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China restringe “namorados virtuais” de inteligência artificial

Publicado 27/08/2026 • 23:59 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • China restringe recursos de “namorados virtuais” criados com inteligência artificial.
  • Plataformas terão de combater dependência emocional e alertar usuários sobre riscos.
  • ByteDance, Alibaba e Tencent já desativaram ferramentas de personalização de chatbots.
China restringe “namorados virtuais” de inteligência artificial

Foto: magistic

China restringe “namorados virtuais” de inteligência artificial

A China começou a restringir os chamados “namorados virtuais” de inteligência artificial (I.A). Desde 15 de julho, uma regulamentação nacional estabelece regras específicas para sistemas desenvolvidos para criar relacionamentos emocionais contínuos com usuários.

A norma não proíbe os serviços de companhia virtual, mas determina limites para a forma como eles podem interagir com as pessoas. As plataformas não podem desenvolver sistemas que substituam a interação social, exerçam controle psicológico ou estimulem dependência e vício.

Além disso, segundo o El País, os modelos destinados a adultos não podem buscar agradar excessivamente o usuário, manipular suas emoções, influenciar decisões ou prejudicar seus relacionamentos com outras pessoas.

Para menores de idade, a restrição é mais ampla: os serviços não podem oferecer recursos antropomórficos que levem a relacionamentos íntimos virtuais.

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Chatbots terão novas obrigações

A regulamentação também determina que as empresas deixem claro quando o usuário estiver conversando com uma I.A. Caso o sistema identifique sinais de dependência excessiva, a plataforma deverá alertar a pessoa e lembrá-la sobre o tempo de uso.

As empresas também precisam adotar medidas diante de situações de risco. Nesse sentido, quando houver possibilidade de autolesão ou suicídio, os serviços devem intervir e notificar um contato de emergência.

Além disso, a Administração do Ciberespaço da China, órgão responsável pela regulação da internet, justificou as regras com preocupações relacionadas à saúde física e mental dos menores e, consequentemente, à vida e à saúde dos cidadãos.

Empresas cortam funções de companhia

As mudanças já chegaram aos principais serviços chineses. Doubao, da ByteDance, Qwen, da Alibaba, e Yuanbao, da Tencent, desativaram ferramentas que permitiam aos usuários criar agentes personalizados a partir de seus chatbots de uso geral.

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Enquanto isso, aplicativos criados especificamente para oferecer companhia virtual continuam funcionando, mas com controles maiores. Maoxiang, da ByteDance, e Xingye, da MiniMax, passaram a operar com restrições mais rígidas e verificação de idade. Já o Miaoshi, ligado à NetEase, foi encerrado.

A dimensão do fenômeno ajuda a explicar a preocupação das autoridades. Uma pesquisa realizada no fim de 2025 pelo instituto de pesquisa da Tencent e por um centro ligado à Universidade Fudan mostrou que 19,6% dos jovens entrevistados consideravam a I.A uma amiga comum. Outros 12,6% a classificavam como amiga íntima e 6,1% como parceira virtual.

Para Yaoxi Shi, pesquisadora da Imperial College Business School, a própria forma de funcionamento da I.A pode facilitar esses vínculos. Segundo ela, os sistemas tendem a validar o usuário, questionar menos suas ideias e incentivar o compartilhamento de informações pessoais.

Regra ganha peso diante da crise demográfica na China

A preocupação com os relacionamentos virtuais também aparece em meio à queda da população chinesa. Em 2025, a China registrou o menor número de nascimentos desde a fundação da República Popular e viu sua população diminuir pelo quarto ano consecutivo.

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Nesse cenário, Zilan Qian, pesquisadora associada ao Oxford China Policy Lab, avalia que a regulamentação também pode ter uma dimensão ideológica. Parceiros de I.A que afastem mulheres de relacionamentos humanos poderiam entrar em conflito com o objetivo do governo de elevar as taxas de natalidade.

A China, portanto, tenta limitar o desenvolvimento de vínculos emocionais com máquinas sem interromper o avanço da tecnologia. Para Shi, a regulamentação pode servir de referência para outros países. Ela ressalta, porém, que o apego também pode surgir em assistentes de I.A que não foram criados especificamente como companheiros virtuais.

Por enquanto, a regra na China coloca os “namorados virtuais” no centro de uma discussão maior sobre até onde a inteligência artificial pode entrar na vida emocional das pessoas.

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