, o governo poderia obter uma economia de “várias centenas de bilhões de dólares”.

Mercado pode ter se antecipado

Bessent também rebateu preocupações sobre as necessidades de financiamento dos Estados Unidos e a dependência de investidores estrangeiros para absorver títulos do Tesouro.

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Ao comentar a atuação americana junto ao Japão no mercado cambial, o secretário sugeriu que o governo dispõe de informações que ainda não estão plenamente refletidas nas negociações. “As pessoas têm informações ruins, eu tenho informações assimétricas”, afirmou.

Bessent disse que os investidores deveriam considerar por que os Estados Unidos decidiram participar da intervenção japonesa neste momento e relacionou a decisão à atuação do governo no mercado de títulos. “O que eu sei que o mercado não sabe?”, questionou.

Para o secretário do Tesouro, a reação recente dos investidores pode ter ido além do que os fundamentos justificariam. “Eu acho que o mercado provavelmente se adiantou um pouco”, concluiu.

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