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O adeus a Jane Goodall, primatologista que viajou o mundo em defesa do meio ambiente
Publicado 02/10/2025 • 00:00 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 02/10/2025 • 00:00 | Atualizado há 5 meses
Em 1960, aos 26 anos, Jane Goodall embarcou em uma jornada que revolucionaria nossa compreensão dos chimpanzés e do nosso lugar no mundo. Movida por uma paixão pela natureza, ela se aventurou pelas montanhas de Gombe, na Tanzânia, para estudar esses primatas em seu habitat natural.
Equipada com cadernos, binóculos e um espírito desbravador, Goodall quebrou barreiras e desafiou o status quo da época. Por meio de suas pesquisas inovadoras, revelou a complexa vida social dos chimpanzés, incluindo suas ferramentas, emoções e comportamentos até então desconhecidos.

Aos 91 anos, Jane Goodall continuava sua missão como Mensageira da Paz da ONU. Viajava 300 dias por ano, dedicando-se a palestras em que defendia o meio ambiente e pregava o combate às mudanças climáticas. Ela morreu hoje (1) na Califórnia, nos EUA, durante uma dessas viagens. Sua incansável luta mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo e inspirou a criação do Instituto Jane Goodall, presente em 26 países.
Suas descobertas tiveram um impacto profundo na ciência e na sociedade, principalmente após a revelação de que homens e chimpanzés compartilham exatamente 98,8% do DNA.
Em visita à Amazônia, em outubro de 2023, ela ficou chocada com a situação da floresta.
“Desmatamento, pecuária, queimadas em áreas enormes, garimpo ilegal, todas essas coisas me vêm à cabeça quando penso na Amazônia. Estive lá e o desmatamento que vi foi chocante. É uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta e, se parar de ser destruída, ajudará a reduzir as mudanças climáticas”, afirmou Dra. Jane Goodall em uma entrevista que me concedeu durante sua visita ao Brasil.

A primatologista aproveitou para criticar os políticos negacionistas.
“Acredito que o poder desses políticos depende de os eleitores terem informações e decidirem que desejam uma forma diferente de serem governados. Tenho notado que os jovens políticos assumem seus cargos comprometidos com a defesa do meio ambiente e o combate às mudanças climáticas. Mas assim que apresentam um projeto que obriga os eleitores a apertarem um pouco o cinto porque pode custar um pouco a mais, eles se afastam. Precisamos apoiar as pessoas que têm a coragem de tomar as decisões corretas no governo e na política. É por isso que considero tão importante o programa voltado para a juventude que promovemos no Instituto Jane Goodall”, afirmou.
Encerrei a entrevista citando minha filha, então com 16 anos, e perguntando que mensagem Dra. Goodall deixaria para ela.
“O pensamento que quero compartilhar é que os jovens estão neste mundo por um motivo. Sua filha pode ainda não saber qual é o motivo, mas quando isso se revelar ela pensará: é para isso que estou aqui, é isso o que devo fazer. E então ela vai arregaçar as mangas e agir. A humanidade está no início de um túnel longo e escuro. No final, há uma pequena estrela brilhando. É a esperança. Mas você não pode ficar no meio do caminho querendo que aquela estrela venha até nós. Temos que nos dedicar e superar os obstáculos que estão entre nós e a estrela.”
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