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Venezuela diz à China que preços do petróleo não serão definidos pelos EUA

Publicado 04/02/2026 • 06:55 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Venezuela afirma que preços do petróleo seguirão o mercado, e não pressões dos EUA, em meio à incerteza sobre sanções.
  • O embaixador venezuelano na China também buscou assegurar que os investimentos chineses na Venezuela permanecerão seguros.
  • Segundo relatos, Trump considerou exercer controle sobre a estatal petrolífera venezuelana e reduzir os preços para US$ 50 por barril.

Unsplash

Plataforma de petróleo

A Venezuela assegurou a Pequim que a precificação de seu petróleo não será ditada pelos Estados Unidos e que os investimentos chineses no país sul-americano permanecem seguros, segundo a mídia estatal.

Falando em uma coletiva de imprensa na terça-feira (3), Remigio Ceballos, embaixador da Venezuela na China, descartou relatos de que Washington influenciaria o preço pago pela China pelo petróleo venezuelano, afirmando que Caracas não acataria acordos impostos pelos EUA.

O Wall Street Journal informou em janeiro de 2026 que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava considerando exercer controle sobre a estatal venezuelana de petróleo Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), inclusive reduzindo os preços para US$ 50 por barril.

Leia também: EUA devem emitir licença geral para petrolíferas produzirem na Venezuela

“Em relação à precificação do petróleo, a Venezuela não seguirá os arranjos dos Estados Unidos ou de outros países. Temos o direito de tomar decisões independentes, e os preços do petróleo serão determinados com base nos preços do mercado internacional”, afirmou Ceballos.

As declarações foram feitas cerca de um mês após os Estados Unidos capturarem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar surpresa, e avançarem para exercer influência sobre o setor petrolífero do país por meio de sanções e vendas negociadas de petróleo.

A China, que tem absorvido grande parte das exportações de petróleo bruto da Venezuela com descontos significativos devido às sanções dos EUA, condenou o ataque militar norte-americano à Venezuela e pediu a libertação de Maduro.

Ceballos descreveu a captura de Maduro como um “alerta para o mundo inteiro”, mas procurou minimizar o impacto do episódio sobre as relações da Venezuela com a China. “China e Venezuela são parceiros de confiança”, disse, acrescentando que a relação é construída com base na confiança mútua e não pode ser influenciada por nenhum terceiro país.

Leia também: A Venezuela pode voltar a produzir 3 milhões de barris de petróleo bruto por dia?

O embaixador também buscou garantir que os investimentos chineses na Venezuela permanecerão seguros. “As empresas chinesas que operam na Venezuela e os investimentos de outros países continuaram avançando normalmente. Não apenas no setor de petróleo, mas todas as áreas de cooperação não serão afetadas.”

A apreensão de Maduro alimentou preocupações sobre o futuro dos investimentos chineses na Venezuela, já que Pequim tem sido um dos poucos atores estrangeiros ativos no país sul-americano – um espaço ocupado após as sanções dos EUA limitarem o envolvimento americano.

A estatal China National Petroleum Corporation mantém joint ventures com a PDVSA, enquanto a empresa privada China Concord Resources Corp. anunciou em agosto planos para investir mais de US$ 1 bilhão em um projeto de petróleo na Venezuela, com meta de produção de 60 mil barris por dia até o fim de 2026, segundo a Reuters.

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas sua produção de petróleo bruto permaneceu contida após décadas de má gestão, subinvestimento e sanções dos EUA.

O governo Trump tem promovido a reforma do setor liderada pelos EUA – voltada a aumentar a produção de petróleo e gás e atrair investimento estrangeiro – como algo positivo para a Venezuela e sua população. Uma produção maior e preços mais baixos de petróleo também ajudariam a reduzir os custos de energia para os consumidores americanos.

Em um depoimento no Capitólio, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o envolvimento do governo dos EUA na venda de petróleo venezuelano era um plano de curto prazo, destinado a estabilizar o país e manter o governo funcionando.

Washington devolveu todos os US$ 500 milhões provenientes da venda inicial de petróleo ao governo venezuelano, informou a Reuters, citando uma autoridade dos EUA.

O governo americano também teria avançado para emitir uma licença geral que permitiria a empresas negociar, transportar e refinar petróleo venezuelano, como parte dos esforços para aliviar sanções e reanimar a combalida indústria de energia.

Após a operação militar de 3 de janeiro, a Casa Branca teria exigido que a Venezuela cortasse laços econômicos com China, Rússia, Irã e Cuba, segundo a ABC News.

No entanto, no fim de semana, Trump pareceu suavizar o tom, afirmando que investimentos chineses e indianos seriam bem-vindos. “A China é bem-vinda para entrar e fará um grande negócio com o petróleo”, disse ele durante um voo para Mar-a-Lago no Air Force One, no sábado.

Na terça-feira, o presidente chinês Xi Jinping disse ao presidente uruguaio Yamandú Orsi que Pequim trabalharia com o Uruguai na construção de um “mundo multipolar igualitário e ordenado”. Orsi foi o primeiro líder sul-americano a visitar a China desde a captura de Maduro.

Em encontro com seu homólogo uruguaio Yamandú Orsi na terça-feira (3) – o primeiro líder sul-americano a visitar a China desde a captura de Maduro -o presidente chinês Xi Jinping afirmou que o país trabalhará com o Uruguai na construção de um “mundo multipolar igualitário e ordenado”.

Xi acrescentou que a China sempre valorizou suas relações com os países da América Latina e do Caribe e apoia sua soberania, segurança e objetivos de desenvolvimento.

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