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Análise: O retorno de Buffett à mídia com R$ 1,8 bilhão investidos no New York Times

Publicado 18/02/2026 • 22:12 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A Berkshire Hathaway investiu USS 350 milhões no New York Times, marcando o retorno de Buffett ao setor de mídia após um afastamento iniciado em 2020.
  • O aporte foca no modelo de assinaturas digitais da companhia, que já soma 12 milhões de assinantes e serve como referência global de monetização.
  • A movimentação ocorre durante a transição de liderança de Buffett, reafirmando sua confiança em negócios tradicionais com marcas fortes e receitas recorrentes.

A Warren Buffett voltou a movimentar o mercado ao direcionar um novo investimento de aproximadamente USS 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) no setor de mídia, surpreendendo analistas e sinalizando uma mudança estratégica relevante nos últimos movimentos sob sua liderança.

A operação foi realizada pela Berkshire Hathaway, que adquiriu participação na The New York Times Company no quarto trimestre de 2025, conforme informações encaminhadas à Securities and Exchange Commission (SEC). O aporte marcou o retorno do conglomerado ao segmento de mídia, do qual havia se afastado em 2020.

O investimento ocorreu ainda sob o comando executivo de Buffett, que deixou o cargo de CEO no início de 2026, permanecendo como presidente do conselho. A decisão reflete uma inflexão em relação aos anos recentes, quando a Berkshire concentrou alocações principalmente em energia, seguros e tecnologia.

A lógica do “value investing”

O movimento segue fielmente a filosofia clássica de Buffett, baseada no value investing – estratégia que prioriza análise profunda de fundamentos financeiros, governança, qualidade da gestão e geração consistente de caixa, em vez de tendências momentâneas de mercado.

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Dentro dessa abordagem, o investidor não busca setores “da moda”, mas empresas com modelos resilientes, previsibilidade de receitas e valuation considerado atrativo após escrutínio detalhado de balanços e indicadores operacionais.

Foi exatamente esse racional que levou ao investimento no New York Times. Embora pertença a um setor tradicionalmente pressionado pela digitalização, a companhia registrou crescimento de cerca de 9% no último ano, sustentada por um modelo robusto de assinaturas digitais.

Hoje, o grupo é considerado a maior operação jornalística baseada em subscriptions do mundo, com aproximadamente 12 milhões de assinantes — um número que transformou a empresa em referência global na monetização de conteúdo digital.

A aposta no modelo de assinatura

O sucesso atual está diretamente ligado à adoção precoce do paywall, sistema que restringe o acesso integral ao conteúdo mediante pagamento. Quando implementada, a estratégia foi amplamente questionada por contrariar a lógica dominante da internet aberta e gratuita.

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Com o tempo, porém, o modelo se mostrou vencedor. Enquanto muitos veículos demoraram a migrar e perderam receitas relevantes, o New York Times consolidou uma base fiel de leitores pagantes e construiu uma estrutura menos dependente de publicidade.

O caso acabou influenciando empresas jornalísticas no mundo todo – incluindo títulos como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo – a adotarem estratégias semelhantes anos depois.

Reposicionamento do portfólio

O aporte também ocorre em paralelo a uma reorganização relevante do portfólio da Berkshire Hathaway. Nos últimos anos, Buffett reduziu participação em gigantes de tecnologia, entre elas a Apple, avaliando que os papéis haviam atingido patamares elevados de preço.

Ao mesmo tempo, ampliou investimentos em negócios com características consideradas mais previsíveis ou subavaliadas, como a rede Domino’s Pizza, a petroleira Chevron – a única grande empresa americana ainda presente na Venezuela – e a empresa de rádio por satélite Sirius XM.

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A diversificação reforça a ideia de que Buffett não segue modismos setoriais, mas oportunidades específicas identificadas a partir de fundamentos econômicos.

Um possível “canto do cisne” estratégico

Para parte do mercado, essas movimentações podem representar uma espécie de swan song – expressão usada para descrever o último grande ciclo de decisões de um líder histórico antes da transição definitiva de comando.

Mesmo afastando-se da gestão executiva, Buffett deixa sinais claros de sua visão: negócios tradicionais podem continuar altamente lucrativos quando combinam marca forte, receita recorrente e disciplina financeira.

O investimento no New York Times, portanto, vai além de uma simples aposta em mídia. Ele simboliza a validação de um modelo de jornalismo pago, baseado em credibilidade e curadoria, justamente em um momento em que a abundância de informação aumenta o valor de conteúdo confiável.

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