Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
A nova era da IA: não basta automatizar, é preciso coragem para mudar
Publicado 31/07/2025 • 16:24 | Atualizado há 5 meses
Mercado encara temores com IA, balanços e inflação nos EUA; veja os destaques da semana
Apple desafia YouTube e Spotify com nova aposta em podcasts em vídeo
Veja quanto os atletas ganham por medalha nas Olimpíadas de Inverno de 2026
Criptomoedas desempenham um papel crescente em redes de tráfico humano, aponta relatório
Ex-banqueiro aposta no mercado de chás e cria império de US$ 578 milhões
Publicado 31/07/2025 • 16:24 | Atualizado há 5 meses
Pixabay
Inteligência Artificial
A inteligência artificial não é uma onda passageira — é um divisor de águas definitivo. Ela veio para ficar, remodelando não apenas ferramentas, mas a lógica do trabalho, os modelos de negócio e as bases simbólicas da cultura organizacional. Estamos vivendo o início de uma nova era, em que a forma como empresas operam, inovam e geram valor será irreversivelmente transformada.
Apesar dos avanços tecnológicos e dos investimentos bilionários, a maioria das empresas ainda não consegue extrair valor real da IA. Segundo nova pesquisa global da BCG (Boston Consulting Group) com 1.000 executivos em 59 países, apenas 26% das organizações estão gerando impacto tangível com IA — e apenas 4% atingiram excelência em todas as funções de negócio por meio da IA.
Não é falta de tecnologia. Não é ausência de dados.
É o modelo mental que ainda não mudou.
O que separa os líderes da maioria não são algoritmos geniais, mas decisões humanas — a coragem de mexer na estrutura, nos processos e nos vínculos que sustentam a organização. Porque em tempos de mudança acelerada, as certezas do passado tornam-se as prisões do presente.
Leia mais artigos da coluna Vida nas Organizações por Joaquim Santini
Muitas empresas iniciam suas jornadas de IA pelas bordas: RH, jurídico, compras, TI, atendimento. Áreas mais “seguras”, onde o impacto é controlado e os riscos, supostamente, menores. Mas essa escolha confortável costuma esconder uma armadilha.
Os dados do BCG são claros: 62% do valor da IA deve estar nas funções centrais de negócio, como operações (23%), vendas e marketing (20%) e P&D (13%). As funções de suporte, embora importantes, respondem por apenas 38% do valor total.
Ao evitar aplicar IA no core — onde mora a essência do negócio — as empresas protegem exatamente aquilo que mais precisa ser reinventado.
Muitas vezes, o que chamamos de 'resistência à inovação' é, na verdade, a defesa de laços emocionais que oferecem segurança e pertencimento ao grupo. Tentar transformar o coração do negócio sem reconhecer esses vínculos invisíveis é negar a base afetiva que o sustenta.
Setores como fintech (49%), software (46%) e bancos (35%) concentram hoje a maior proporção de líderes em IA. E isso não é coincidência.
Essas indústrias enfrentaram a disrupção digital mais cedo, quando ainda era moda duvidar da mudança. Foram obrigadas a se reinventar não só na infraestrutura, mas na própria lógica organizacional. Desenvolveram, ao longo do tempo, o que Edgar Morin chamaria de uma inteligência da complexidade: capacidade de navegar incertezas, interconectar variáveis e adaptar a cultura ao invés de apenas a estrutura.
Mais do que tecnologia, essas empresas cultivaram fluência adaptativa — e entenderam que IA não é sobre aliviar dores periféricas, mas transformar o sistema nervoso central do negócio.
Essas organizações:
Porque inovação de verdade não é zona de conforto — é território de risco, de luto organizacional e de renascimento.
O principal erro das empresas que ficam para trás é tratar IA como um projeto técnico, isolado. Mas IA não é sobre automatizar tarefas — é sobre repensar como o trabalho acontece, quem decide, quem contribui e como o valor é gerado, ou seja, é uma mudança radical no modelo de negócio e no sistema de gestão.
Como mostrou a pesquisa da Microsoft (Work Trend Index 2025), a IA só cria impacto real quando acompanhada de redesenho do trabalho, da cultura e da governança. Ainda assim, apenas 25% dos líderes entrevistados afirmam estar redesenhando fluxos, papéis e decisões com base no uso da IA.
O restante segue preso ao modelo anterior: automatizando o passado, ao invés de criar o futuro.
É a manutenção de “pactos de funcionamento defensivo" — estruturas que protegem o status simbólico vigente, ainda que já sem valor real. Vale ressaltar que Mudanças que não são elaboradas emocionalmente tendem a gerar um mal-estar silencioso. O que não é compreendido, é resistido— e muitas vezes essa resistência se disfarça de apatia, ironia ou boicote disfarçado.
Aplicar IA aonde ela mais gera valor — nas funções centrais — é, paradoxalmente, também onde dói mais.
Essas áreas envolvem múltiplos stakeholders, sistemas legados e decisões críticas. Exigem mais do que investimento: exigem coragem institucional para reconfigurar o que é considerado “intocável”.
As empresas líderes em IA, segundo a pesquisa da BCG fazem isso com método e disciplina:
• Começam por casos de uso de alto impacto e risco controlado.
Não é qualquer automação. Os líderes escolhem problemas centrais que, se resolvidos, demonstram o valor da IA de forma clara para o negócio. Não apostam em “quick wins” superficiais, mas em provas tangíveis de transformação com efeito multiplicador.
• Formam times verdadeiramente multidisciplinares.
Integram cientistas de dados, desenvolvedores, analistas de negócio e profissionais das áreas-fim (operações, marketing, P&D, etc.). Essa integração evita a “bolha da tecnologia” e garante que o uso da IA esteja conectado às dores reais do negócio e aos fluxos práticos do dia a dia.
• Criam estruturas decisórias ágeis, descentralizadas e orientadas a aprendizado.
Lideranças não centralizam tudo no topo nem travam a execução em comitês infinitos. Adotam uma lógica de “testar e aprender”, com ciclos curtos, correções rápidas e autonomia nas pontas para experimentar e escalar o que funciona. A governança vira aliada da fluidez, não um entrave burocrático.
• Escalam com paciência estratégica — não com pânico digital.
Ao contrário do impulso comum de “escalar tudo ao mesmo tempo”, os líderes sabem que escala sem base é ruído. Escolhem poucas frentes com alto potencial, amadurecem soluções reais, criam rituais de acompanhamento e só depois replicam. A pressa, quando desorganizada, só amplifica os erros.
O que Executivos e Investidores Precisam Observar
Se você é executivo, conselheiro ou investidor, observe os sinais abaixo. Eles indicam quem está realmente transformando — e quem apenas automatizando o que já não funciona:
Chega de confundir eficiência com transformação.
Chega de chamar de “disruptivo” o que apenas digitaliza o velho.
A inteligência artificial não é uma ferramenta — é um espelho.
Ela reflete o quanto estamos (ou não) preparados para mudar a lógica do nosso negócio.
Não é no algoritmo que mora o desafio.
É na cultura que resiste, na liderança que hesita, nos vínculos que protegem o passado.
Transformar com IA é mais do que automatizar fluxos.
É redesenhar a própria ideia de contribuição, valor e pertencimento.
Por isso, não queremos mais cases que brilham em apresentações e morrem no chão da fábrica.
Queremos líderes que sabem onde a IA realmente gera valor:
Queremos menos iniciativas e mais propósito.
Menos hype e mais consequência.
Menos dashboards — e mais coragem.
Porque o que separa as empresas líderes sem IA dos atrasados não é o acesso à tecnologia — é a maturidade para reimaginar o trabalho com ela.
Que venha a IA.
Mas que venha junto da única inteligência que nunca poderá ser terceirizada: a humana.
__
📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Os Bancos estão funcionando nesta segunda-feira (16)? Confira horários de atendimento
2
A Bolsa de Valores está funcionando nesta segunda-feira (16)?
3
Carnaval 2026 recebe R$ 85 milhões em verba federal e vira foco de disputa política
4
Baly registra recorde de vendas com energético ‘sabor Tadala’ no Carnaval; Conselho de Farmácia critica produto
5
Veja quanto os atletas ganham por medalha nas Olimpíadas de Inverno de 2026