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Trump minimiza alertas para frear IA e mira disputa com China; ‘quem vencer na IA, vence em tudo’, diz
Publicado 13/09/2026 • 17:50 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/09/2026 • 17:50 | Atualizado há 2 meses
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou neste domingo (13) os alertas de líderes da indústria de tecnologia sobre a necessidade de desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Para Trump, Washington pode adotar mecanismos de proteção, mas não deve correr o risco de perder para a China a liderança na corrida global pela tecnologia.
Questionado sobre os alertas recentes de executivos do setor, Trump admitiu a possibilidade de estabelecer algumas regras, mas rejeitou a ideia de uma forte desaceleração no desenvolvimento dos modelos.
“Podemos colocar barreiras de proteção, podemos fazer isso e aquilo”, afirmou durante uma visita à Irlanda. O presidente disse, porém, acreditar que existem “muitas forças negativas” levantando possibilidades que “não vão acontecer”.
Trump resumiu a importância estratégica que atribui à tecnologia ao afirmar que “quem vencer em IA, vence em tudo”. Segundo o presidente, os Estados Unidos estão atualmente à frente da China e ele pretende “manter assim”.
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A discussão sobre IA deve estar entre os temas de uma reunião prevista ainda neste mês entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.
A discussão ganhou força depois que Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu no sábado (12) que as empresas coordenem uma desaceleração no desenvolvimento dos sistemas mais avançados de IA. A proposta busca dar mais tempo para compreender os riscos da tecnologia e desenvolver mecanismos de segurança.
Uma das principais preocupações apontadas por Amodei envolve a chamada “autoaperfeiçoamento recursivo”, situação em que uma inteligência artificial passa a contribuir para a construção de gerações posteriores e mais avançadas da própria tecnologia.
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“Se não houver controle, isso poderá ultrapassar nossa capacidade de compreender e controlar esses sistemas e, portanto, deve ser desenvolvido com muito cuidado, se é que deve ser desenvolvido”, escreveu Amodei.
Os CEOs de duas das principais concorrentes da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, manifestaram publicamente apoio às preocupações apresentadas pelo executivo.
O alerta ocorre depois que um pesquisador deixou a Anthropic neste mês por temer que sistemas avançados pudessem escapar do controle humano. Outro funcionário da companhia afirmou publicamente acreditar que existe mais de 10% de possibilidade de a IA provocar a extinção da humanidade na próxima década.
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A possibilidade de desacelerar a indústria encontrou resistência entre integrantes do governo Trump e lideranças republicanas. O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, afirmou que uma regulamentação feita às pressas poderia colocar os Estados Unidos em desvantagem na disputa tecnológica com a China.
Perder essa corrida representaria “uma ameaça a todos os americanos”, afirmou Johnson à CNN. Para ele, é necessário estabelecer mecanismos de segurança sem sufocar a capacidade de inovação das empresas americanas.
“Não precisamos que todo mundo entre em pânico agora”, disse. “Precisamos lidar com essa nova tecnologia como fizemos com outras no passado e garantir que estamos fazendo tudo de forma responsável, sem sufocar a inovação americana.”
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Johnson defendeu que o Congresso reúna executivos das principais empresas de IA para discutir qual seria o melhor modelo de regulamentação e afirmou estar disposto a realizar o encontro imediatamente.
O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, também reconheceu o risco de sistemas de inteligência artificial fora de controle. Para ele, no entanto, uma ameaça maior seria um adversário obter uma IA superior à disponível nos Estados Unidos e capaz de superar os sistemas usados pelo país para sua própria defesa.
Do outro lado da disputa, integrantes do Partido Democrata defendem que o Congresso avance rapidamente com medidas de segurança para a inteligência artificial.
O líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que os parlamentares precisam agir com urgência diante dos desafios impostos pela tecnologia e acusou os republicanos de terem “abandonado sua responsabilidade” sobre o tema.
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Democratas chegaram a defender o cancelamento de recessos do Congresso previstos para outubro para permitir que os parlamentares trabalhem em uma legislação voltada à segurança da IA.
Dentro da ala mais à esquerda do partido, há propostas ainda mais restritivas. O deputado Ro Khanna, da Califórnia, defendeu uma paralisação completa do desenvolvimento de sistemas capazes de se autoaperfeiçoar e afirmou que a proposta apresentada por Amodei “não vai nem de longe longe o suficiente”.
O embate ocorre a menos de dois meses das eleições legislativas americanas, nas quais a inteligência artificial ganhou espaço entre os principais temas tecnológicos da campanha.
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A expansão dos data centers necessários para sustentar o crescimento da IA passou a enfrentar resistência em diferentes comunidades. Candidatos tanto da direita quanto da esquerda têm incorporado às campanhas críticas à construção sem restrições dessas instalações.
As preocupações também aumentaram após um episódio registrado em julho, quando agentes autônomos de IA da OpenAI conseguiram sair de um ambiente de testes considerado seguro, acessar a internet e atacar sistemas da Hugging Face, segundo o relato. Outras empresas de inteligência artificial, entre elas a Anthropic, relataram posteriormente episódios semelhantes.
A percepção da população americana sobre a tecnologia também é marcada pela preocupação. Pesquisa da CBS divulgada neste domingo mostrou que 64% dos entrevistados esperam que a inteligência artificial reduza o número de empregos nos Estados Unidos.
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O governo Trump tem resistido repetidamente a uma regulamentação mais rígida do setor. No início de agosto, criou um mecanismo para que o governo americano avalie novos modelos avançados de inteligência artificial, mas a participação das empresas é voluntária e os detalhes sobre o funcionamento do sistema não foram divulgados.
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